Presidente da CNA defende a formalização do campo

Publicado em 01/07/2010 14:08 283 exibições
A senadora Kátia Abreu participou de sabatina com o candidato à Presidência, José Serra

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, avaliou hoje que o atual modelo de política agrícola não se enquadra à realidade do agronegócio brasileiro. Ela defendeu a reformulação do modelo de financiamento e lembrou que 90% dos produtores brasileiros estão na informalidade. “O desejo dos produtores não é o mesmo. Estamos trabalhando junto ao governo federal há dois anos um novo modelo de política agrícola”.

 

A senadora lembra ainda que, enquanto a China é lembrada pela eficiência no serviço, o Brasil é lembrando como a grande fazenda do mundo. Mesmo assim, o setor tem dificuldades para acessar crédito. “Os recursos disponibilizados pelo governo federal não têm conseguido chegar às mãos dos produtores por causa do risco da atividade”, comentou. A senadora fez as considerações na abertura do encontro Presidenciáveis na CNA, que acontece nesta quinta-feira, na sede da CNA, em Brasília.

 

Sem acesso ao crédito oferecido pelos bancos, os produtores precisam recorrer aos financiamentos privados. Nesses casos, acrescentou, as taxas de juros oscilam entre 15% e 20%, taxa de juro que, segundo a senadora, é “impraticável para o campo”. Ela lembrou que os preços dos grãos no mercado interno têm como base as cotações do mercado internacional, da bolsa de Chicago. Esses preços, lembrou, não levam em consideração os problemas de logística do Brasil. “O Brasil não tem portos. Ninguém investe em infra-estrutura”, disse.

 

No encontro com o candidato do PSDB, ela defendeu o fim da divisão dos produtores de acordo com o tamanho das propriedades. “Precisamos de um governante que entenda que em primeiro lugar não está o tamanho das propriedades, mas a renda”, disse. Ela citou dados do Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostrou que dos cinco milhões de produtores rurais, 1,6 milhão produzem 76% do Valor Bruto de Produção (VBP). Metade dos produtores rurais produzem apenas 6,5% do VBP, o que revela um quadro de pobreza extrema no campo”, comentou.

 

Para “unificar” o campo, é preciso, segundo a senadora, considerar três níveis de agricultura. No caso do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), a presidente da CNA lembrou que só metade do crédito tem chegado às mãos dos produtores. Um grupo menor reúne uma quantidade menor de agricultores. Esses produtores, disse Kátia Abreu, são independentes, têm pequena extensão de terra, alta produção, conseguem produzir com custos menores e investem em mercados de derivativos. “Esse grupo precisa de logística e dólar compatível com sua realidade”, completou.

 

A senadora também citou a grande classe média rural brasileira. Esse grupo não consegue pagar preços melhores quando compram fertilizantes e insumos. “Esses produtores produzem com capacidade de gestão, mas ainda enfrentam o problema dos custos elevados”, afirmou. A presidente da CNA defendeu o fortalecimento da classe média rural e apontou que o barateamento do crédito para os produtores rurais depende da criação de uma central de risco, como acontece nos Estados Unidos. “A pessoa física precisa se tornar pessoa jurídica. Precisamos de um modelo que se adapte ao campo. O modelo (de formalização) das indústrias e do setor de serviços não serve para o campo”, lembrou a senadora. A formalização depende da desoneração da carga tributária, que hoje está em 19% no Brasil. “No resto do mundo, a carga é de 5%”.

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CNA

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