Crise na Líbia paralisa produção de até 1 milhão de barrias/dia de petróleo

Publicado em 02/03/2011 18:54 780 exibições

A Agência Internacional de Energia (AIE) informou nesta quarta-feira que a crise na Líbia paralisou a produção de 850 mil a 1 milhão de barris por dia no país.

De acordo com o órgão, as informações sobre o volume de produção e exportação da Líbia são "incompletas" devido a dificuldades de comunicação e redução de pessoal no país do Norte da África – que é o terceiro maior produtor africano de óleo atrás de Nigéria e Angola.

A Líbia produzia cerca de 1,6 milhão de barris por dia antes do início das revoltas populares contra o governo de Muammar Gaddafi, que está há 41 anos no poder.

Líbia tem 6.000 mortos, diz liga de direitos humanos do país

Kadafi afirmou que haverá novas baixas, em caso de intervenção estrangeira

Manifestantes queimam "livro verde", com as regras de Kadafi, e foto do ditador. Rebeldes pedem que comunidade internacional inicie ação efetiva contra mercenários

Manifestantes queimam "livro verde", com as regras de Kadafi, e foto do ditador. Rebeldes pedem que comunidade internacional inicie ação efetiva contra mercenários (Roberto Schmidt/AFP)

Os conflitos provocados pela repressão violenta das manifestações contra o governo de Muamar Kadafi deixaram 6.000 mortos, afirmou o porta-voz da Liga Líbia dos Direitos Humanos, Ali Zeidan. A informação foi divulgada, nesta quarta-feira, no momento em que o ditador dizia, em tom ameaçador, que uma intervenção estrangeira em seu país deixaria “outros milhares de mortos”. No discurso à TV, Kadafi voltou a provocar seus opositores, alegando que seu país é uma "verdadeira democracia".

O ditador negou a existência de protestos contra o seu governo e pediu que a Organização das Nações Unidas (ONU) envie uma missão de verificação ao país. Ele ainda prometeu: "Combateremos até o último homem e a última mulher". 

Já a oposição, que controla diversas áreas no leste da Líbia, pediu à comunidade internacional que autorize bombardeios contra os mercenários que defendem o ditador, indicou um porta-voz dos rebeldes. "Nós pedimos às Nações Unidas e a todos os organismos internacionais que autorizem ataques aéreos contra posições e redutos de mercenários", declarou Abdel Hafiz Ghoqa, na cidade de Bengasi, reduto da oposição.

Ele disse também que os mercenários são provenientes de países como Níger, Mali e Quênia, e foram recrutados pelo coronel para contra-atacar as rebeliões. O apelo da oposição ocorre enquanto potências internacionais discutem um possível bloqueio aéreo ao país e uma intervenção humanitária.

Crise humanitária - De acordo com Zeidan, das 6.000 mortes contabilizadas na Líbia, 3.000 ocorreram na capital, Trípoli. Outras 2.000 teria ocorrido em Bengasi e 1.000 nas demais cidades. "Isso é o que o povo nos disse, mas pode haver mais mortos", afirmou porta-voz da Liga Líbia, em Paris. Na última terça-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que 140.000 pessoas deixaram o território desde 20 de fevereiro para fugir da violência. Os refugiados se dirigiram às fronteiras com o Egito e com a Tunísia. 

O Governo de transição deste último, onde a situação é mais grave, chegou a reivindicar, nesta quarta-feira, uma maior presença de organizações internacionais para evitar que a situação se transforme em uma catástrofe humanitária. Fontes oficiais do país revelaram que 15 mil refugiados chegaram à fronteira só nas últimas 24 horas.

O Exército tunisiano tenta transferir os refugiados para acampamentos instalados nas proximidades da divisa, principalmente para o de Choucha, onde cada vez é maior a presença de tendas de campanha enviadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). A ministra de Saúde tunisiana, Habiba Ben Romdhane, visitou nesta quarta a área para avaliar a situação. Em declarações à imprensa, ela ressaltou que o Exército tunisiano "controla a situação" no que se refere à ajuda aos refugiados, mas destacou que "necessita da ajuda de organizações internacionais" especializadas em atender este tipo de situação.

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Veja.com.br

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