Serra diz que MST fará mais invasões com Dilma na Presidência

Publicado em 26/07/2010 19:28 387 exibições


O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que uma eventual vitória de sua adversária petista, Dilma Rousseff, fará com que as invasões do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) se intensifiquem.

Em encontro promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), em São Paulo, Serra destacou que Dilma conta com o apoio do líder do MST, João Pedro Stédile, nas eleições.

"O Stédile declarou apoio a Dilma. Com ela, [os sem-terra] vão poder fazer mais invasões, mais agitações", afirmou. "O MST não existe para a reforma agrária", reiterou.

POLÍTICA EXTERNA

O tucano ainda criticou a política externa brasileira. Segundo ele, as ações do Brasil no setor durante o governo Lula se basearam exclusivamente em interesses econômicos.

"Tivemos uma política de 'negócios são negócios'", disse ele em encontro promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais) --a frase "negócios são negócios" foi proferida recentemente pelo ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiné Equatorial.

Serra criticou as relações do Brasil com países sul-americanos e com a China. "Estamos fazendo filantropia com Paraguai e Bolívia. Com a China, só fizemos concessões", afirmou.

O presidenciável tucano também criticou as relações do governo brasileiro com Cuba. "É amigo de Cuba? Tudo bem. Mas então use isso para soltar os presos políticos."

Segundo ele, o PT, por ser um partido homogêneo, usa a política externa para agradar a setores do partido.

O candidato do PSDB voltou a dizer que o PT tem relações com as Farc, mas dessa vez utilizou um raciocínio diferente. "Todo mundo sabe que existe uma simpatia pelo [Hugo] Chávez [presidente da Venezuela]. Ele abriga as Farc."

ECONOMIA

O tucano disse ver contradições na política econômica do governo federal e defendeu que o Brasil tenha na área uma equipe integrada.

Segundo ele, um dos exemplos do suposto mau planejamento é o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

"Tem órgão como o Dnit que é uma piada em matéria de planejamento." Serra afirmou ainda que as estradas são feitas segundo interesses eleitorais ou não-ortodoxos.

O candidato aproveitou o encontro com líderes empresariais para alfinetar a candidata do PT, Dilma Rousseff, que na semana passada afirmou em entrevista à "TV Brasil" que a carga tributária brasileira não é alta, comparada com outros países.

"A assessoria dela esqueceu de avisar que o Brasil tem que ser comparado com outros países em desenvolvimento, e não com países como a Suécia."

Serra avaliou que o país poderia ter crescido mais durante a crise econômica, e insinuou que falta preparo aos comandantes da política econômica.

"O Brasil perdeu a chance de crescer na crise e investir mais. Talvez por falta de conhecimento."

MST diz que repudia 'retrocessos' de candidatura tucana

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou hoje que a organização "mantém sua autonomia frente aos partidos políticos e às candidaturas, mas repudia os retrocessos sociais simbolizados na candidatura tucana". A nota foi uma resposta às afirmações do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. Hoje, Serra disse para uma plateia de empresários que João Pedro Stedile, líder do MST, apoia a Dilma, e que as invasões e agitações do MST vão se intensificar em um governo do PT.

O MST afirmou que Serra "se vale de ameaças e tenta criar um clima de raiva contra o MST porque não possui um projeto que de fato possa garantir a vida digna dos trabalhadores rurais e urbanos". "José Serra é líder de uma coalizão conservadora, que pretende implantar em nível nacional suas políticas repressoras, tal como fez no Estado de São Paulo em relação aos professores, sem-teto e sem-terra", disse o MST na nota. "Ele representa os interesses do latifúndio improdutivo e do agronegócio, que não resolvem o problema das famílias sem-terra e não garantem o abastecimento de alimentos saudáveis para a população brasileira."

Para Serra, falta conhecimento de economia no governo

O candidato tucano à Presidência José Serra afirmou em evento nesta segunda-feira, em São Paulo, que o Brasil está passando por uma “desindustrialização” nos setores de celulose, calçados, alumínio, entre outros. “Não há economia que seja puxada pela exportação decommodities do ponto de vista de empregos”. Para ele, o próximo ano determinará um “rumo e estilo de desenvolvimento para o nosso país”, que ainda deve ser definido. Serra aproveitou para atacar o governo Lula: “Falta conhecimento de economia no governo”. “Teremos uma equipe econômica integrada, que tenha os mesmos objetivos”.

Serra fez questão de lembrar os “últimos 25 anos de Brasil”, em que destacou a criação do SUS (Sistema Único de Saúde), do Plano Real, do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), da Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras medidas que o tucano atribuiu a si próprio e afirmou que, “de alguma maneira, o PT se beneficiou disso tudo, embora tenha sido contra tudo”.

Tripé da economia – Até da denominação “tripé” Serra se diz pai. No Brasil, explicou o tucano, temos um tripé favorável, formado pela “flexibilidade cambial, responsabilidade fiscal e metas de inflação”. No entanto, ele diz que isso não é suficiente para a economia do Brasil. “Temos um tripé maligno”, afirma Serra, com juros altos, carga tributária elevada e baixo investimento governamental.

Esse foi o gancho para o candidato do PSDB criticar – mais uma vez – a infraestrutura do país. “A infraestrutura no Brasil é muito ineficiente e o prejuízo que isso acarreta é imenso”. Falta dinheiro e planejamento, disse o tucano, que afirmou ainda que as propagandas do governo Lula dão ideia de que “tudo está indo bem”, mas na verdade, diz ele, não é bem assim.

Imersão total no pré-debate

José Serra decidiu se recolher nos dois dias anteriores ao primeiro debate com Dilma Rousseff, que acontecerá na Band, no dia 5. Cancelou todos os compromissos para se preparar.

Blog Lauro Jardim (veja.com)



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FSP

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