Vantagem de Dilma sobre a soma dos adversários cai a 2 pontos, diz Datafolha

Publicado em 28/09/2010 07:54
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A seis dias da eleição, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, já não tem mais garantida a vitória em primeiro turno, revela nova pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país.

Segundo o levantamento, Dilma agora perde votos ou oscila negativamente em todos os estratos da população.

Nos últimos cinco dias, Dilma perdeu três pontos percentuais entre os votos válidos que decidirão o pleito. Ela recuou de 54% para 51% _e precisa de 50% mais um voto para ser eleita.

Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Dilma pode ter 49% dos votos válidos. Ou 53%, o que a levaria ao Planalto sem passar por um segundo turno eleitoral.

Ainda considerando os votos válidos, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, apenas oscilou positivamente, de 31% para 32%.

Marina Silva, do PV, também oscilou positivamente dentro da margem de erro. Passou para 16%, ante os 14% que tinha na última pesquisa, realizada entre os dias 21 e 22 de setembro.

Houve queda ou oscilação negativa para a candidata escolhida pelo presidente Lula para sucedê-lo em todos os estratos da população, nos cortes por sexo, região, renda, escolaridade e idade.

Uma das maiores baixas (queda de 5% nas intenções de voto) se deu entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos (entre R$ 1.020,00 e R$ 2.550,00). Cerca de 33% da população brasileira se encaixa nessa faixa de renda.

Dilma vem perdendo votos desde a segunda semana de setembro. Foi quando o escândalo envolvendo tráfico de influência na Casa Civil levou ao pedido de demissão de sua ex-principal assessora, Erenice Guerra.

De lá para cá, o total das inteções de voto em Dilma caiu de 51% para 46%. Já a soma de seus adversários subiu de 39% para 44%.

Considerando somente os votos válidos, a diferença entre Dilma e os demais candidatos despencou de 14 pontos há duas semanas para dois pontos agora.

A pesquisa mostra também que houve forte "desembarque" da candidatura Dilma entre as mulheres (queda de 47% para 42%) e entre os eleitores mais escolarizados, com curso superior.

Na simulação de segundo turno entre Dilma e Serra, a vantagem da petista também caiu. No levantamento anterior, Dilma tinha 55% das intenções de voto. Agora, tem 52%. Serra, que antes tinha 38%, agora tem 39%.

Crescimento lento e contínuo de Marina é combustível para a 

indefinição da eleição


Em 12 dias, a candidata do PT, Dilma Rousseff, perdeu cinco pontos nas intenções de voto e a possibilidade de vitória no primeiro turno na eleição presidencial está agora dentro da margem de erro.

Nesse período, ela caiu de 57% para 51% dos votos válidos. Para a eleição antecipada, são necessários 50% mais um dos votos válidos.

E não foram só a queda de Erenice Guerra na Casa Civil e a revelação de quebra de sigilo fiscal do tucanato que influenciaram o cenário.

O Datafolha mostrou que esses casos atingiram especialmente segmentos da classe média que começavam a enxergar luz própria em Dilma, a despeito das críticas relacionadas ao apadrinhamento de Lula. A petista não conseguiu manter nesses estratos a aura conquistada.

Mudanças que acontecem somente em subconjuntos típicos de classe média são insuficientes para provocar alterações expressivas como as verificadas agora.

O crescimento lento e contínuo da candidata do PV, Marina Silva, em diferentes setores do eleitorado encontrou na queda recente e geograficamente homogênea de Dilma o combustível para a indefinição do processo.

Em pouco mais de 30 dias, Marina cresceu seis pontos entre as mulheres. Na última semana, Dilma perdeu cinco pontos nessa faixa. A mesma tendência se observa entre os que têm nível médio de escolaridade e renda entre 2 e 5 salários mínimos.

Nos segmentos mais fiéis ao presidente Lula, Marina também evoluiu, mas não de maneira tão expressiva.
Entre os que possuem renda familiar de até dois salários mínimos e entre os menos escolarizados, por exemplo, ganhou três pontos.

Se quiser lugar no segundo turno, a candidata deve adequar o discurso para abalar a blindagem lulista à candidatura Dilma nesses estratos mais populares.

É uma tarefa difícil, mas a candidata já demonstrou bom desempenho em debates, e quinta-feira haverá o confronto da TV Globo.

Caso contrário, o maior beneficiado pelo seu crescimento continuará sendo José Serra, que estacionou no patamar dos 28%. O tucano tem de torcer, ainda, para que os eleitores de Marina aprendam o número que devem digitar na urna para votar na candidata do PV, já que 67% deles ainda não sabem.

Suspense, por Valdo Cruz


Chegamos na reta final da campanha sob o signo da indefinição. De grande favorita a vencer no primeiro turno, Dilma Rousseff agora pode enfrentar um segundo round. A pesquisa Datafolha reforça essa possibilidade, mas é impossível cravá-la. Daí que será uma semana de suspense, na qual não há muito o que se inventar dos dois lados. Tucanos e petistas indicam que vão apostar numa linha otimista e deixar de lado acusações nos últimos programas de TV. Dado o espaço reduzido de se criar um fato novo, pelo menos da parte das campanhas, ganha relevância ainda maior o último debate da corrida eleitoral, o da TV Globo na quinta-feira.

Apesar das reiteradas críticas dos tucanos, essa foi uma campanha com muitos debates. Em nenhum deles, porém, um candidato tirou vantagem eleitoral significativa. O modelo de regras rígidas e candidatos sem foco impediram que os embates produzissem fatos eleitorais que causassem impacto no eleitorado.

Desse ponto de vista, talvez, a maior beneficiada tenha sido a candidata petista Dilma Rousseff. Neófita no mundo da política, por ter surgido do laboratório do presidente Lula, ela foi treinando ao longo dos debates promovidos até aqui --Band, Folha/UOL,Folha/Rede TV!, CNBB e Record. Se no primeiro estava visivelmente nervosa, nos seguintes foi se mostrando mais à vontade e familiarizada com o formato.

Ao contrário da previsão tucana, não comprometeu em nenhum dos debates ocorridos até aqui. Não chegou a ser um sucesso, mas até que se saiu bem. Nesse quesito, por sinal, esperava-se mais de Serra. O mais experiente de todos os candidatos poderia ter rendido muito mais. No último, da Record, por sinal, não se saiu bem, enquanto Marina foi a que mais se destacou.

Agora, a grande oportunidade para todos os lados surge com o debate da Globo. Ao contrário dos anteriores, tem potencial para ter impacto na campanha. É o de maior audiência, realizado na reta final da eleição. O evento da TV carioca já influiu em eleições passadas. O caso mais recente foi a decisão de Lula de não comparecer ao debate da emissora no primeiro turno de 2006. Resultado: o pleito foi para o segundo turno.

A princípio, diria que Dilma poderia entrar no palco da Globo com a estratégia de, pelo menos, empatar o jogo. No cenário de alguns dias atrás, é o que bastaria para que ela vencesse. Agora, não se pode mais dizer isso com total segurança. Talvez tenha de entrar no debate com a missão de ganhar pelo menos por uma margem estreita para liquidar a fatura no primeiro turno.

Serra, do seu lado, ganhou fôlego. Corria o risco de entrar na semana derradeira derrotado. Alguns tucanos, inclusive, já davam a eleição como resolvida. Agora, ele pode ter a chance de disputar uma prorrogação. Mais do que nunca terá de mostrar aquilo que seus aliados sempre disseram a seu respeito. Que é muito mais preparado esses embates. A conferir.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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