Aborto tem que ser discutido na eleição, diz CNBB

Publicado em 22/10/2010 07:17
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O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, disse ontem que a questão do aborto não pode ficar fora de campanhas eleitorais. O religioso se referia a críticas de setores da sociedade que alegam que o assunto contaminou a disputa presidencial.
"Não se podia entrar num processo eleitoral sem trazer à tona temas dessa natureza, que são de máxima relevância", disse dom Geraldo, depois de apresentar material da nova Campanha da Fraternidade.
O arcebispo de Mariana (MG) defendeu também o direito de a igreja se manifestar sobre o tema.
"Numa sociedade democrática, o que não se pode fazer é querer silenciar a igreja como se ela não pudesse manifestar a sua posição", argumentou.
"A igreja, com o peso e o volume que tem, quando fala é acusada de se intrometer em um âmbito [fora] de sua competência? Esse argumento é falso", criticou.
Segundo o religioso, a igreja, com isso, não está tentando impor seus dogmas. "Estado laico não é sinônimo de Estado ateu ou antirreligioso."
O aborto virou um dos principais temas da campanha presidencial. Estrategistas da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) avaliam que a petista não venceu no primeiro turno, entre outros motivos, devido à controvérsia sobre a posição dela sobre o tema.
Em 2007, ela se declarou a favor da descriminalização. Agora diz ser pessoalmente contra.
Segundo d. Geraldo, a igreja não saiu "dividida" do debate sobre o aborto, apesar de bispos de diversas dioceses terem defendido diferentes candidatos.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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