Serra liga campanha de Dilma a José Dirceu

Publicado em 18/08/2010 15:51 533 exibições
Nas considerações finais do debate da Folha/UOL realizado nesta quarta-feira em São Paulo, o presidenciável do PSDB, José Serra, disse que seu estilo de governo é conhecido porque é um estilo aberto. E vinculou o deputado cassado José Dirceu à campanha de sua adversária Dilma Rousseff (PT). "O José Dirceu é considerado pelo Ministério Público (MP) como o chefe do mensalão e tem um papel muito importante na campanha da Dilma", disse o tucano.
Já a petista, nas considerações finais, citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo o voto e a participação de todos para "fazer um Brasil ainda melhor do que Lula fez". "Eu quero ser a primeira mulher presidente deste País." Além disso, disse que o governo Lula mudou o Brasil e é preciso continuar neste caminho.
A presidenciável do PV, Marina Silva, afirmou que pretende fazer a diferença no cenário eleitoral e que foi um orgulho participar do debate de hoje como candidata à Presidência da República.

SERRA NEGA TOM MAIS AGRESSIVO APÓS PESQUISAS 
José Serra, após o debate,  negou  que o resultado das últimas pesquisas de intenção de voto - que mostram o crescimento da vantagem da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, sobre sua candidatura - tenha feito com que ele subisse o tom no debate da "Folha de S.Paulo".  "Foi uma participação normal", disse, em tom seco. Serra afirmou ter gostado do debate, que ele considerou menos rígido do que os promovidos pelas TVs. No entanto, insistiu que algumas questões permaneceram sem esclarecimentos. 

-- "Uma  pergunta que ficou sem resposta: por que o atual governo aumentou os impostos federais sobre energia? Temos tarifas das mais altas do mundo", disse Serra. "Por que aumentou tão fortemente o imposto federal sobre saneamento? São coisas que conspiram contra o desenvolvimento e o investimento." 
De acordo com ele, o aumento de contribuições sobre o saneamento tirou R$ 2 bilhões por ano das empresas do setor. "Isso sem dúvida explica o desempenho muito ruim do Brasil em matéria de saneamento." Segundo ele, na Bahia, a cobertura de saneamento chega a níveis "desastrosos" para a população e o meio ambiente. "Isso ocorreu devido ao furor tributário do governo federal, que acha que a carga tributária no Brasil não é alta", disse, referindo-se à Dilma.
Ao ser questionado por jornalistas sobre o uso de uma favela cenográfica em seu programa eleitoral na TV, Serra não respondeu e encerrou a entrevista coletiva.
Apoio
No último bloco do debate, Serra foi questionado sobre as diferenças entre o PMDB, que apoia Dilma, e DEM e PTB, que apoiam Serra. O jornalista que fez a pergunta indagou por que ele criticava um partido que integrou a chapa dele em 2002, quando Rita Camata (ES), que era do PMDB, foi sua candidata a vice e também de que forma iria, se eleito, distribuir cargos de confiança e ministérios, uma vez que, embora tenha criticado o fisiologismo, tinha Roberto Jefferson (PTB), um dos envolvidos no esquema do mensalão - suposto esquema de compra de votos parlamentares no primeiro mandato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e na estrutura dos Correios, em sua aliança.
"Em política, nem todos são iguais, ao contrário do que você parece pensar", respondeu. O candidato afirmou ter 27 anos de vida pública e disse não ter compromisso com o erro. "Erros acontecem com todos. A diferença está em como são tratados aqueles que os cometem. Todos que estão me apoiando sabem que não vou fazer troca-troca de cargos", disse, ressaltando que "não passa a mão na cabeça de ninguém".
Referindo-se à quebra do sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, Serra voltou a atribuir o ato a integrantes do PT e disse que ninguém foi punido. Sobre Roberto Jefferson, Serra afirmou que ele foi o autor da denúncia do mensalão. "José Dirceu foi o chefe da quadrilha e foi punido pelo Congresso."

PARA SERRA, LOTEAMENTO DE CARGOS CHEGOU AO EXTREMO NO GOVERNO 
José Serra, acusou o governo federal de promover o loteamento de cargos públicos em ministérios e empresas estatais. Ele citou de forma específica os Correios e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa). "Chegamos ao ponto extremo no caso da administração federal. O loteamento chegou a praticamente todas as esferas", afirmou, durante debate promovido pela Folha e pelo UOL, em resposta à pergunta de um internauta sobre o que faria para combater o aparelhamento do Estado se eleito. "A Funasa foi praticamente jogada no chão pelo loteamento político. Um descalabro", disse.
"Nos Correios, foi tudo loteado entre partidos, setores de partidos e grupos de deputados, baixando muito o nível dos serviços", disse. Serra afirmou que a primeira coisa que fez quando assumiu o Ministério da Saúde durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi "limpar a Funasa". "É preciso dar um choque e um fim a esse troca-troca desavergonhado", disse. 

Dilma Rousseff (PT) pediu direito de resposta, mas a organização do debate considerou não ter havido ofensa pessoal na resposta de Serra.
Marina Silva (PV) foi questionada sobre o que achava do fato de bancos e empreiteiras estarem entre os maiores doadores de recursos para a campanha de políticos no País. "Se as doações não são feitas por amor, devem ser feitas de acordo com a lei, com transparência e pudor", disse. Ela disse ainda que sua campanha já conta com a contribuição de 400 pessoas físicas pela internet, "quebrando a lógica de poucos contribuindo com muito". 

Ela aproveitou ainda a pergunta feita a José Serra para dizer que foi a única, entre os candidatos, que teve liberdade para escolher seu vice, o empresário Guilherme Leal.
Dilma foi questionada sobre sua posição sobre o aborto. "Eu pessoalmente não sou a favor do aborto. Não acredito que tenha uma mulher que seja favorável ao aborto. São situações a que mulheres recorrem no desespero. É uma questão de saúde pública", disse. Ela ressaltou ser a favor do procedimento nos casos estabelecidos por lei - estupro e risco de vida para a mulher. De acordo com a candidata, nos casos de conflito cabe à Justiça arbitrar cada caso. "A lei é clara e deve ser cumprida."

Dilma contesta Serra e diz que é preciso olhar para o passado

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse  que é preciso olhar para o passado para valorizar as conquistas do presente e planejar o futuro. Em entrevista coletiva concedida após participar do debate, Dilma respondeu à acusação de Serra de que a candidata "olha apenas pelo retrovisor". 


"Essa história de que não dá para olhar para o retrovisor é um perigo enorme para um País que tem a história que nós temos", disse Dilma. "Temos uma história de ditadura e temos de olhar para ela para valorizar a democracia. Temos uma história de baixo crescimento e, por isso, valorizamos o alto crescimento. Temos uma história de desigualdade de renda vergonhosa. Por isso, temos de perseguir a erradicação da pobreza. Quem não tem história e passado, não tem presente nem futuro. Temos de aprender com o que fizemos", acrescentou. 


Na entrevista, Dilma ironizou o jingle de campanha de José Serra, exibido no programa do horário eleitoral de TV ontem, que diz "depois de Lula quero o Serra lá (na presidência)". "Eu acho interessante o pessoal que fala mal do governo Lula e coloca, na primeira estrofe do seu jingle, o nome do presidente Lula", disse. 


A candidata afirmou ter gostado do debate e afirmou que o ponto alto foi a interatividade com os internautas. Dilma afirmou também que os próximos programas eleitorais dela na TV vão exibir a realização de obras, como rodovias, ferrovias e usinas hidrelétricas e estaleiros em todo o País. "Vamos ter a oportunidade de mostrar tudo aquilo que fizemos e o Brasil ainda não conhece", disse. 


Dilma considerou "deselegante" a pergunta de uma jornalista que participou do debate sobre seu estado de saúde, após o tratamento para combater um câncer linfático. "Vocês podem ficar descansados. Ninguém com alguma doença segura uma campanha eleitoral, como eu seguro", afirmou. 


Dilma não quis comentar as acusações sobre a suposta ligação entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias (Farc), da Colômbia - questão que foi levantada pelo vice de Serra, Índio da Costa (DEM). "Eu lamento, mas não vou responder a esse senhor", afirmou.


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Fonte:
NA + O Estado de S. Paulo

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