VBP corrói renda em Mato Grosso

Publicado em 13/07/2010 07:54 184 exibições
Sojicultura é a atividade mais penalizada pela desvalorização que abocanha 38% do que poderia ser reinvestido na nova safra.
A safra 09/10 de Mato Grosso vai se confirmando como a temporada de menor rentabilidade dos últimos cinco anos, ao apresentar estimativa de receita de R$ 16,85 bilhões, cifras semelhantes ao realizado em 2005, quando o volume produzido era 17% menor do que as mais de 28 milhões de toneladas projetados para 2010. O maior prejuízo desta temporada foi imposto à sojicultura que por conta das perdas cambiais e de cotações do mercado internacional, deixará de movimentar mais de R$ 3,5 bilhões. Esse montante representa nada mais, nada mesmo, que cerca de 38% do investimento necessário para viabilizar a safra 10/11.

Na comparação com o realizado no ciclo anterior, 08/09, as lavouras estaduais terão, em 2010, um Valor Bruto da Produção (VBP) 18,13% abaixo dos R$ 20,58 bilhões contabilizados em 2009. Essa desvalorização significa dizer que a renda no campo, o retorno do investimento feito pelo produtor, será menor.

A soja, carro chefe do agronegócio estadual, tem previsão de perdas de receita em mais de 27%, a maior entre as principais culturas em desenvolvimento no Estado. Pelo levantamento mensal do Mapa, referente a junho, a oleaginosa fecha o semestre com estimativa de VBP de R$ 9,47 bilhões, contra R$ 13,03 bilhões contabilizados em 2009.

De acordo com estimativas da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), as cifras representam nada mais, nada menos do que cerca 38% do investimento necessário ao custeio de uma safra da cultura. Considerando que na safra 10/11 Mato Grosso deverá cultivar pouco mais de 6 milhões de hectares e um valor médio de R$ 1,5 mil cada um, a cobertura de todos os hectares demandará R$ 9 bilhões, do quais R$ 3,5 bilhões foram corridos por questões alheias à expertise do produtor.

Como explica do presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, os indicadores mercadológicos apontam que o VBP de 2011 ficará muito próximo ao que vai se confirmando em 2010, algo em torno R$ 9 bilhões. “Se vamos investir R$ 9 bilhões para plantar a nova safra e teremos uma produção avaliada em R$ 9 bilhões, vamos amargar mais um ciclo de perdas, já que o capital aplicado não terá retorno pelo segundo ano consecutivo. E quem investe para não obter uma margem mínima de lucro?”, questiona. Porém, o produtor rural sempre arisca porque para quem planta prejuízo maior é deixar o solo sem cobertura. As esperanças de um saldo melhor são os piques de mercado, com altas repentinas sobre as cotações para entregas futuras e a economia na hora de utilizar adubos e fertilizantes, como forma de reduzir o custo de produção.

Rombo - Das quatro principais culturas do Estado – as de maiores rendas - apenas o algodão mostra reação de preços. Conforme números divulgados nesta segunda-feira (12) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Estado (Mapa), se as estimativas pessimistas se confirmarem para Mato Grosso, o Estado, segundo maior produtor de grãos do Brasil, registrará a maior desvalorização entre os grandes produtores nacionais. A retração de 18,13% está melhor do que a prevista em maio: cuja queda ultrapassava a casa dos 20% e fazia com que o VBP de Mato Grosso retroagisse ao realizado em 2005, ou seja, há seis safras.

Os números previstos para Mato Grosso ficam estratosfericamente acima do projeto para média Brasil, retração de 0,37% e acima da média para a região Centro-Oeste, -16,29%. O VBP nada mais é do que o valor da safra em análise conforme produção, produtividade e cotações de mercado.

Desempenho - Conforme o Mapa, das quatro grandes culturas em desenvolvimento no Estado, apenas o algodão esboça valorização em relação ao contabilizado em 2009. O VBP passa dos R$ 3,54 bilhões para R$ 3,99 bilhões. Já o arroz, milho e soja, apresentam previsões de retração do VBP em mais de 23%. O arroz, cuja produção é a terceira maior do país – estão estimadas 742,7 mil toneladas – a receita das lavouras deve recuar de R$ 543,30 milhões para R$ 401,95 milhões (-26,15%).

O milho, cuja maior segunda safra está em Mato Grosso, o VBP recua de R$ 2,19 bilhões – realizados em 2009 – para uma estimativa de R$ 1,67 bilhões em 2010, queda de 23,74%.

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Fonte:
Expresso MT

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