Serra: déficit em conta corrente em 2011 é 'preocupante'

Publicado em 21/09/2010 18:12
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O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, classificou como "preocupante" a previsão do Banco Central (BC), divulgada hoje, segundo a qual o Brasil deve ter um déficit nas transações correntes de US$ 60 bilhões em 2011. "É um problema e é um obstáculo para o crescimento futuro do País", disse o tucano, após se reunir com artistas na capital paulista. 

"É um problema, sem dúvida, muito, muito grande, que aumenta o endividamento do País. Seja o endividamento direto, por empréstimos, seja aquele que decorre da entrada de dinheiro estrangeiro para a Bolsa, que é basicamente dinheiro especulativo", destacou. 

O candidato disse que vem alertando sobre a questão do déficit na conta corrente há muito tempo. "É um problema não para hoje, mas para amanhã, e a gente tem que pensar no amanhã para manter os bons empregos e criar aqueles que precisam ser criados. E só acontece com a economia crescendo de maneira sustentada", afirmou. 

Serra ainda demonstrou preocupação com o fato da projeção de que o déficit para 2011 será maior que o previsto para este ano pelo BC, de US$ 49 bilhões (2,49% do PIB). No ano passado, o déficit foi de US$ 24,302 bilhões (1,54% do PIB). 

"Aumentar o déficit externo nesse ritmo é sem dúvida uma fragilidade. Chegando ao governo, vou enfrentar essa situação, porque isso enfraquece a economia brasileira. Não se pode deixar essa questão solta", afirmou Serra. 

Serra: foi armado na Casa Civil 'esquema de quadrilha'

O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, disse hoje que as suspeitas de irregularidades na Casa Civil, envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra e familiares, apontam para a existência de um "esquema de quadrilha".

O tucano ironizou declarações da sua principal adversária, a candidata Dilma Rousseff (PT), que disse hoje, em entrevista à Rede Globo, que não pode ser responsabilizada "pelo que faz o filho ou o parente de alguém". "O problema que tem no governo federal não é de filho, é de sistema", afirmou Serra, após se reunir com artistas, na capital paulista.

"Todo mundo tem o direito de se defender, mas não é um problema de ser filho ou de não ser filho, a coisa vai muito mais longe", criticou o candidato, que quis limitar a sua declaração sobre o tema. "Não quero virar cronista diário de cada novidade". Durante seu discurso, o tucano disse que o governo federal "banalizou os escândalos" ao reagir à série de denúncias de corrupção nos últimos oito anos.

Ao falar sobre a sua proposta para os Correios, caso seja eleito, Serra ironizou a recente crise na instituição e disse que irá "estatizar" a empresa. "Os Correios são do governo, mas estão sendo utilizados para fins privados". O candidato disse ainda que o PT implantou um novo tipo de patrimonialismo no Brasil. "O PT é o bolchevismo sem utopia, é o fim em si mesmo", afirmou. "Agora, temos a república sindicalista, que está lá apenas para curtir o poder", provocou. 


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Fonte: O Estado de S. Paulo

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