Serra afirma que Dilma quer 'enrolar' e 'desrespeitar' brasileiros

Publicado em 06/10/2010 19:14
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Em um recado à candidata Dilma Rousseff (PT), o tucano José Serra disse nesta quarta-feira que nunca manifestou posição favorável ao aborto. Ao discursar no ato que reúne a oposição em apoio à sua candidatura, Serra disse que as pessoas que mudam suas posições em temas como o aborto querem "enrolar" e "desrespeitar" os brasileiros --numa crítica à petista que, depois de ter se declarado favorável ao aborto, mudou o discurso durante a campanha.

"Eu nunca disse que o MST me agrada, porque não me agrada. Eu nunca disse que era a favor do aborto porque eu sou contra. Tem amigos que me acham atrasado. Eu tenho minhas razões íntimas, pessoas, de histórias para ter essa convicção. Erra é querer enrolar. Chegou-se ao máximo de estampar em primeira página que o PT ia tirar o aborto do programa. O que não tem direito é uma campanha presidencial enrolar. No fundo é desrespeitar pessoas, os cidadãos. Essa decepção comigo não existirá."

Serra chegou a cometer um ato falho dizendo, primeiro, que era favorável ao aborto. Ao perceber o equívoco, mudou a fala.

Numa mudança de postura em relação ao primeiro turno das eleições, o candidato exaltou ações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em seu discurso no ato que reuniu políticos do DEM, PSDB e PPS. Com críticas ao PT, partido a quem se referiu como "duas caras", Serra defendeu que o Congresso aprove lei que limite a participação do presidente da República em campanhas eleitorais - a exemplo do que vem ocorrendo com o presidente Lula na campanha de Dilma Rousseff (PT) ao Palácio do Planalto.

"Tem certas coisas que não se fazem, são coisas que a gente não faz na vida. Imagine a desigualdade, na linha de massacrar um político que na sua vida só fez defender o interesse do seu Estado e do nosso país", afirmou.

Nas referências a FHC, Serra lembrou a privatização do setor de telecomunicações e a implantação do real. As menções ao ex-presidente são defendidas por grande parte da oposição, depois que Serra praticamente não mencionou o tucano em sua campanha no primeiro turno.

"O real eliminou uma nuvem de poeira quente que sufocava o nosso país e oprimia os pobres. Porque, com inflação, quem sofre são os pobres no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Essa transição levou ao Brasil voltar ao caminho que eu não sei se tinha ido, mas o caminho da dignidade, do decoro na vida pública. O presidente Itamar apoiou a candidatura do Fernando Henrique.

Nas críticas ao PT, o tucano disse que vai responder as provocações "com serenidade". "As falanges do ódio que insistem em dividir a nação, vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdade nós vamos dizer sobre eles. Não queremos o Brasil como a casa da mãe Joana em que governantes fazem o que querem na hora que querem."

MARINA

Num afago público à candidata Marina Silva (PV), Serra disse que ela é uma pessoa "íntegra, que contribuiu muito para a democracia". Sem pedir explicitamente o apoio da candidata do PV, Serra afirmou que Marina permitiu que chegasse ao segundo turno.

"Ela aproximou gente que não gosta de política. Quem não gosta fica à margem e acaba dando espaço para os que não são gente de bem."

Serra quer lei que limite ação do presidente na campanha (Estadão)

Em discurso às lideranças e aliados presentes no encontro nacional do PSDB, convocado para dar largada ao segundo turno da campanha tucana, o candidato à Presidência José Serra fez críticas duras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à sua adversária, Dilma Rousseff (PT), sem no entanto, citar expressamente seus nomes. As críticas foram indiretas: ele afirmou que, se for eleito, não fará ameaças à oposição e defendeu a aprovação de uma lei que regulamente a conduta do presidente da República nas campanhas eleitorais. 

"Com o apoio do Congresso Nacional vamos aprovar um marco para regulamentar a participação dos chefes de Executivo nas campanhas eleitorais", prometeu Serra. Ele citou o exemplo do senador Tasso Jereissati (PSDB) que não conseguiu se reeleger no Ceará. Serra atribuiu a derrota de Tasso a uma disputa desigual imposta pelo presidente Lula, que para a oposição excedeu os limites do cargo ao atuar como cabo eleitoral nessa eleição. 

Num recado claro ao presidente - mas sem mencionar seu nome -, o tucano afirmou que respeitará a oposição em seu eventual governo e fez duras críticas indiretas a Lula, que em Santa Catarina pediu aos eleitores que ajudassem a "extirpar o DEM" da política nacional. "Nunca tratei, não trato e não vou tratar oposição como inimiga da Pátria. Nenhuma força política vai ser dizimada ou ameaçada de liquidação", disse Serra. 

Aborto 

O tucano também aproveitou para alfinetar Dilma, que perdeu milhões de votos ao dar margem a dúvidas sobre suas posições a respeito de determinados assuntos, sensíveis à sociedade civil, como religião e aborto. "O eleitor vai avaliar o que cada um fez, o que pensa e o que fará. E se cada candidato tem duas caras. Eu tenho uma só", concluiu. 

Ele acusou Dilma de mudar de opinião, como na polêmica sobre o aborto. Nesse momento, incorreu em ato falho, dizendo-se, equivocadamente, favorável ao procedimento. 

"Nunca disse que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) me agrada, nunca disse que sou contra o aborto, porque sou a favor. Quero dizer, nunca disse que sou a favor do aborto, porque sempre fui contra", corrigiu-se, imediatamente. "Errado é querer enrolar, diz uma coisa, depois diz o contrário." 

Ex-presidentes 

Num discurso que se estendeu por 40 minutos, Serra fez elogios ao ex-presidente Itamar Franco - eleito senador por Minas Gerais - e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que até então mantinha longe de sua campanha. 

Serra também criticou o estilo de governar do PT que, segundo ele, aparelha a máquina pública, e afirmou que o brasileiro não admite mais esse tipo de conduta dos políticos. Ele atribuiu a esse sentimento de insatisfação a desenvoltura de Marina Silva (PV) nas ruas. Elogiou a dignidade da candidata e atribuiu seu desempenho aos valores que ela defendeu na campanha, como ética, honestidade e lisura. 

"Governantes fazem o que querem, como querem, na hora que querem. As pessoas querem um governo que respeite as instituições, as leis, a liberdade. Não querem um governo de santinhos, mas de gente séria", concluiu.


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Fonte: Folha de S. Paulo e Estadão

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