Um dia, a Casa Civil cai, por ELIANE CANTANHÊDE

Publicado em 16/09/2010 07:08
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 Erenice Guerra era da liderança do PT na Câmara, uma fábrica de dossiês contra Collor, Itamar, FHC, Ibsen Pinheiro (que despontava como presidenciável) -enfim, contra tudo e todos.
Dali, os dossiês vazavam para as redações e para as então temidas CPIs, de boa lembrança. Os autores eram os "puros"; os que caíam na rede eram os "impuros". Com o tempo, autores, vítimas e réus foram se misturando perigosamente.
Não há mais "puros", a população conclui que todos são "impuros".
Da fábrica de dossiês, Erenice pulou para a Secretaria de Segurança Pública do DF no governo Cristovam Buarque (então PT), enquanto usava laranjas para abrir justamente uma empresa privada de investigação, segurança e vigilância. Ou seja: de dossiês.
E não é que ela foi galgando degraus até chegar ao Palácio do Planalto, aboletar-se como secretária-executiva na principal pasta do governo e dali fabricar o dossiê, ops!, o "banco de dados" contra Ruth e Fernando Henrique Cardoso?
Os chefes, Lula e Dilma, devem ter gostado muito dela e dos seus préstimos: depois de uma vida inteira de dossiês, Erenice foi promovida a ministra-chefe da Casa Civil.
Ela, porém, tem chance zero de ser mantida nesse ou em algum outro cargo, porque se esqueceu de uma coisa: quem araponga, arapongado será. Principalmente se tiver rabo preso e uma árvore genealógica enraizada pela máquina pública, de onde caem de maduros filhos, irmãos, afilhados e aparentados, alguns envolvidos com lobby e imiscuindo-se na bandidagem.
Um dia, a Casa (Civil) cai. Não é a primeira e possivelmente não será a última vez, principalmente com esse "projeto político" que José Dirceu anuncia por aí.

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Ao ameaçar largar a entrevista na CNT no meio, sem motivo, Serra mostra que lhe falta algo fundamental a um presidente da República: equilíbrio emocional


Por um fio, por RENATA LO PRETE (Painel da FSP)

Erenice Guerra perdeu ontem o que lhe restava de respaldo na campanha de Dilma Rousseff (PT), sua antecessora na Casa Civil, e no Planalto. O isolamento aumentou com a unânime rejeição ao tom da resposta dada pela ministra às denúncias de tráfico de influência que envolvem sua família. A nota redigida por ela, eivada de ataques a José Serra, nem sequer passou pelo crivo de seus advogados recém-constituídos.
Aliados e integrantes do governo, que tratavam sua demissão como "hipótese remota" temendo o impacto eleitoral de um afastamento, já admitem o contrário, sobretudo ante a iminência de "fatos novos".



Advertência Logo após a divulgação da nota na qual Erenice fala em movimento "em favor de um candidato já derrotado", a ministra foi alertada pelo Planalto de que cometera um "erro". 

Sucessão Miriam Belchior, hoje coordenadora-geral do PAC, lidera a já deflagrada bolsa de apostas para assumir a Casa Civil no caso de afastamento de Erenice. Também são cotados o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais). 

Madrinha Marco Antonio de Oliveira, ex-diretor dos Correios e tio de Vinícius Castro, o ex-assessor da Casa Civil que atuava ao lado de Israel Guerra na empresa Capital Assessoria, se referia a Erenice como "madrinha" quando conversava com seus colegas da estatal. 

Estafa Além dos petardos contra a imprensa, José Dirceu discorreu com desenvoltura na Bahia sobre a saúde de Dilma, tema sensível à campanha do PT: "Nossa candidata estava num momento muito difícil, muito cansada (...) Ela praticamente não foi ao Norte (...) Porque, primeiro, temos mais de 40 anos, segundo que ela passou por um câncer. Ela sente muito isso ainda". 

Contexto A íntegra da palestra realizada anteontem foi disponibilizada no site de "O Globo". Em seu blog, Dirceu disse que suas declarações foram "tiradas de contexto". Em outro post, o petista comenta e endossa a nota divulgada por Erenice Guerra na véspera, cujo conteúdo foi bombardeado no PT e no governo.

Extraterreno De José Eduardo Dutra, presidente do PT, no Twitter, antevendo o clima da visita de Dilma Rousseff a Varginha, no sul de Minas Gerais, ontem cedo: "Ainda não está confirmado, mas há notícias de que até o ET vai votar nela". 

Metrópole A liderança de Dilma nas pesquisas em São Paulo fará o PSDB mobilizar seus expoentes numa operação para tentar reverter o quadro na reta final da campanha. José Serra e Geraldo Alckmin concentrarão suas agendas na capital e na Região Metropolitana. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) promete aderir à maratona. 

Avulso Último "companheiro" de Jarbas Vasconcelos (PMDB) em Pernambuco, Marco Maciel (DEM) fez chegar ao aliado o recado de que vai se descolar da campanha do peemedebista e cuidar da sua tentativa de reeleição ao Senado. Desde julho, o democrata caiu oito pontos no Datafolha, e sua vantagem sobre Armando Monteiro (PTB) está em dois pontos. 

Alvo definido Apesar de o PT ter candidatura própria ao Senado no Amazonas, o presidente Lula gravou depoimento para a campanha de Vanessa Grazziotin (PCdoB), que disputa com Arthur Virgílio (PSDB) a segunda vaga do Estado. 
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELLI

tiroteio

O caso da ministra não é de política, mas de polícia. O candidato Serra e o PSDB nada têm a ver com isso. Ela confunde governo com campanha. 
DO SENADOR SÉRGIO GUERRA (PE), presidente do PSDB, sobre a nota divulgada por Erenice Guerra (Casa Civil) em que a ministra atribui as denúncias contra a ela a uma campanha difamatória de um candidato "aético e já derrotado".
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Fonte: Folha de S. Paulo

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