Falta cadeia no Brasil, por FERNANDO CANZIAN

Publicado em 20/09/2010 14:44
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O Brasil só não vai mais para frente por um único motivo: não há medo de cadeia nesse país.

Quando políticos e agregados roubam e miseráveis votam, é a corrupção e o bolso que mandam.

O que os documentos publicados pela Folha que derrubaram a ex-ministra Erenice Guerra (Casa Civil) revelam é que havia um esquema no coração do governo para achacar empresários querendo obter recursos públicos.

O contrato em questão, negociado entre Israel Guerra e o empresário Rubnei Quícoli, da EDRB, poderia chegar a R$ 9 bilhões.

Jamais chegaria a isso, é certo.

O valor corresponde a um quinto do projeto do trem-bala SP-Rio. Só a propina (segundo o contrato) para o filho da ex-ministra (5%) seria de R$ 450 milhões. É dez vezes a megassena acumulada. É surreal, antes mesmo de ser irreal.

O que impressiona é a desfaçatez, o fato de ainda haver negociatas dessa natureza no Brasil.

A "turma do lobby" do filho de Erenice trabalhava junta na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) no mesmo período em que o país viveu um caos aéreo. Depois, montou o esquema que agora vem à tona.

Alguém vai ser preso?

No governo Lula, agências reguladoras como a Anac foram desmontadas, virando um antro de indicações políticas.

Não é preciso ter imaginação para se pensar no que ocorre longe da Casa Civil, no balcão de negócios em que devem estar se tornando essas agências.

Elas regulam e fiscalizam a nata do setor de infraestrutura no Brasil: energia, transporte, telecomunicações e saneamento, entre outras.

É aí que estará o dinheiro grosso, público e privado, para o Brasil crescer nos próximos anos.

Pior do que a candidata Dilma dizer que não sabia de nada é o presidente Lula atacar o que resta de fiscalização neste pais: a imprensa.

E, diga-se, os jornalistas livres.

Lula, do alto de sua popularidade: "Nós não vamos derrotar só nossos adversários tucanos. Vamos derrotar jornais e revistas que se comportam como partidos políticos e não têm coragem de dizer que têm partidos políticos, que têm candidatos".

Sr. presidente, em quem já votei: apesar de todas as grandes e reconhecidas conquistas sociais e na economia, o sr. se tornou um anão.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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