Inflação oficial é a maior para outubro em oito anos, diz IBGE

Publicado em 09/11/2010 15:57
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Pressionado por alimentos, o IPCA avançou 0,75% no mês passado, superando a alta de 0,45% em setembro

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,75% em outubro, a maior apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para meses de outubro, desde 2002 (1,31%), segundo destacou a coordenadora de índices de preços do instituto, Eulina Nunes dos Santos. Em setembro, o índice subiu 0,45%. Ela sublinhou também que a taxa acumulada de janeiro a outubro, de 4,38%, já supera a inflação de todo o ano passado, quando chegou, de janeiro a dezembro, a 4,31%.

O indicador ficou no teto do intervalo das estimativas dos analistas. O resultado do mês passado também é o maior nível desde fevereiro deste ano, quando havia atingido 0,78%. Até o mês passado, o IPCA acumula alta de 5,20% nos últimos 12 meses.

Apesar da forte pressão dos alimentos e também de serviços como colégios (6,64%, a maior contribuição de alta para a inflação no ano), empregado doméstico (9,55%), condomínio (5,08%) e conserto de automóvel (5,71%), Eulina destaca itens que, por outro lado, tiveram contribuição para conter a alta do IPCA em 2010. Alguns deles têm o preço vinculado ao dólar, como é o caso de artigos de limpeza (1,09% de janeiro a outubro) e artigos de higiene pessoal (2,04%), além de combustíveis (0,35%), automóveis novos (-0,95%) e automóveis usados (-1,56%). Segundo destacou Eulina, apenas 26 itens pesquisados são responsáveis por quase 80% do IPCA acumulado em 2010.

Alimentos

O grupo dos produtos alimentícios registrou variação positiva de 1,89% em outubro, ante alta de 1,08% em setembro, contribuindo com 0,43 ponto porcentual, ou 57%, do IPCA do mês passado, que subiu 0,75%. Foi a maior variação mensal apurada pelo IBGE nesse grupo desde junho de 2008, quando chegou a 2,11%.

Os principais impactos de alta, em outubro, foram dados pelo feijão carioca (31,42%) e as carnes (3,48%). Esse último item deu a maior contribuição individual (0,08 ponto porcentual) para o IPCA de outubro.

Não alimentícios

Os produtos não alimentícios registraram alta de 0,41% em outubro, ante 0,27% em setembro, segundo o IBGE. A principal pressão sobre esse grupo de produtos no mês passado ficou com os combustíveis, cuja variação chegou a 1,56%, contribuindo com 0,07 ponto porcentual na taxa mensal do IPCA (+0,75%). O litro do etanol teve reajuste de 7,41%, pressionando também o preço da gasolina (1,13%).

Houve alta também em itens como empregados domésticos (1,21%), aluguel (0,83%), condomínio (0,63%) e taxa de água e esgoto (0,48%), enquanto o grupo de vestuário aumentou 0,89%.

Baixa renda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, ficou em 0,92% em outubro, ante 0,54% em setembro, segundo o IBGE. No ano, o INPC acumula alta de 4,75% e em 12 meses, de 5,39%.

O INPC se refere às famílias com rendimento de um a seis salários mínimos, enquanto o IPCA abrange famílias com renda de um a 40 salários mínimos.

Alimentos já subiram 6,59% no ano e determinarão IPCA de novembro

Segundo o IBGE, os produtos alimentícios estão tendo um impacto direto no indicador neste ano


Os alimentos vão, mais uma vez, determinar os resultados do IPCA de novembro, segundo avalia a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Ela destacou que, com alta acumulada de 6,59% de janeiro a outubro, responsável por 1,48 ponto porcentual do IPCA do período (4,38%), os produtos alimentícios estão tendo um impacto direto no índice em 2010.

As pressões já conhecidas para a taxa de novembro, segundo Eulina, são os reajustes de energia elétrica no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, além de reajustes de ônibus urbanos no Rio e de telefone fixo (cerca de 0,5%) em todas as regiões pesquisadas.

No caso dos alimentos, ela lembrou que não é possível antecipar se o movimento desse grupo, até o final deste ano, será de aceleração ou redução no ritmo de reajustes. Até outubro, a taxa acumulada dos alimentos supera de longe a variação registrada de janeiro a outubro do ano passado (2,33%). Especificamente em outubro, a alta de 1,89% nesse grupo de produtos é não apenas a maior apurada mensalmente pelo IBGE desde junho de 2008 (2,11%), como é a maior taxa para meses de outubro divulgada desde outubro de 2002 (2,79%).

Segundo Eulina, os reajustes nos alimentos estão sendo influenciados, sobretudo, pelo aumento nos preços das commodities em escala internacional, por causa da redução de oferta de alguns produtos, devido a problemas climáticos registrados em alguns países produtores. Como exemplo, ela cita o caso do trigo, cujos preços estão impulsionados pela quebra de safra na Rússia.

No caso do feijão carioca, ela aponta uma redução de área plantada no Brasil, por causa de desestímulo dos produtores com preços deprimidos no ano passado, além da seca em algumas regiões onde há cultivo desse produto. No que diz respeito às carnes, ela cita a conjunção entre aumento da demanda externa e interna, além da entressafra e problemas no clima. "Este ano, o perfil da inflação acompanha de perto a trajetória dos alimentos", afirmou.

Entre os principais impactos de alta na inflação acumulada em 2010, figuram alimentos como o feijão carioca (109,78%), leite pasteurizado (15,21%) e pão francês (6,75%).

Para juro real de 2%, temos de reduzir a meta de inflação, diz Bernardo

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ser possível reduzir a meta de inflação ainda no governo Dilma e que esse movimento é importante dentro do objetivo de reduzir o juro real da economia brasileira para cerca de 2%. "Se quisermos ter juro real de 2%, é bom reduzir a meta", disse Bernardo. 

Indagado sobre se essa redução já poderia ocorrer para a meta de 2012 - estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional em 4,5% - o ministro tergiversou e disse apenas que "a redução da meta é coisa a ser considerada", mas não se comprometeu com prazo. Segundo Bernardo, a discussão sobre meta é "para adiante"



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Fonte: O Estado de S. Paulo

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