Agricultores sofrem com a seca no sertão

Publicado em 19/05/2010 08:17 208 exibições
O quadro no Sertão dos Inhamuns está se tornando desolador. Os animais estão quase sem pasto para se alimentar
Crateús. Basta comparar os dados de precipitações pluviométricas de 2009 e deste ano nos municípios do sertão do Ceará para concluir que o quadro é desolador. "Não é nem seca verde, não. É seca mesmo, pois as chuvas foram muito poucas", declara o coordenador da Ematerce, Wilson Mourão, responsável pelos municípios de Crateús, Novo Oriente e Ipaporanga. Em toda a região foram registrados cerca de 213 milímetros de chuva, muito abaixo da média, que é de 800mm. Ano passado, foram registrados mais 1.000mm em todos os municípios.

Em Crateús, choveu este ano só 236mm. Em 2009, chegou a 1.114mm. O município de Ipaporanga é o único que este ano chegou aos 500mm, ano passado registrou 1.159mm. A seca é confirmada no campo. Nem safra e nem pasto para os animais. A paisagem em alguns locais até que é verde, mas entristece, pois predominam as plantações de milho e feijão, com pés bem pequeninos, mostrando que não haverá produção este ano. Para a Ematerce, a maior preocupação com aos efeitos da seca este ano será a falta de forragem para os animais, seguida pela falta de água potável para o consumo humano, além da produção mínima de feijão e milho. Agricultores buscam o órgão para a elaboração e instalação de projetos de irrigação, por meio de financiamentos de sistemas de irrigação em locais em que há reservatórios ainda cheios, frutos do inverno passado. A Secretaria de Agricultura de Crateús também classifica o período como seca, "porque as precipitações foram poucas e não ficou forragem para os animais", diz o sub-secretário, Teobaldo Gonçalves. Aguarda ações do Governo para amenizar a situação do homem do campo. O socorro dos carros-pipa de imediato, a construção de mais cisternas de placas, a suspensão da cobrança da Guia de Transporte Animal (GTA), que facilitará o transporte de animais para o vizinho Estado do Piauí, e a liberação dos recursos do Garantia Safra para junho são as ações aguardadas pela Secretaria para amenizar os efeitos da seca no município.

"A perda de safra é de 95%", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Crateús, Antônio Ximenes. A expectativa dos trabalhadores, segundo ele, é a liberação de projetos de irrigação e meios para a compra de ração para o rebanho.

O presidente do Sindicato de Tauá, João Evonilson, faz a mesma previsão. Não tem pasto para os animais e boa parte dos criadores já estão alimentando o seu rebanho com ração ou levando para o Piauí. Outros já estão até vendendo suas crias, presumindo a situação de penúria e despesas no segundo semestre do ano, quando o verão chega. O pasto que ainda resta, cuja previsão é que sustente os rebanhos até o meio do ano, é ainda do inverno do ano passado. Diz ainda que a situação em Tauá está agravada devido ao fechamento do armazém da Conab. Os agricultores têm que se deslocar para adquirir ração do rebanho na Conab de Crateús ou Juazeiro do Norte.

Francisca Souza de Lima, em Pelo Sinal, município de Independência, olha para a sua pequena plantação de milho e feijão com muita tristeza, pois dali, quando tem inverno, tira boa parte do seu sustento, dos 11 filhos e seis netos. Em 2009 a colheita foi boa e este ano o seu esposo terá que remediar a situação da família com trabalho na cidade. A renda da família ficará por conta dos R$ 130,00 que recebe mensalmente dos programas do Governo Federal.

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Diário do Nordeste

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