Álcool e La Niña manterão alto preço do milho

Publicado em 08/01/2011 05:56 518 exibições

Após um final de ano marcado por forte alta nos preços do milho, 2011 começa com a perspectiva de que as cotações permaneçam elevadas.

O cereal se manteve ao redor de US$ 6 o bushel (25,4 quilos) nesta semana, com alta de 43% em 12 meses.

Baixos estoques, o fenômeno climático La Niña, o aumento previsto para a produção de aves e suínos e a manutenção dos subsídios ao álcool de milho nos EUA dão condições para que os preços continuem altos.

No maior produtor mundial, o estoque final se mantém em patamar muito baixo já há algumas safras. Segundo a Céleres, o nível é um dos menores desde 1995.

A armazenagem tem relação direta com o consumo nos EUA, estimulado pela produção de etanol.

Em dezembro, o governo americano manteve o subsídio de US$ 0,45 por galão para o álcool misturado à gasolina, o que deve estimular a produção de etanol, que nos EUA é feito com milho.

Com maior demanda dos produtores de álcool, a oferta do cereal para outras cadeias produtivas, também aquecidas, pode diminuir.

Entre elas, destaca-se a produção de carnes, como reflexo do maior consumo em países emergentes. Na esteira, o setor de rações demandará mais milho.

Somente na China, a demanda por ração deverá subir em 4,5 milhões de toneladas. No Brasil, estima-se um avanço de 4% sobre a produção de 2010, de quase 61 milhões de toneladas.

No curto prazo, a produtividade da safra latino-americana continuará como maior influência para os preços.

Há temores de que o efeito La Niña, que segundo especialistas pode ser o pior dos últimos 50 anos, atrapalhe o desenvolvimento da safra de verão, especialmente na Argentina, embora algumas precipitações tenham sido registradas nos últimos dias.

OLHO NO PREÇO

COTAÇÕES

Mercado Interno

ARROZ

(R$ por saca) 24,01

Nova York

CAFÉ

(cent.de US$)* 230,70

*por libra-peso

MILHO

-1,16%

Ontem, em Chicago

PRATA

-1,54%

Ontem, em Nova York

Avanço Apesar de a Rússia ter cortado pela metade a cota de importação de carne de frango válida para 2011, de 700 mil para 350 mil toneladas, a Ubabef (associação do setor) afirma que o Brasil obteve avanços.

Condições iguais Para Francisco Turra, da Ubabef, o fim da restrição geográfica na divisão das cotas favorece o país. Em 2010, os EUA tinham direito a 600 mil toneladas e o Brasil, a 100 mil. Agora, todos disputam as 350 mil toneladas.

Potencial A participação do Brasil nas importações russas vai depender de quais cortes serão incluídos no sistema de cotas. No frango inteiro e desossado, o Brasil é o mais competitivo.

Em alta Especulações sobre aumento da demanda mundial por açúcar elevaram as cotações em 4,3% ontem, em Nova York, para US$ 0,31 por libra-peso.

La Niña A Bolsa de Cereais argentina estima a safra 2010/11 de milho em 20,35 milhões de toneladas, abaixo dos 25 milhões de toneladas previstos pelo Usda. A previsão argentina, divulgada nesta semana, já considera alguns efeitos da seca em regiões produtoras.

Evolução O plantio de soja no vizinho evolui, mas ainda está atrasado em relação à safra passada. Dos 18,5 milhões de hectares destinados à cultura, 88% foram plantados, ante 96% há um ano. Atrasos no plantio podem prejudicar o rendimento esperado para a colheita.

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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