Juro alto é "paulada" nos investimentos, diz Abimaq

Publicado em 27/04/2010 15:31 252 exibições
O presidente da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert, classificou de uma “paulada nos investimentos” a provável subida na taxa básica de juros, que deve ser definida pelo Banco Central (BC) em reunião que começa nesta terça-feira (27). Para Aubert, a recuperação do setor agrícola será diretamente afetada pela decisão da autoridade monetária.

O BC estuda elevar a Selic, taxa de juros de referência da economia e atualmente em 8,75% ao ano, como forma de tentar conter o consumo e evitar que a meta de inflação de 4,5% não seja cumprida em 2010. A expectativa do mercado financeiro é de uma alta de 0,50 a 0,75 ponto percentual. A subida pode ser maior neste momento para evitar que novas alterações sejam necessárias no segundo semestre _ período de ápice da campanha eleitoral.

“O governo está dando uma paulada nos investimentos. Não consigo entender como o País que já tem a maior taxa de juros do mundo pretender elevá-la ainda mais. Isso é transferência de renda para um setor só, o financeiro”, afirmou Aubert, em meio a uma apresentação de números do setor no primeiro trimestre deste ano, durante a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), que acontece em Ribeirão Preto (SP) até a sexta-feira.

O setor de máquinas e implementos para agricultura registrou, de janeiro a março deste ano, elevação de 29,3% no faturamento nominal sobre igual período de 2009, atingindo R$ 1,119 bilhão em vendas. Também aumentou em 21,1% as exportações, obtendo US$ 130,9 milhões. O nível de emprego voltou ao patamar pré-crise, em 2008, com incremento de 2,1% na mão de obra.

Para Celso Casale, da CSMIA (Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas) da Abimaq, o aumento de produtividade explica 90% do resultado do setor, ainda envolto com problemas como o baixo valor das commodities agrícolas, principalmente soja, milho e trigo.

Para Aubert, esse é um problema criado pelo câmbio pouco competitivo, um efeito secundário da taxa de juros já elevada, na opinião dele, no País. “Como falar em câmbio flutuante, se os juros não param de subir? Não precisa ser economista para entender que é muito mais negócio trazer capital especulativo, que praticamente não paga imposto, e investir em títulos do governo do que promover investimento produtivo no Brasil. E o ingresso desse capital deve continuar pressionando a taxa de câmbio, tirando nossa competitividade”, afirmou.

Para Cesário Ramalho, presidente da Agrishow, apesar do otimismo no setor, a produção agrícola está estagnada em 140 milhões de toneladas já há seis anos, com pequenas variações, e isso é reflexo do desestímulo produtivo. “A carga de impostos é brutal no Brasil. E agora tem esta questão de aumento dos juros. Não culpo o atual governo. Culpo os governos pela falta de apoio ao setor produtivo”, afirmou.

Segundo ele, estudos feitos pelo setor indicam que o juro real do agricultor é de 15% ao ano e não de 6,75% como preconizam as taxas de juros mais baixas oferecidas por instituições ligadas ao governo. “Precisamos pegar financiamento nas linhas tradicionais. Como não temos seguro de nossa atividade, isso encarece o custo, que passa a ser na realidade de 15%”, afirmou.

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Fonte:
IG Economia

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