Alimentos dão o tom da inflação no ano, diz IBGE

Publicado em 09/09/2010 12:04
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O comportamento dos alimentos foi essencial para o arrefecimento da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos três meses.

Entre junho e agosto a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acumulou leve alta de 0,05%, período em que o grupo alimentação e bebidas recuou 1,89%.

A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, ressaltou que os alimentos apresentaram "influência muito expressiva" sobre a inflação em 2010. Nos primeiros cinco meses do ano, o grupo alimentação e bebidas acumulou alta de 5,48%, puxado pelo efeito das chuvas excessivas sobre a safra.

Desde então, seguidas deflações levaram o acumulado pelos alimentos a 3,49% em 2010. Com isso, o acumulado pelo IPCA em 12 meses passou de 5,22% em maio para 4,49% em agosto. Mas Eulina alertou que a trajetória de deflação nos alimentos tem desacelerado desde o pico de 0,90% de queda registrado em junho, atingindo -0,24% em agosto.

Segundo ela, a seca no Brasil tem influenciado os preços das carnes, enquanto a maior seca em mais de um século na Rússia puxou para cima os preços do trigo nos mercados internacionais, o que também contribuiu para a elevação da soja produzida no Brasil, uma vez que ambos servem de alimento para o gado.

"Entre julho e agosto mostraram alta em itens importantes, que puxaram IPCA para cima. O grupo de alimentação e bebidas caiu menos do que vinha caindo em função de produtos específicos", frisou Eulina.

"Há seca aqui e na Rússia, mas num primeiro momento pode ser movimento de especulação. Precisa de mais meses para ter certeza de que efeito vai ser duradouro", acrescentou.

Como exemplo de produtos que sofreram a influência da alta do trigo por conta da seca na Rússia está o pão de forma, que havia caído 0,81% em julho e subiu 2,31% em agosto, enquanto o pão francês passou de uma deflação de 0,38% para uma alta de 1,08% no mesmo período.

Já o óleo de soja havia caído 0,88% em julho e subiu 2,67% em agosto. Fora da alimentação, artigos de vestuário e educação contribuíram para a leve aceleração do IPCA entre julho e agosto, quando o índice passou de 0,01% para 0,04%.

O vestuário saiu de uma deflação de 0,04% para uma alta de 0,17%, enquanto a educação pulou de -0,03% para 0,44%. Para setembro, já há aumentos previstos de 6% para a energia elétrica em Brasília, de 12% para a energia em Belém, e de 4% da taxa de água e esgoto em São Paulo.
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Fonte: Valor Online

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