Cobertura de TV chavista diz que há "festa" em Trípoli

Publicado em 24/02/2011 09:17 366 exibições
Capital líbia estava em "total normalidade" ontem, segundo a venezuelana Telesur; Chávez é aliado próximo de Gaddafi. Repórter afirma que sua detenção por cinco horas foi "fato fortuito" e nega que cidade tenha sofrido bombardeios (Folha de S. Paulo)


Autorizada a transmitir de Trípoli, a equipe da rede de TV chavista Telesur provocou controvérsia ontem ao reportar que a capital da Líbia estava "em total normalidade" e insinuar que outras redes estavam "pintando um panorama praticamente de guerra civil" quando há "festa" no centro da cidade.
O repórter Jordán Rodríguez falou ao vivo, por telefone, por pouco mais de cinco minutos -em transmissão pela Telesur e pela TV estatal local- no começo da tarde.
Rodríguez evitou criticar o governo de Muammar Gaddafi, um aliado próximo de Hugo Chávez, por haver detido por cinco horas a equipe de repórteres. Disse que a restrição respondeu a "razões óbvias".
"Foi um fato fortuito [a detenção]. Foi um ato justamente para confirmar quem está chegando, dada a situação de tanta desinformação", continuou. "Tínhamos de informar quem éramos, de onde vínhamos e para que estávamos na Líbia."
"As pessoas dizem que [Gaddafi] não é um presidente, que é um Deus. Que é mentira o bombardeio da cidade por aviões militares."
O embaixador do Brasil em Trípoli, George Ney Fernandes, também afirmou ao jornal "O Globo" que a cidade não foi bombardeada.
O repórter da Telesur disse ainda que entre 300 e 400 pessoas -na contagem extraoficial de uma "fonte diplomática"- morreram em "enfrentamentos" após tentar "tomar bases militares" e outras instituições oficiais.

CRÍTICAS E AJUSTE
Foi o suficiente para inflamar os ânimos dos usuários do Twitter na Venezuela, que inundaram o microblog com acusações de que o governo Chávez usa a Telesur para difundir versões pró-Gaddafi.
O popular portal "Notícias 24" postou que a TV chavista reportava calma em todo o país -e não só na capital. Teve de corrigir mais tarde.
Em reação à controvérsia, a própria TV estatal local exibiu uma nova edição da reportagem de Rodríguez, dessa vez frisando que o repórter falava apenas de Trípoli.
A Telesur também mudou o enunciado ao longo da tarde: passou a noticiar "lealdade" a Gaddafi na capital ao lado de protestos no leste, onde a oposição "estaria controlando" algumas cidades, citando a Al Jazeera.
Chávez lançou a Telesur em 2005, em aliança com Argentina, Equador, Bolívia e Cuba, com a intenção declarada de contrabalançar a cobertura de redes como CNN e BBC. O ex-presidente do canal Andrés Izarra é agora ministro de Comunicações.
As revoltas no mundo árabe têm movimentado o mundo político venezuelano. Chávez mantém forte ligação política com Gaddafi -no começo da semana, circularam rumores de que o ditador estaria se preparando para fugir para a Venezuela.
Enquanto os opositores se empenham em traçar supostas semelhanças entre os governos em crise e o do venezuelano, Caracas insiste que as soluções para o conflito devem surgir sem "ingerência" dos Estados Unidos.

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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