Anúncio de aumento de área de plantio nos EUA gera polêmica

Publicado em 01/03/2011 12:22 e atualizado em 01/03/2011 19:38
O banco Morgan Stanley divulgou nesta segunda-feira uma nota informando que considera otimista a estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para a área de plantio na próxima safra.

Os números foram divulgados pelo departamento na última quinta-feira (24) durante o Agricultural Outlook Fórum e apontam 37,23 milhões de hectares para o milho, 31,57 milhões de hectares para a soja e 12,75 milhões de hectares para o algodão.

A nota do banco dizia ainda que os produtores norte-americanos terão dificuldades em cumprir esta previsão do USDA, e ainda manteve sua perspectiva de alta para os preços dos grãos no próximo ciclo.

Entretanto, em uma entrevista para o Notícias Agrícolas, o analista de mercado Carlos Cogo,  da Consultoria Agroeconômica, explica que na verdade não há um aumento de área nos Estados Unidos, e sim uma incorporação e volta do uso de áreas de menor potencial produtivo e que já foram utilizadas anteriormente.

Cogo explica que não há um aumento de superfície e sim um movimento dos agricultores de reaproveitamento desses espaços - ora já plantados - para aproveitar o bom momento do mercado das commodities agrícolas.

"Olhando os números com frieza, não há áreas novas no processo produtivo para a safra 2011/12. A área para o milho nem sequer é maior do que a maior área já plantada", esclarece o analista.

Para áreas novas, seria necessário que os produtores e autoridades dos setor entrassem em consenso, conseguissem liberações ambientais e pudessem compensar essas áreas de uma outra forma.

Preços - Carlos Cogo diz ainda que essas baixas registradas nos últimos meses não são ligadas ao cenário fundamental, mas sim a situações pontuais - como o conflito na Líbia - e que a tendência continua sendo de alta.

O analista explica que, mesmo com esse uso por parte dos produtores dos EUA de áreas menos produtivas, a situação de oferta escassa não será amenizada, e diz ainda que a relação estoque x consumo para o milho poderá ser ainda menor na safra 11/12 do que a que está sendo vista na safra 10/11, a qual pode ser a menor em 40 anos.

Diante disso, a tendência de alta para as commodities agrícolas deve se manter, e ainda de acordo com a análise de Cogo, poderá ser liderada pelas altas do milho. "O mercado do milho está muito sólido lá fora, e isso é o que vai puxar a soja", diz. 

Fonte: Notícias Agrícolas

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