Governo, PT e Receita: reação ensaiada

Publicado em 08/09/2010 07:00
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Para reagir à série de denúncias de violação de sigilo, a cúpula da campanha petista decidiu fazer neste feriado prolongado de 7 de setembro um esforço concentrado, conforme reconhece um colaborador próximo da candidata Dilma Rousseff. A estratégia passa por declarações afinadas de integrantes da campanha, da própria candidata e do primeiro escalão do governo e conta ainda com ajuda da Receita Federal. Tudo para blindar Dilma e reduzir o escândalo à ação de mais uma leva de aloprados.

Dilma Rousseff, seu coordenador-geral de campanha, José Eduardo Dutra, o ministro Alexandre Padilha e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, vieram todos a público na segunda e na terça-feira negar que a quebra de sigilos fiscais tenha qualquer vínculo com a campanha petista embora o contador e o analista que acessaram dados da filha do tucano José Serra, Verônica, e do vice-presidente do partido, Eduardo Jorge, tenham filiação ao PT. À noite, o próprio Lula entrou em cena no horário eleitoral para acusar Serra de baixaria e preconceito.

Governo e campanha dizem exigir a investigação do escândalo até a última vírgula, nas palavras de Dilma. Dutra, que no domingo admitiu constrangimento diante da série de denúncias, solicitou investigação da Polícia Federal, o que repetiria o desenrolar do escândalo de 2006, quando um assessor do então candidato petista ao governo Aloizio Mercadante foi flagrado com uma mala de dinheiro para comprar um dossiê contra Serra. A Polícia Federal chegou a indiciar o assessor Hamilton Lacerda por lavagem de dinheiro, mas o Supremo Tribunal de Justiça anulou e arquivou o processo.

Em meio às declarações do comando da campanha petista e do governo, a Receita Federal também emitiu uma série de comunicados. Anunciou em nota o desligamento da funcionária Adeildda Ferreira mesmo antes de concluir a sindicância. Divulgou em seguida outro comunicado manifestando profunda indignação com as acusações de que o órgão estivesse acobertando o escândalo. Em Brasília, o corregedor-geral do órgão, Antonio Carlos Costa DÁvila, leu um comunicado a jornalistas em que negou tratar-se de quebra de sigilo, uma vez que o acesso teria sido feito apenas a dados cadastrais, como telefone, endereço e número de conta bancária. Por fim, atribuiu a Adeildda o acesso suspeito aos dados de 2.591 contribuintes.

Embora não reconheçam tratar-se de uma estratégia para conter uma possível queda de Dilma nas pesquisas, um integrante da cúpula do PT admite que pode até haver uma diferença nos próximos números mas nada muito significativo, acredita. Segundo um dirigente do partido ligado à campanha, as pessoas ainda não entendem o assunto e não ligam o escândalo a Dilma.

Pecha - Para os tucanos, o esforço petista é uma dissimulação que tem por objetivo aumentar a confusão sobre um assunto já complexo, sem esclarecer nada. Segundo o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o PT percebeu que era a hora de mover uma reação ao escândalo, mas suas explicações assim como as da Receita são rasteiras e fantasiosas. A pecha de alguém que subverte a ordem democrática colou no PT.

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Fonte: Veja.com

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