Idolatria por Lula e militância paga motivam petistas

Publicado em 25/10/2010 12:16
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"Muita gente vai votar nela para ele voltar depois. A verdade é que o povo já tá com saudade dele", disse na manhã de sábado a funcionária pública Cida Aguiar, 34, minutos antes de o helicóptero petista pousar em Carapicuíba (Grande São Paulo).

Ele é Lula, o primeiro operário a governar o país, a pouco mais de dois meses de passar a faixa presidencial. Ela é Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, que lidera as pesquisas para a eleição deste domingo.

O clima de despedida do presidente deu o tom emocional do último fim de semana da campanha petista, quando ele comandou carreatas por áreas pobres ao lado de sua candidata.

O desejo de ver e ser visto por Lula fez eleitores encherem calçadas, escalarem muros e se espremerem em janelas em Diadema e Carapicuíba, na grande São Paulo (sábado), e nos bairros de Bangu e Realengo, na zona oeste do Rio (domingo).

Nos dois dias, repetiram-se cenas de choro e de beijos dirigidos ao presidente. Ele retribuiu na mesma moeda, mandando o motorista parar o carro aberto para distribuir abraços e cutucando Dilma quando ela se distraía e não correspondia a um aceno.

"Vou votar nela porque estou satisfeita com o governo dele", resumiu a dona de casa Maria de Fátima Carvalho, 53, após a carreata de ontem no subúrbio carioca. "A gente tem que pensar positivo e ter esperança de que ela vai continuar."

A poucos quilômetros de Campo Grande, onde o candidato José Serra (PSDB) foi hostilizado por petistas na semana passada, não havia sinais de tensão eleitoral.

Pelo contrário: sem adversários por perto, o episódio foi transformado em piada pela minoria de militantes mais engajados, com ligação a sindicatos ou ao PT.

Um deles, que não quis se identificar, circulava com camiseta do partido e uma bolinha de papel amarrada ao cabelo, endossando a versão de Lula de que o tucano teria encenado a agressão. (Serra diz ter sido atingido por um rolo de adesivos atirado 15 minutos depois da bolinha).

De chapéu e tênis vermelhos, o bancário Roberto Rossi, 52, ria da invenção do colega. "Aquilo não fez nada a ele. Se ainda fosse uma latinha de cerveja, né?"

O caso que inflamou o conflito entre PT e PSDB animava um grupo de 20 jovens militantes na tarde de sexta-feira, em ato da campanha petista em Belo Horizonte.

Depois de improvisar uma coreografia do "Dilmalation", inspirada no rebolation baiano, a turma explodiu num coro debochado contra o tucano: "Ô José Serra, mas que caô/ A bolinha de papel não machucou".

A empolgação dos estudantes quebrou a monotonia do único evento sem Lula dos últimos três dias: um encontro de Dilma com políticos mineiros, no Iate Clube.

Na ausência do presidente, a campanha precisou recorrer a militantes pagos ou de movimentos sociais amigos para encher o salão de festas onde a candidata discursou. A maior claque, de cerca de 30 pessoas, segurava bandeiras do PR.

CADÊ O BUFÊ

"Disseram que ia ter bufê, mas não teve. Era mentira", reclamava a desempregada Luciana Rodrigues, 35, à espera do ônibus para voltar à periferia de BH.

Com a sigla na camiseta, ela não sabia nomear um político do partido, que pagou R$ 450 por 15 dias de "militância". Disse ser fã do senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu a chapa tucana para Serra. "Se fosse ele não tinha para ninguém aqui. Mas agora sou Dilma", explicou-se.

Entre os jovens do coro, o discurso era de dedicação voluntária ao PT. "A gente milita em busca de um ideal. O pessoal do Serra só fica na rua até as 16h, quando acaba o horário deles", provocava o estudante Yuri Terra, 24, bolsista do ProUni.

Em Carapicuíba, onde outra claque do PR recebia R$ 600 pelo mesmos 15 dias, um grupo de dez mulheres petistas dizia madrugar na busca de votos em porta de fábrica.

Encostada ao palanque, a cadeirante Aparecida Antenuzi, 39, assistiu ao comício aos prantos e jurou fidelidade ao presidente. "Ele é diferente dos outros políticos porque sabe o que é passar fome", disse ela, vítima de paralisia infantil aos 3 anos.

Quando a reportagem lembrou que a candidata era Dilma, afirmou: "Eu confio nela, espero que ela possa seguir as coisas que o Lula fez. Mas igual a ele, tenho certeza que nunca vai ter".

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Fonte: Folha de S. Paulo

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