PT convoca ato contra ‘golpismo da mídia’;

Publicado em 21/09/2010 18:05
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Ato está marcado para ocorrer no Sindicato dos Jornalistas (??!!)


Representantes das principais centrais, alguns sindicatos, partidos governistas e movimentos sociais realizam na quinta-feira, 23, em São Paulo um ato público contra o golpismo midiático. O convite do evento, divulgado pelo PT, acusa a imprensa de castrar o voto popular e deslegitimar as instituições.

Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrado. No comando estão grupos de comunicação que, pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar, já demonstraram seu desapreço pela democracia, diz o texto.

Através de sua assessoria, a CUT confirmou sua participação no ato e indicou que o evento pretende ser a favor da democracia. A central sindical negou que a realização do ato seja uma resposta às denúncias de irregularidades na Casa Civil da Presidência publicadas pela mídia nas últimas semanas.

A mídia está tentando pautar com desinformação, indicou. Os problemas reais do País deixam de ser discutidos e começa uma onda de denuncismo que procura mascarar a realidade às vésperas do processo eleitoral e tenta, de uma forma tendenciosa, criar uma realidade virtual e a partir disso buscar um resultado diferente para as eleições.

O ato vai ocorrer no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, e deve contar com membros do PT, PC do B, PSB, PDT, CUT, CTB, CGTB, MST e UNE.

Força Sindical

O presidente interino da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou ao Radar Político que a entidade não vai estar presente ao ato como instituição. Ele negou que o assunto tenha sido discutido pela direção nacional. Defendemos a liberdade de expressão e de imprensa, disse Torres. Acho que podemos contribuir mais tendo uma participação entre os trabalhadores e a imprensa. Estamos aqui para melhorar esse relacionamento.

Lula ataca tucanos e imprensa durante comício em Minas

Em comício marcado por acusações à imprensa e clima de "já ganhou", o presidente Lula provocou ontem os tucanos, que acusou de estarem com "raiva" diante da possibilidade de derrota.

Segundo Lula, primeiro seus adversários não acreditavam que venceria em 2002; depois, apostaram que seu primeiro governo fracassaria e eles voltariam ao poder em 2006; por fim, acharam que sua segunda gestão não daria certo, o que também não se confirmou. "Deu tão certo que até eles colocam a minha cara no programa deles", ironizou, no ato que teve cerca de 10 mil pessoas no Terreirão de Juiz de Fora.

O presidente lembrou as críticas que recebeu quando resolveu que Dilma Rousseff seria sua candidata à Presidência. "Eles diziam: "Esse Lula é louco. Vai escolher uma mulher? O Brasil não tem o hábito de votar em mulheres. Vai escolher uma pessoa que não tem cultura política?"Algumas pessoas diziam: "O Lula está escolhendo alguém que nunca fez comício"", afirmou, criticando os "especialistas".

Sem mencionar o candidato José Serra, Lula o criticou por prometer um salário mínimo de R$ 600. "E agora na política vale tudo. Eles até prometem mais aumento para o salário mínimo", disse. "Será que eles pensam que o povo é tonto e não sabe que eles governam este país há 200 anos e não fizeram o que estão prometendo agora?"

Imprensa. O presidente voltou a mirar na imprensa. "Essa gente não nos perdoa. Basta que você veja alguns órgãos e jornais do Brasil. Aliás, alguns órgãos e jornais deveriam ter a cor do partido que eles defendem e a cara do candidato que defendem e parar de falar em neutralidade", atacou. "Porque na verdade quem faz oposição neste país é determinado tipo de imprensa. Ah, como inventam coisa contra o Lula. Olha, se eu dependesse deles para ter 80% de aprovação neste país eu tinha zero. Porque 90% das coisas boas deste pais não é mostrado (sic). Nunca disseram que foi um metalúrgico , ajudado por esta gente, e ajudado por vocês, que não teve um diploma universitário, que só tem o quarto ano primário e um curso do Senai, que é o presidente que mais fez universidade na história deste país." 

Serra considera manifestação como "ato fascista"

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, criticou nesta terça-feira, 21, iniciativa das centrais com apoio do PT e dos partidos coligados de protestar contra a imprensa. Eu vejo uma coisa fascista. Esse pessoal quer a liberdade de palavra para a turma deles, disse. 

Como todo pessoal autoritário, tem toda liberdade pra dizer o que quiser quem é cupincha. Quem for independente tem que ser perseguido, continuou. Serra deu as delcarações em coletiva ao deixar um encontro com representantes da classe artística em São Paulo.

O candidato tucano também se adiantou a eventuais críticas ao seu estilo, e admitiu muitas vezes não gostar da maneira como algumas reportagens são conduzidas. Eu mesmo às vezes não gosto de alguma matéria, mas eu defendo que a imprensa seja livre pra dizer as suas coisas, afirmou.

Representantes das principais centrais, alguns sindicatos, partidos governistas e movimentos sociais realizam na quinta-feira, 23, em São Paulo, um ato público contra o golpismo midiático. O convite do evento, divulgado pelo PT, acusa a imprensa de castrar o voto popular e deslegitimar as instituições.

Entidades reagem a ataques de Lula

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcanti, definiu ontem como "um desserviço à Constituição e ao Brasil" as críticas feitas à imprensa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado, durante comício eleitoral de sua candidata, Dilma Rousseff, em Campinas. Além da OAB, várias outras entidades de defesa da liberdade de imprensa se manifestaram contra o discurso feito pelo presidente.

Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters
Formadores. Lula em comício: 'Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos"

Segundo o presidente da OAB, a atitude de Lula "demonstra uma certa intolerância com um princípio constitucional que é vital para o fortalecimento da democracia: a liberdade de expressão". E prosseguiu: "Quando o líder maior da nação se coloca contra a liberdade de imprensa, isso é um desserviço à Constituição e ao Brasil".

Lula havia dito, no comício, que alguns jornais e revistas se comportam como partido político. "Outra vez nós vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político", declarou. Irritado com recentes reportagens a respeito de tráfico de influência e irregularidades praticadas por funcionários ligados à Casa Civil, o presidente foi adiante: "Essa gente (imprensa e tucanos) não me tolera." As reportagens, segundo ele, são intolerância, ódio e mentira. "Existe uma revista que não lembro o nome dela (sic). Ela destila ódio e mentira."

Na avaliação de Lula, "eles não se conformam que o pobre não aceita mais o tal do formador de opinião pública". E definiu: "Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos". Em seu entender, "se o dono do jornal lesse seu jornal ou o dono da revista lesse sua revista, eles ficariam com vergonha do que estão escrevendo."

Para Cavalcante, porém, "a imprensa brasileira vem formulando denúncias a partir de fatos". Trata-se de "denúncias sérias, denúncias que precisam efetivamente de apuração e de um retorno por parte do Estado brasileiro", completou o presidente da OAB. "A democracia livre tem imprensa livre. O governante pode até não gostar das críticas que são feitas, mas cabe a ele - é seu dever constitucional- apurar e conviver com esse tipo de crítica que é algo extremamente normal. Até porque, quando ele (Lula) estava na oposição, também fazia críticas aos governos existentes, e tenho certeza de que as críticas que ele fez, ou que o partido dele fez, naquele momento foram importantes para o fortalecimento da democracia."

Desconhecimento. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), por sua vez, divulgou nota (íntegra abaixo) em que reage também às palavras de Lula. "É lamentável e preocupante que o presidente da República se aproxime do final de seu segundo mandato manifestando desconhecimento em relação ao papel da imprensa nas sociedades democráticas", afirma o texto, ressaltando que esta não é a primeira vez em que Lula faz tal tipo de crítica. Segundo lembra a ANJ, o papel da imprensa "é o de levar à sociedade toda informação, opinião e crítica que contribua para as opções informadas dos cidadãos, mesmo aquelas que desagradem os governantes". O presidente, recorda a nota, "jamais criticou o trabalho jornalístico quando as informações tinham implicações negativas para seus opositores".

O diretor de assuntos legais da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura, considerou "infelizes" as afirmações. "O presidente Lula já demonstrou, por diversas vezes, um apreço pela imprensa, e a gente acredita que essas declarações não reflitam efetivamente o pensamento dele, mas que repercutem o momento conturbado que vive a política e a proximidade do processo eleitoral", afirmou.

Para Machado Moura, no entanto, a frequência com a qual o presidente tem feito as críticas "tem uma carga de preocupação". As entidades representativas da liberdade de imprensa "têm de ficar sempre atentas, porque esta luta pela liberdade de expressão é constante".

ÍNTEGRA DA NOTA DA ANJ


É lamentável e preocupante que o Presidente da República se aproxime do final de seu

segundo mandato...

... manifestando desconhecimento em relação ao papel da imprensa nas sociedades democráticas. Mais uma vez, provavelmente levado pelo calor de um comício, o presidente Lula afirmou neste sábado, em Campinas, que "vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partido político", dizendo, em seguida, ainda referindo-se à imprensa, que "essa gente não me tolera".

É lamentável que o chefe de Estado tenha esquecido suas próprias palavras, pronunciadas no Palácio do Planalto, no dia 3 de maio de 2006, ao assinar a declaração de Chapultepec (um documento hemisférico de compromisso com a liberdade de imprensa). Na ocasião, ele declarou textualmente: "... eu devo à liberdade de imprensa do meu País o fato de termos conseguido, em 20 anos, chegar à Presidência da República do Brasil. Perdi três eleições. Eu duvido que tenha um empresário de imprensa que, em algum momento, tenha me visto fazer uma reclamação ou culpando alguém porque eu perdi as eleições."

O papel da imprensa, convém recordar, é o de levar à sociedade toda informação, opinião e crítica que contribua para as opções informadas dos cidadãos, mesmo aquelas que desagradem os governantes. Convém lembrar também, que ele jamais criticou o trabalho jornalístico quando as informações tinham implicações negativas para seus opositores. 

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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