O multiprofissional do campo

Publicado em 27/09/2010 08:01
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Em uma região caracterizada pelo agronegócio, como o Norte do Paraná, os técnicos agrícolas encontram amplo mercado de trabalho. Ao concluir o curso em um colégio agrícola, o profissional torna-se apto a desenvolver diversas atividades no setor, como a revenda de insumos e implementos agrícolas, assistência técnica e a administração de propriedade.

A profissão de técnico agrícola completa 100 anos em 2010 e, segundo levantamento do Sindicato dos Técnicos Agrícolas de Nível Médio no Estado do Paraná (Sintea-PR), existem atualmente cerca de 200 mil profissionais no País. Estima-se que, deste total, aproximadamente, cinco mil atuem no Paraná.

O técnico agrícola possui diversas habilitações, entre elas as de técnico em agricultura, pecuária, agropecuária, floresta, pesca, enologia (relacionada ao vinho), agroecologia, açúcar e álcool, carnes e derivados, leite e derivados, meteorologia e outros afins. Gilmar Zachi Clavisso, presidente do Sintea-PR, explica que a categoria não possui piso salarial definido por lei, e sim convenções e acordos coletivos de trabalho. No entanto, Gilmar afirma que os técnicos tentam uma readequação. ""Temos um projeto de lei no Congresso Nacional de piso salarial para técnico agrícola no valor base de R$ 1.451"", declara. O valor dos salários pagos aos técnicos agrícolas que trabalham no comércio, em cooperativas, empresas de consultoria, até aqueles que trabalham em órgãos públicos de pesquisa e extensão e no governo do Estado, variam de R$ 1.050 a R$ 1.900.

Para o gerente técnico da Cooperativa Integrada, Irineu Baptista, demonstrar disponibilidade, vontade de trabalhar e de aprender continuamente, são aspectos que o técnico agrícola precisa ter para conquistar um bom emprego. Atualmente, cerca de 20% do quadro de funcionários da cooperativa é composto por esses profissionais. ""Eles atuam no suporte ao engenheiro agrônomo, fazem o atendimento da assistência técnica aos produtores, auxiliam na regulagem de máquinas e acompanhamento de colheita"", relata. Irineu afirma que muitas vezes o agrônomo, por desenvolver também funções burocráticas, não consegue ter uma presença mais constante no campo, e é aí que entra o técnico agrícola. ""É um auxiliar muito importante nesse trabalho de presença da cooperativa junto ao cooperado"", salienta.

Atualização constante

O técnico agrícola Erich dos Reis Duarte atua na região de Bandeirantes, Norte do Estado. Há 12 anos na profissão, ele conta que já trabalhou em uma usina de açúcar e álcool e que atualmente lida com grãos na Integrada. Ao longo dessa trajetória, desempenhou as atividades de medição de área, assistência técnica aos cooperados e acompanhamento de lavoura de grãos.

""Experiência no mercado não é apenas o que diz na carteira de trabalho, é preciso ter cursos de capacitação, como os oferecidos pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), ou por sindicatos rurais"", orienta. Erich segue a risca o próprio conselho: após a formação como técnico agrícola não parou de estudar, já se formou em Administração de Empresas e está concluindo o curso de Direito. ""O técnico agrícola é a base para iniciar a profissão dentro da agropecuária. Mas as empresas procuram profissionais que tenham algo a mais"", avisa.

Josimar Augusto Marchezini é técnico agrícola há 18 anos e garante que o bom profissional tem aceitação garantida no mercado. Josimar é um dos 18 técnicos que compõem o quadro de funcionários da Belagrícola e atua na região de Londrina. ""O técnico agrícola tem uma ótima desenvoltura no campo e consequente boa aceitação no mercado. O fato de não ter o mesmo conhecimento teórico de um agrônomo, às vezes faz falta no dia a dia, mas eu não tenho inveja de nenhum agrônomo"", ressalta. Para Josimar, o bom técnico agrícola precisa, em primeiro lugar, gostar do que faz e, segundo, ter interesse, procurar informações, correr atrás de mais conhecimento e pesquisar sobre o assunto no qual está trabalhando.
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Fonte: Folha de Londrina

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