Conab venderá estoque para combater inflação

Publicado em 11/11/2010 07:10 e atualizado em 11/11/2010 09:40
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Alarmado com a escalada inflacionária de alguns alimentos, o governo decidiu fazer amplos leilões de venda direta dos estoques públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A prioridade é conter os preços do milho, matéria-prima essencial para a produção de carnes, e do feijão, produto cuja disparada nas cotações tem assustado consumidores em plena entressafra.

O governo prepara um leilão de 300 mil toneladas de milho em venda direta para os próximos dias. Em seguida, fará pregões de até 1 milhão de toneladas na modalidade "VEP" - um subsídio ao frete pago ao consumidor do produto (frigoríficos, granjas, esmagadoras). Para o feijão, a Conab fará leilões até dezembro, quando começa a entrar no mercado a "safra das águas" da leguminosa. Hoje, a estatal leiloará 30 toneladas de feijão em vários Estados.

Na terça-feira, uma portaria foi assinada pelos ministros da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento para acelerar a venda dos estoques. "A ordem é conter a alta de preços usando os estoques", diz o diretor da Conab, Sílvio Porto. "Há muita demanda e a oferta está apertada".

Somados à redução da oferta e ao aumento da demanda nos Estados Unidos, o atraso no plantio da safra brasileira e a expansão do consumo, sobretudo na China, elevaram em 40% as cotações internacionais do milho neste ano. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou ontem que está "preocupado" em manter uma "oferta equilibrada" de milho para "não influenciar uma alta de preços que possam elevar a inflação". Há sinais são evidentes como a "fila" para embarque de milho em alguns portos do país.

Os armazéns do governo têm 5,44 milhões de toneladas de milho e 160,6 mil toneladas de feijão (preto e cor). Nos cálculos da Conab, existiriam outras 4,12 milhões de toneladas de milho vinculadas ao compromisso de compra pelo governo na modalidade "opções de venda", mecanismo usado por produtores como proteção de preços. Mas com os preços em alta, os produtores devem optar por vender boa parte desse milho no mercado, e não ao governo, o que reduzirá a margem de manobra oficial.

A segunda estimativa da nova safra, divulgada ontem pela Conab, mostram um aperto na oferta de milho no ciclo 2010/11. Pelos novos dados, os produtores devem colher entre 6% a 7,5% menos milho no país, um déficit que pode superar 4 milhões de toneladas. O efeito negativo do fenômeno "La Niña" e a redução na área plantada e na produtividade são as causas. Os estoques de milho devem ser os mais baixos desde o ciclo 2006/07.

Para o feijão, a situação da oferta é um pouco melhor, mas a variável climática ainda é preocupante. No total, os produtores devem colher até 7% mais do que no ciclo anterior, chegando a 3,44 milhões de toneladas. Em São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, porém, a colheita deve pressionar a demanda. Com o mercado em entressafra, a oferta é restrita e os preços seguem acima do mínimo de garantia de R$ 80 por saca - cotada a R$ 110 em SP e R$ 130 na Bahia.

A Conab estimou a nova safra em uma média de 147,54 milhões de toneladas - de 146,26 milhões a 148,82 milhões de toneladas. Essa média, se confirmada, seria 0,82% inferior ao ciclo anterior. A área plantada média deve situar-se em 47,62 milhões de hectares, pouco dos 47,36 milhões registrados em 2009/10.

Para a soja, carro-chefe da produção nacional, a Conab prevê colheita de até 69 milhões de toneladas, ou 0,5% superior ao ciclo anterior. No algodão, é possível uma safra de 2,72 milhões de toneladas de caroço, ou 47,5% acima de 2009/10.

A nova estimativa da Conab trouxe previsões favoráveis à elevação da oferta de arroz e trigo no país. No caso do arroz, a produção poderia chegar a 12,3 milhões de toneladas, ou até 9,3% acima das 11,26 milhões de toneladas do ciclo anterior. Para o trigo, a previsão da Conab estima um forte aumento da produção. A colheita poderia expandir-se até 11,5%, para 5,6 milhões de toneladas.
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Fonte: Valor Econômico

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