O ibope do debate da Globo

Publicado em 30/10/2010 16:39
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O debate final da Globo entre Dilma Rousseff e José Serra, que terminou agora há pouco, registrou 25 pontos de audiência na Grande São Paulo, segundo números prévios do Ibope. A segunda colocada no horário, a Record, alcançou treze pontos.

É o maior ibope desta temporada de debates eleitorais. Superou os 23 pontos que o debate também da Globo, mas no primeiro turno, conseguiu.

Por Lauro Jardim

Na reta final da campanha, recrudesceu a guerra entre os núcleos de internet dos comitês de José Serra e Dilma Rousseff. Os tucanos comemoraram hoje o bloqueio de uma das contas usadas no Twitter pela campanha de Dilma para impulsionar a reprodução de mensagens e fazer com que elas fossem incluídas entre os assuntos mais comentados entre os usuários do microblog.

Segundo o PSDB, o comitê de Dilma estava usando perfis falsos e robôs para aumentar artificialmente a popularidade da candidatura governista na internet. Para os petistas, no entanto, a medida resulta de uma ação conjunta de tucanos, pois uma conta é suspensa automaticamente quando muitos usuários a classificam como spam (lixo). Após apresentar pedidos formais ao Twitter, os petistas conseguiram recuperar a conta.

Por Lauro Jardim

A dois dias da eleição, o último debate da campanha presidencial de 2010 permaneceu morno. Ainda assim, segundo os cientistas políticos Leôncio Leôncio Martins Rodrigues, professor titular aposentado da USP e da Unicamp, e Sérgio Praça, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, o candidato José Serra teve desempenho ligeiramente superior ao de Dilma Rousseff. Ambos citaram uma maior articulação do tucano nas suas falas, mas também apontaram que a petista não escorregou nas suas respostas. Como o debate não propiciou o confronto direto entre os candidatos, que respondiam apenas às perguntas de eleitores indecisos, não houve espaço para um acirramento dos discursos, afirmam os analistas.

Leôncio e Praça salientam a dificuldade de se medir o impacto dos debates na decisão do voto do eleitor, elemento que permanece  como ponto de discussão na ciência política. Ambos os analistas avaliaram, porém, que o debate desta noite não deve influenciar muito nas intenções de voto do eleitorado brasileiro.

Os cientistas políticos argumentam ainda que a complexidade da discussão da gestão do Estado numa sociedade de massas dificulta o aprofundamento e esclarecimento do modo como os candidatos pretendem operacionalizar suas propostas. Segundo o professor Leôncio, não tem mais o debate ideológico. Este sumiu completamente. Não são duas estratégias de desenvolvimento que se opõem. O pesquisador Sérgio Praça apontou dificuldade também na verificação dos dados citados pelos candidatos ao longo do debate, o que poderia ser resolvido com a presença de um jornaista que checasse online os números levantados pelos políticos.

Leia abaixo os principais momentos do debate comentado:

23h57  Ao fim do debate, os cientistas políticos Leôncio e Praça concordam que foi um debate morno. Praça salienta como traço positivo o fato de não ter havido agressividade e calúnias e do debate ter sido centrado nas perguntas de temas propostos por eleitores.  Leôncio e Praça concordam ainda que Serra teve ligeira vantagem. É difícil numa situação de política de massas você tomar uma posição mais clara e arriscar perder grande conjunto de votos. argumenta Leôncio. Ao fim, os cientistas políticos afirmam que ambos os candidatos não escorregaram durante todo o debate.

23h52  Os candidatos fazem suas considerações finais, após um debate que teve um formato produtivo, segundo os cientistas políticos.

23h46  Praça comenta que não é verdade o que Serra afirma, que o governo diminuíu os investimentos. E prossegue na análise: Isso só confirma a posição esquisita em que ele está nesta campanha: ser oposição e elogiar o governo ao mesmo tempo. Praça lembra que Serra viveu a mesma dificuldade em 2002, pois ele não podia criticar demais o governo de FHC, do seu partido, mas também tinha que apresentar propostas novas de melhoria.

23h43 - Os candidatos operam numa área de generalidades, diz o professor Leôncio. Sobre a questão dos impostos, Leôncio diz que é preciso marcar o preço do imposto ao lado do preço do produto no mercado, como é praxe nos Estaos Unidos.

23h38  O pesquisador Praça salienta que, como o governo Lula foi eminentemente melhor para os pobres do que para a classe média, Dilma evita responder diretamente à questão sobre a classe média. O Prouni não ajuda diretamente a classe média, pelo menos não no exemplo que ela citou, afirma Praça. Ele acrescenta ainda que Serra erra ao afirmar que o imposto aumentou no governo: O que aumentou foi a arrecadação. Ele sabe disso, mas fala só para confundir.

23h35  Após confusão no debate com o tempo de resposta, que foi encurtado por falha do relógio, Praça avalia que Dilma teve jogo de cintura e certo bom humor, o que é fundamental num debate. Na réplica de Serra, Praça aponta que o tucano tem dificuldade quando o assunto chega nas melhorias sociais e do nível de renda, grande trunfo do governo Lula. Ele tem que falar de assuntos como Saúde, para evitar dizer que a vida das pessoas melhorou.

23h31 - Leôncio aponta que Serra introduziu elemento novo em sua fala: o atrelamento do Bolsa Família com o programa de Bolsa Saúde.

23h25 - Na resposta de Dilma sobre ambiente, o professor Leôncio avalia que a candidata se saiu bem, apesar de continuar fazendo promessas. Na réplica de Serra, que menciona o povo do Acre e do Pará, Leôncio observa: Ele está mirando o eleitorado nortista. E ainda acrescenta, Serra tem a vantagem de mostrar como operacionalizar as propostas.

23h19  Praça volta a falar sobre a necessidade de haver alguém checando os dados citados pelos candidatos no debate, ao vivo, online. A gente nunca sabe se eles estão usando dados verdadeiros, diz. Leôncio concorda e diz que o problema tem origem na complexidade da gestão do Estado que tem crescido cada vez mais. Não tem mais o debate ideológico. Este sumiu completamente. Não são duas estratégias de desenvolvimento que se opõem. Com isso a escolha dos candidatos pelo eleitor se dá muito mais por fatores de identidade, subjetivos, afirma. A escolha eleitoral permanece como grande mistério da ciência política, afirma Praça. Ao que Leôncio acrescenta: Temos algumas hipóteses de como se dá esse processo [de escolha eleitoral], mas não sabemos ao certo.

23h16  Até o momento, com o fim do terceiro bloco, Praça e Leôncio concordam que Serra teve melhor desempenho. Especialmente nas últimas três perguntas ele mostrou mais conteúdo, afirma Praça. Leôncio pondera, contudo, que o melhor desempenho do tucano não é gritante. Não dá para dizer que ele não foi tão melhor assim até aqui.

23h13 - Leôncio ressalta que Dilma sempre argumenta formulando uma pergunta e respondendo a ela. O Lula faz muito isso, afirma. Na sua avaliação nem sempre isso é positivo na sua oratória. Praça comenta que a candidata petista tem dificuldade em respeitar o tempo de resposta.

23h11 -  O professor Leôncio elogia a diversidade dos temas das perguntas e boa mescla de eleitores de diversas regiões do País.

23h08 - Na questão sobre a desoneração da folha salarial, Leôncio vê um melhor desempenho de Serra, que conseguiu acertar o tom, sem ser muito técnico. Praça observa que os dois tiveram uma boa resposta. Ele volta afirmar, porém, que a candidata petista leva vantagem ao citar realizações concretas que estão muito forte na cabeça do povo, e na história recente do País, como  incentivo ao consumo pela redução de impostos como o IPI.

23h01  Ambos os cientistas políticos concordam que Serra teve bom desempnho na resposta sobre Educação, especialmente na tréplica a Dilma. No entanto, a proposta de Serra de um pacto supranacional para a Educação é algo muito vago, segundo oPraça.

22h58 - Praça e Leôncio concordam que no tema da educação, Serra não reafirma as inovações que protagonizou à frente do governo do Estado da área. Para Praça, Dilma aproveita melhor o potencial das realizações do governo Lula ao abordar os temas do debate. 

22h53 - Eu adoraria que tivesse um jornalista no palco perguntando mais os candidatos, afirma Praça. E acrescenta, seria interessante ter alguém checando ao vivo os números todos que eles falam. São dados públicos de fácil acesso. Mas quando eles falam ali na TV não se sabe se é verdade ou não.

22h50 - No início do segundo bloco, Praça repara que Dilma citou novamente o Minha Casa, Minha Vida. Leôncio critica as promessas da candidata: Ela diz sempre eu vou fazer, eu vou fazer, mas não explica como. E comenta ainda: esse debate é engraçado, o que não está respondendo ficanado zanzando no palco e não tem onde se enfiar.

22h45  Termina o primeiro bloco. O prefessor Leôncio lamenta que não tenha sido discutido o problema da burcocratização do Estado. Eles não querem falar sobre isso, porque perde voto. Há muito desperdício, afirma.  praça concorda que neste debate, como em toda a campanha, falta explicar como se vai operacionalizar o que se propõe como prioridade.

22h42  Os dois cientistas políticos concordam que os candidatos estão evitando adotar postura mais agressiva. Ambos estão preferindo um tom professoral, afirma Leôncio. Praça lembra que ao falar sobre corrupção, Dilma não lembrou o caso de Paulo Preto. Na sua avaliação, isso se deve a uma estratégia da candidata. Ela não ia ganhar nada atacando neste momento.

22h37 - O professor Leôncio vê um certo nervosismo na evolução da fala de Dilma na resposta sobre a segurança. Ela tem dificuldade em terminar as frases. Ele reclama novamente da série de lugares-comuns ditos pelos candidatos. É repetitivo, e as falas dos dois candidatos são previsíveis, comenta Leôncio. Todo mundo sabia, por exemplo, que ele ia falar sobre o Ministério da Segurança ao responder sobre o tema segurança, prossegue. Praça afirma estar surpreso com o bom nível do debate: Esperava algo muito pior.

22h35  Leônciorepara que Serra, ao comentar a corrupção, apesar de mostrar um tom incisvo na sua fala não teve coragem de citar o nome do presidente Lula.

22h33  Em resposta à pergunta do eleitor sobre corrupção, Praça repara que Serra falou três vezes que o exemplo tem que vir de cima. Leôncio lembra que o presidente não tem poder de punição em casos de corrupção, função que cabe ao Judiciário.

22h30 - Ambos os cientistas políticos concordam que falta a Dilma e Serra maior poder de persuasão e carisma coisa que, na avaliação de Leôncio e Praça, Lula tem de sobra. Praça comenta que o formato dos eleitores lerem a pergunta prejudica a liberdade do debate: devia ser só o tema sugerido e a pergunta livre.

22h26  Leôncio critica o que chama de uma avalanche de lugares-comum. A oratória desapareceu. Não é um discurso político, parecem dois técnicos conversando, afirma. Praça concorda e cita passagem no discurso de Serra: Ele falou em insumo. Quem sabe o que é insumo?. Na sua avaliação no entanto, a petista tem uma vantagem na comunicação: A vantagem da Dilma é poder falar de coisas concretas do governo. Ela tem um arsenal de siglas, de programas bem conhecidos do povo, como Minha casa, minha vida, Luz para todos, etc.

22h21 - Acho esse tipo de exposição é bom para o Serra, e ele não precisa falar mais alto e buscar a atenção, afirma Leôncio sobre o formato do debate. Mas nenhum dos dois falou do problema da burocracia estatal, prossegue Leôncio. Para Praça, é um absurdo Serra ter falado em aposentadoria integral para todo funcionalismo público. 67% do orçamento público é destinado a manter as coisas como estão. Ele como economista sabe que isso não é viável.

22h19 Dilma está errada, assim como a eleitora que perguntou: o funcionalismo público recebe muito bem no Brasil, afirma Sérgio Praça. Apesar disso, Praça vê boa articulação de Dilma no seu comentário à resposta de Serra.   

22h16  Os candidatos respondem às questões em pé e podem circular pelo palco da Rede Globo. Para Praça, isso é positivo: Deixa o debate mais solto.

22h13 - Serra tem menos a perder, afirma Praça, argumentando que ele deve tomar uma postura mais agressiva. Para Leôncio, o candidato deve manter um pouco mais de cautela nesse último embate da campanha de 2010.

22h07 - Analisando o processo eleitoral atual, o professor Leôncio lembra a evolução da política no Brasil, desde os anos 50. De Jânio até Lula, Praça e Leôncio concordam que há um adensamento da massificação da política. A eleição vai ficando muito cara, e o dinheiro passa a contar mais do que nunca, diz Leôncio.

21h48 - A maioria das pessoas vai dormir. E muitos que veem não vão mudar de opinião. Acho muito difícil que alguém mude com o debate, afirma Leôncio. Para Praça, os debates servem par confirmar argumentos e opinião. O debate deve começar às 22h15, na Rede Globo.

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Fonte: Veja e Estadão

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