Mato Grosso muito próximo do colapso logístico com os altos preços do frete

Publicado em 14/06/2010 08:54 e atualizado em 14/06/2010 19:11 617 exibições
Importante produtor mundial de alimentos paga literalmente muito caro para escoar sua produção, mas fôlego que sustenta este sucesso está minando.
Mato Grosso colheu nesta safra 18,78 milhões de toneladas de soja, confirmando a posição de maior produtor do grão no país. Estabeleceu novo recorde ao superar a sua própria marca. Movimentou bilhões de reais com o agronegócio. Gerou milhares de empregos – no campo e na cidade – e manteve a arrecadação de impostos em alta. Foi o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira e colocou o Estado em sétimo lugar no ranking das exportações brasileiras, mas esta vocação natural para grandes números está condicionada a investimentos urgentes em infraestrutura.

Este extraordinário desempenho, contudo, ainda se dá sob forte pressão logística. O que ainda assim é bom, poderia ser melhor, mas em pouco tempo, os números superavitários poderão se perder literalmente, estrada afora, congestionando de fato a economia estadual.

Cada recorde no campo esbarra na falta de uma adequada logística para o transporte da produção até os portos exportadores, tirando a competitividade e corroendo a renda do produtor duplamente, tanto na hora de vender com a depreciação das cotações como na hora de plantar com o encarecimento dos insumos, por conta dos altos custos do frete. A cotação das commodities como soja e algodão – culturas que o Estado lidera a produção no país – tem a formação de preços feita em bolsas internacionais e não de acordo com o custo de cada lavoura.
A questão virou um pesadelo para os agricultores mato-grossenses, especialmente os localizados em regiões mais distantes do litoral brasileiro. Da porteira para dentro, o produtor domina a tecnologia, sabe cultivar, obtém resultado, dorme em paz, torcendo apenas pela chuva e sol no tempo certo. Na hora de vender o fruto de seu trabalho, todavia, ele sofre uma grande amargura, pois não tem como impedir que parte dos seus produtos seja utilizada só para pagar frete.

Nos últimos anos, dependendo do preço da tonelada de soja, o custo do transporte em Mato Grosso representou de 32% a 48% do valor do grão desembarcado na China.
“É incrível como o trajeto até o destino final sobrepuje o custo somado do fertilizante, do óleo diesel, dos agroquímicos, da colheita. Não temos como competir com nossos concorrentes”, afirma o presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Luiz Garcia.

Na avaliação dos especialistas, o futuro da soja mato-grossense depende da sua competitividade no mercado global. Para isso, precisará, além do empenho do produtor, de novas e mais baratas vias de escoamento da produção. "Precisamos melhorar a nossa logística, que é muito cara e deixa nossos produtos sem competitividade", aponta o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Carlos Fávaro.

Iniciativas para tirar o Estado do caos logístico já estão sendo tomadas com a implementação dos corredores de exportação Centro-Norte, Cuiabá-Santarém, integrando rodovias, ferrovias e hidrovias aos sistemas de transporte da produção agrícola nacional.

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Diário de Cuiabá

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