Produtores preferem a silagem convencional

Publicado em 04/10/2010 07:24
222 exibições
De acordo com a pesquisadora de sistemas de produção animal sustentáveis da Embrapa Semiárido, zootecnista Salete Moraes, a amonização ainda é pouco utilizada nesta região do Nordeste, caracterizada pelo clima quente e escassez de chuva. A insistência nos modelos tradicionais e a falta de costume com outras técnicas são as principais barreiras. Ela aponta a silagem e a fenação - processos de manutenção da umidade e de desidratação, respectivamente - como os meios de armazenamento de alimentação animal mais utilizados.

A preferência ocorre, principalmente, em regiões com exploração pecuária crescente, nas quais a busca por índices zootécnicos melhores e maior rentabilidade econômica e sustentável é constante, tornando a silagem cada vez mais comum na alimentação dos ruminantes. Nesse modelo, a forragem pode ser armazenada de diversas formas: em trincheiras, na superfície ou em silos tipo cincho, uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa Semiárido para pequenos produtores.

O armazenamento é necessário porque a boa qualidade presente nas pastagens no período invernoso não se repete em épocas de escassez de chuva. Assim, para evitar a falta de alimentos volumosos na época de estiagem, estocar o excedente de forragem é a melhor maneira de assegurar a sobrevivência dos rebanhos. Incluir o cultivo de espécies adaptadas como palma forrageira, sorgo, mandioca, além do uso de resíduos agroindustriais e bancos de proteína, são algumas opções.

A fenação é o processo de secagem da planta forrageira verde. A secagem é feita ao sol, espalhando-se a forragem, triturada ou não, por um ou dois dias. Neste processo, a planta perde só água, mantendo praticamente o seu valor como alimento. Atualmente, é possível fenar todo tipo de forrageira, bastando utilizar métodos e equipamentos adequados.

Acerca do processamento realizado na Fazenda Sitiá, a técnica explica: a ensilagem preconiza a compactação de forragem e conserva o material na ausência do ar. A amonização propriamente dita adiciona ureia diluída ao mato seco. Nesse último caso, o material não necessita ser pisoteado antes de receber a vedação para evitar o escapamento da amônia no período da reação com o vegetal. Técnicos da Embrapa podem esclarecer dúvidas e orientar melhor os interessados através do Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semiárido, com sede em Petrolina (PE). O Centro promove o desenvolvimento rural do semiárido brasileiro.

Opinião do Especialista

Especificidades da pecuária no semiárido

Por Salete Moraes - Zootecnista

Na maioria dos sistemas de produção, minimizar custos é vigente, principalmente na alimentação. Representa aproximadamente 70% dos custos totais. No caso de ecossistemas mais delicados como o de regiões semiáridas, onde o grau de dificuldade de produção é maior, minimizar custos e impactos é ainda mais importante. A escolha de alimentos alternativos, adaptados aos sistemas de produção, é um fator de ordem quando pensamos em melhoria dos índices na cadeia de produção animal. A pecuária é uma das principais atividades para os pequenos agricultores familiares do semiárido brasileiro. Assim, é preciso utilizar os pastos respeitando a sua capacidade, suporte e selecionar a melhor alternativa de armazenamento de forragens para garantir o alimento no período seco. Devemos lembrar que alternativas como amonização não substituem os alimentos de valor nutritivo superior e que sempre devem ser levadas em consideração as necessidades de nutrientes dos animais.
Tags:
Fonte: Diário do Nordeste

Nenhum comentário