Campeonato de "bolinha de papel", por ELIANE CANTANHÊDE

Publicado em 22/10/2010 07:06
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Lula está sendo capaz de querer "exterminar" competidores e de atingir a própria credibilidade jogando sujo com uma "bolinha de papel".

 O país está praticamente dividido ao meio desde o início do segundo turno, mas os vermelhos estão aumentando, os azuis vão perdendo o fôlego e os verdes continuam sendo o diferencial.
Dilma Rousseff disputa um campeonato de times, como se fosse de vôlei, basquete, futebol. Transformou "o nosso governo" e "o presidente Lula" no seu partido (ou time) e investe no "nós contra vocês". Compara governos e épocas.
José Serra está numa competição do tipo tênis, nado livre ou salto em altura. Refere-se a um sonhado "governo de união nacional" com "todas as forças políticas" e faz campanha na base do "eu contra você". Confronta biografias e feitos.
O peso de Marina Silva no primeiro turno reflete-se agora na força do seu eleitorado, que veste a camisa verde, apesar de não ser necessariamente "verde". E foi aí que Dilma ganhou e Serra perdeu impulso segundo o Datafolha de hoje. Dilma cresceu oito pontos no espólio de Marina, indo de 23% a 31%, enquanto Serra diminuiu cinco pontos, de 51% para 46%. Mais uma vez, o atleta Serra colheu apoios no varejo -Gabeira no Rio e Feldman em São Paulo- enquanto o time de Dilma foi no atacado: a bancada do PV.
Na reta final, Dilma e Serra se concentram no Sul e no Sudeste, com seus imensos eleitorados, julgando ambos que o eleitorado do Norte e Nordeste está cristalizado a favor de Dilma. Ela não teria muito mais a fazer. Ele acha que não tem nem teria como romper a barreira. Mas foi justamente aí e no Centro-Oeste que a petista continuou crescendo e conquistou apoios que inflaram a diferença de 8 para 12 pontos nos votos válidos.
Serra tem programa de TV bem avaliado e foi considerado melhor no último debate. O que mais poderia fazer? Seu problema é menos a adversária e mais o time e a técnica de Lula, capaz de querer "exterminar" competidores e de atingir a própria credibilidade jogando sujo com uma "bolinha de papel".

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Fonte: Folha de S. Paulo

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