Promotor denuncia tesoureiro do PT por crime de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Publicado em 19/10/2010 14:38
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O promotor de Justiça José Carlos Blat acaba de anunciar perante a CPI da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo que denunciou criminalmente à Justiça o tesoureiro do PT João Vaccari Neto por supostos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Blat informou aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga fraudes na Cooperativa Habitacional dos Bancários de SP, criada por um núcleo do PT na década de 1990. Ele também requereu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Vaccari. A denúncia do promotor foi protocolada às 10h57 e será analisada pela 5ª Vara Criminal da capital paulista.

Vaccari foi diretor-administrativo da Bancoop e presidiu a cooperativa até março passado, quando afastou-se do cargo para assumir a função de tesoureiro do PT. O promotor investiga o caso Bancoop desde 2007. Na denúncia que apresentou hoje à Justiça, ele aponta negócios escusos da Bancoop, durante a gestão Vaccari neto, inclusive relacionados a campanhas eleitorais.

Blat suspeita que recursos que teriam sido desviados da cooperativa abasteceram campanhas do PT. Segundo ele, a empresa Germany, fornecedora da Bancoop teria movimentado R$ 50 milhões por meio de caixa 2.

A denúncia do promotor tem 81 páginas. Ele informou à CPI que os desvios na Bancoop provocaram rombo de R$ 170 milhões. A base da denúncia é o laudo n 39/2010, produzido pelo laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro, órgão da procuradoria-geral de justiça de São Paulo. Blat classificou a Bancoop como uma verdadeira org criminosa. O promotor juntou à denúncia 60 anexos e documentos, informações bancárias e fiscais.

O rastreamento de 8 mil cheques mostrou, segundo o promotor, movimentações escandalosas, absurdas. Ele citou despesas de um valor de 100 mil em um pagamento de estadias no hotel Grand Hyatt São Paulo em reservas feitas pela direção da cooperativa durante os GP de F-1 de 2004 e 2005. O promotor requisitou à direção do hotel quem se hospedou com recursos da Bancoop.

A investigação mostra ainda repasse de R$ 50 mil da Bancoop para um centro espírita. O Ministério público apura prejuízos que teriam atingidos pelo menos 3 mil cooperados. Além da quebra de sigilo, Blat pediu o bloqueio de bens de Vaccari e outros investigados, entre ex-dirigentes da Bancoop e empresários.

PT prepara ofensiva judicial contra PSDB e Paulo Preto

O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), e o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), preparam uma ofensiva judicial contra o PSDB e o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa do governo paulista, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. 


Ferro e Vaccarezza devem ingressar ainda hoje com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Eleitoral (MPE) em que pedem a abertura de investigação contra o ex-assessor do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Paulo Preto respondia por grandes obras de infraestrutura do governo de São Paulo, como o Rodoanel. Ele foi acusado de desviar R$ 4 milhões em doações para um suposto caixa dois da campanha de Serra, segundo reportagem da revista IstoÉ.

Em entrevista ontem ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o senador eleito por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) rechaçou as acusações, mas confirmou que é amigo pessoal de Paulo Preto. Ele também admitiu que recebeu R$ 300 mil de empréstimo do ex-diretor da Dersa, mas declarou que já o quitou.

A denúncia passou a fazer parte da campanha depois que a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, levantou a polêmica no primeiro debate com seu adversário neste segundo turno, transmitido pela Rede Bandeirantes. O PT passou a explorar a acusação contra o ex-assessor de Serra como estratégia para proteger Dilma das denúncias de corrupção envolvendo sua principal ex-assessora, a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra.

Ao recorrer ao Ministério Público, o PT repete estratégia amplamente utilizada pelos tucanos durante a campanha, em que protocolaram vários pedidos de investigação das denúncias de tráfico de influência na Casa Civil contra Erenice Guerra, veiculadas pela imprensa.

Ainda ontem, a oposição fez nova investida ao Ministério Público: decidiu pedir a investigação das recentes denúncias que têm como alvo Valter Luiz Cardeal, presidente do Conselho de Administração da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), ligado politicamente a Dilma. Reportagem da revista Época afirma que uma empresa subordinada à Eletrobras teria sido usada para concessão de garantias de empréstimo externo para empresa privada de forma fraudulenta.

Paulo Preto vai ao TSE contra programa do PT

O ex-diretor de engenharia da Dersa Paulo Vieira de Souza pedirá hoje ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) direito de resposta por conta do programa eleitoral veiculado ontem pela candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.

No filme, o engenheiro voltou a ser acusado de captar ilegalmente e fugir com R$ 4 milhões destinados à campanha do presidenciável tucano, José Serra.

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"Esta será apenas a primeira de uma série de medidas que tomaremos em defesa do meu cliente. Sempre que sua honra e reputação forem atingidas, não pensaremos duas vezes antes para agir", diz José Luiz Oliveira Lima, advogado de Souza.

Advogado da campanha de Dilma, Márcio Silva disse que todas as informações divulgadas nos programas e utilizadas nos debates são de conhecimento público e já divulgadas pela imprensa.

Dilma também será alvo de queixa-crime, sob acusação de ter caluniado e difamado Souza com as afirmações que fez contra ele nos debates da TV Bandeirantes e Folha/Rede TV!.

Segundo Oliveira Lima, também serão alvo de queixa-crime de Souza ainda nesta semana o deputado estadual petista Antonio Mentor, e as revistas "IstoÉ" e "Carta Capital", que publicaram reportagens sobre o caso.

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Fonte: O Estado de S. Paulo

1 comentário

  • Marcio Viana Saraiva Paranaguá - PR

    José Carlos Blat já respondeu processo no Ministério Público de São Paulo, sob a acusação de tentativa de se livrar de multas do Detran e de tentar beneficiar pessoas investigadas pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (GAECO), Ele entrou no GAECO em 1998. A investigação pela tentativa de livrar-se das multas e o fato de um carro oficial do GAECO ter sido apreendido fora de São Paulo/capital, com um criminoso dirigindo o carro provocou o afastamento de José Carlos Blat do GAECO em 2004. Surgiram também suspeitas de que ele estaria envolvido em operações de desmanche de carros roubados. Foi ainda acusado de proteção ao contrabandista Law Kin Chong, ao participar de uma força-tarefa antipirataria Blat mora num apartamento pertencente a Alfredo Parisi, condenado por bancar o jogo do bicho. Pesam sobre Blat ainda outras suspeitas. O então procurador-geral de Justiça, Sr.Rodrigo Pinho, ao invés de iniciar um processo de quebra de sigilo visando esclarecer estas e outras suspeitas sobre Blat, mandou arquivar tudo, oque causou indignação no procurador de Justiça Antonio Ferreira Pinto (que atuou nas investigações sobre Blat). Rodrigo Pinho, atualmente ex-procurador-geral ,foi condenado a pagar indenização de setenta mil reais ao seu colega e ex-corregedor geral do Ministério Público, Carlos Henrique Mund. Para Magano ( juiz José Paulo Camargo Magano que sentenciou o ex-procurador), Rodrigo Pinho descumpriu “frontal e arbitrariamente” a Lei Orgânica do Ministério Público. “O réu [Pinho] agiu de maneira indefensável”. Em 2007, Pinho foi alvo de uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público, por promotores que questionavam a independência do Ministério Público em relação ao governo do então governador José Serra (o Serra, candidato a presidente pelo PSDB)
    Essas colocações têm o objetivo de se analisar a denúncia feita por Blat, às vésperas da eleição do segundo turno para presidência da república (cabe ainda uma última observação:Blat, há pouco tempo se declarou desiludido com o Ministério Público e com vontade de se candidatar a deputado federal)

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