Entrada de dólares já supera a de 2010: Isto não é uma boa notícia...

Publicado em 11/03/2011 10:47 898 exibições

Por Eduard Cucolo, na Folha:

Apesar da ameaça do governo de adotar novas medidas para segurar a queda do dólar, a entrada de moeda estrangeira no país e a especulação no câmbio seguem fortes neste início de ano. Até o último dia 4, entraram líquidos (diferença entre ingressos e saídas) US$ 24,356 bilhões, mais que o verificado em todo o ano de 2010 (US$ 24,354 bilhões), segundo o Banco Central. O resultado é puxado por operações financeiras, principalmente, investimentos estrangeiros de longo prazo no setor produtivo e empréstimos feitos por empresas brasileiras no exterior. Já o capital especulativo de curto prazo parou de entrar no final do ano passado, quando o governo aumentou a tributação sobre investimento estrangeiro em renda fixa. Também caíram as aplicações na Bolsa. Outro fator que pressiona a cotação da moeda é o aumento da especulação.

As dívidas dos bancos no mercado à vista subiram de US$ 11 bilhões em janeiro para US$ 12,7 bilhões, o que significa uma aposta maior na queda do dólar. O BC já adotou medidas para punir as instituições, a partir de abril, caso esse valor não caia para US$ 10 bilhões. Com mais dólares entrando no país, as intervenções do BC também aumentaram. A instituição comprou, em pouco mais de dois meses, o equivalente a 44% das aquisições feitas em 2010, quando esse valor foi recorde. Foram quase US$ 20 bilhões, que ajudaram a elevar as reservas em dólar do Brasil para o patamar recorde de US$ 311 bilhões. Cotado a R$ 1,661, o dólar acumula queda de 0,3% no ano. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Por Fabio Graner e Adriana Fernandes, no Estadão:


O Comitê de Política Monetária (Copom) abriu a porta para lançar mão de novas medidas complementares à alta dos juros no esforço de combate à inflação, consolidando a nova abordagem “híbrida” do Banco Central, sob o comando de Alexandre Tombini.

Na ata da última reunião, o BC apresentou pela primeira vez um cenário alternativo aos que normalmente coloca no documento, mostrando que, se o dólar seguir no nível recente e os juros subirem como espera o mercado, a inflação em 2012 já cairia abaixo da meta de 4,5%.

Além disso, no mesmo contexto, o órgão sugeriu que “eventuais” novas medidas macroprudenciais (como o aperto no crédito e o aumento do compulsório dos bancos, de dezembro) poderiam levá-lo a reavaliar a estratégia de juros. Boa parte do mercado leu esse novo parágrafo da ata como indicação de que o ciclo de aperto está próximo do fim e a Selic só subirá mais uma vez, em 0,5 ponto porcentual.

De acordo com a ata, o quadro inflacionário continuou complicado desde a reunião de janeiro. Na visão do Copom, apesar dos choques de alimentos e de tarifas de ônibus urbanos, a inflação também reflete a continuidade do chamado “descompasso entre oferta e demanda”. Isto é, a incapacidade da economia de produzir bens e serviços no volume que os consumidores têm procurado ainda pressionaria preços, embora a perspectiva seja de que esse descompasso diminua, refletindo os ajustes nos juros, no crédito e o aperto fiscal promovido pelo governo, que foi elogiado no documento do BC.

“Importantes decisões foram tomadas e executadas, as quais apoiam a visão de que, no início deste ano, teve início um processo de consolidação fiscal”, destacou a ata, em referência ao corte de R$ 50 bilhões no Orçamento. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Dilma abre estatais a sindicatos

Por Lu Aiko Otta, no Estadão:
Depois de atropelar as centrais sindicais ao fixar o salário mínimo de 2011 em R$ 545, a presidente Dilma Rousseff recebe hoje os sindicalistas para retomar o diálogo. Num gesto de boa vontade, ela preparou uma cerimônia em que será assinada uma portaria autorizando a inclusão de um representante dos trabalhadores em cada conselho administrativo de empresa estatal com mais de 200 empregados.

De acordo com o Ministério do Planejamento, são 59 vagas. O trabalhador que for eleito por seus colegas para integrar o conselho terá um reforço substancial no rendimento. Um conselheiro do Banco do Brasil, por exemplo, ganha R$ 3.606 por mês. Na Caixa Econômica Federal, a gratificação foi de R$ 2.836,30 mensais no ano passado. Na Eletrobrás, foram R$ 4.212,96 por mês em 2010.

As vagas nos conselhos das grandes estatais são disputadas entre funcionários mais graduados do governo, que as utilizam como uma espécie de complementação de renda.

“Ter um representante nos conselhos de administração significa democratizar a gestão da estatal”, disse o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), José Lopez Feijóo. Ele observou que essa é uma prática adotada por empresas privadas e também por ex-estatais, como a Vale e a Embraer. “Era uma antiga reivindicação nossa”, acrescentou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

Regulamentação
A iniciativa de atender a esse pedido antigo dos sindicalistas, porém, não partiu da presidente. A representação dos trabalhadores nas estatais foi proposta no governo passado e aprovada pelo Congresso. A Lei 12.353 foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 28 de dezembro. Faltava a regulamentação, que será formalizada hoje por Dilma.

A lei diz que o representante dos trabalhadores será eleito por voto direto entre seus pares na ativa. Ele não poderá votar em temas relativos a salários, relações sindicais, benefícios previdenciários e outros que configurem conflito de interesse. Uma nova vaga será criada em cada conselho para acomodar o representante dos trabalhadores. A União ficou autorizada a aumentar seu número de conselheiros, se for necessário, para preservar a maioria de votos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Os nossos comunistas - ONG ligada ao PC do B terá de ressarcir União

Por Leandro Colon, no Estadão:
O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou uma organização não governamental (ONG) ligada ao PC do B a devolver R$ 565 mil aos cofres públicos por desvios de recursos do Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. “A documentação apresentada encontra-se, em sua maioria, eivada de vícios que a tornam imprópria para fins de prestação de contas de recursos públicos federais”, diz relatório de investigação, cujo acórdão foi publicado quarta-feira no Diário Oficial da União.A entidade punida é a Fundação Vó Ita, com sede na cidade de Arraias, no Tocantins.

O Tribunal de Contas da União incluiu na condenação Antônio Aires da Costa, que era presidente da ONG na época do convênio com o Ministério do Esporte. Ele é filiado ao PC do B, partido do ministro da pasta, Orlando Silva. Costa foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições e ficou na suplência de uma cadeira como parlamentar.

Problemas
A decisão do Tribunal de Contas diz ainda que a Fundação Vó Ita manipulou as notas fiscais de modo a prejudicar as prestações de contas do Segundo Tempo. “Em relação aos recibos, o primeiro problema detectado diz respeito à apresentação desses como comprovantes de despesas com aquisição de mercadorias, como carne, pão e combustível. Esses documentos não são idôneos para suportar tais tipos de despesas”, diz o tribunal.
 Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Rombo da previdência dos funcionários públicos cresce 9% e chega a R$ 51 bi

Por Edna Simão, no Estadão:
Enquanto o déficit da previdência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ficou praticamente estável entre 2009 e 2010, o rombo do regime de previdência dos servidores públicos da União ultrapassou a marca dos R$ 50 bilhões ao apresentar crescimento de 9% de um ano para o outro. A tendência, se não houver mudanças no sistema do servidor público, é que essas despesas continuem subindo e pressionando os gastos públicos. Segundo o Relatório Resumido da Execução Orçamentária, divulgado pelo Tesouro, o governo federal desembolsou R$ 51,245 bilhões no ano passado para garantir a aposentadoria de 949.848 servidores públicos.

Em 2009, o dispêndio foi de R$ 47,014 bilhões. “A situação é insustentável”, afirmou o secretário de Previdência Social, Leonardo Rolim. O sistema arrecada pouco mais de R$ 22,5 bilhões para pagar uma despesa de R$ 73,9 bilhões. No caso do INSS, que é responsável pelo pagamento de cerca de 24 milhões de benefícios, o déficit da previdência do INSS totalizou R$ 42,89 bilhões, o que representa uma estabilidade em relação ao ano anterior. Se os números forem corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o déficit do INSS apresentou queda real de 4,5%. Essa melhora reflete os sucessivos recordes na criação de empregos formais no País.

Para reverter o quadro do regime de previdência dos servidores públicos, o secretário disse ao Estado que é preciso regulamentar o fundo de previdência complementar do funcionalismo, que está parado no Congresso Nacional desde 2007. Com o fundo, o teto de aposentadoria do servidor público, que hoje não existe, será o mesmo que o do INSS - atualmente é de R$ 3.689,66. Ou seja, os servidores que quiserem receber um valor maior teriam de contribuir para o fundo de previdência complementar. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O secretário espionado, a direção do shopping e os jabutis em cima das árvores

Na Folha. Volto em seguida.
O shopping Pátio Higienópolis disse ontem que “policiais” solicitaram imagens do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, no local. O vídeo, no qual Ferreira Pinto se encontra com o repórter da Folha Mario Cesar Carvalho, foi divulgado em sites e blogs-um deles ligado a policiais civis-, que relacionaram o encontro à reportagem escrita por Carvalho sobre a venda de dados sigilosos por um funcionário da Segurança, o sociólogo Túlio Kahn, que foi demitido. A Segurança Pública vê “forte indício de que grupos criminosos utilizaram [as imagens] para espionar o primeiro escalão do Estado e o trabalho da imprensa”. O procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, disse que investigará a divulgação das imagens. Ele classificou o caso como “grave”. Anteontem, o Pátio Higienópolis havia dito ter entregue o vídeo a “órgãos oficiais”, sem especificar quais.

A direção do shopping passou a dizer que entregou o material a “policiais” após Geraldo Alckmin (PSDB) declarar ontem que ninguém do governo pediu o vídeo. “Ninguém do governo, autorizado pelo governo, solicitou fita. O shopping precisa explicar melhor isso. Se alguém usou o nome do governo, o shopping não deveria ter fornecido [a fita]“, disse. A Secretaria da Segurança disse que pedirá hoje ao shopping a identidade dos policiais. Questionado pela Folha, o shopping se recusou a dizer quem eram eles. Desde o início da sua gestão, ainda no governo Serra (PSDB), Ferreira Pinto abriu investigação contra mais de 800 delegados (de um total de 3.300), o que gerou uma crise na polícia paulista. A secretaria ressaltou que, “desde a recondução do secretário Ferreira Pinto ao cargo, o inconformismo de uma pequena parcela de policiais prejudicados com a austeridade da política atual de segurança se intensificou”.

O primeiro a divulgar as cenas foi o radialista João Alkimin, no site “Veja São José”. Apesar de não haver indicação no vídeo, ele disse que o encontro ocorreu às 19h30 de 25 de fevereiro. A reportagem da Folha sobre Túlio Kahn saiu em 1º de março. A mulher do radialista, Tânia Nogueira, é advogada de Ivaney Cayres de Souza e Everardo Tanganelli, dois delegados que perderam espaço na gestão Ferreira Pinto. O radialista nega relação entre o vídeo e sua mulher. O delegado Souza estava no shopping, com uma jornalista da Folha, no momento em que Ferreira Pinto se encontrava com Carvalho. Souza diz ter visto o secretário, mas nega ligação com a divulgação das imagens.

Por Reinaldo Azevedo

“Kadafi vencerá”, diz conselheiro de Obama

No Estadão Online:
O general James Clapper, principal conselheiro de inteligência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem acreditar que o líder líbio, Muamar Kadafi, sairá vitorioso da batalha contra rebeldes em seu país e permanecerá no poder.

Em audiência no Senado em Washington, Clapper, que ocupa o cargo de diretor da Inteligência Nacional, afirmou que as forças do governo da Líbia têm melhores equipamentos e estão mais treinadas que os oposicionistas do regime. Segundo ele, isso deve resultar na vitória de Kadafi no longo prazo. “Não creio que (Kadafi) tenha intenções de deixar o poder. Pelas evidências que temos, que estou disposto a discutir em sessão privada, parece que ele resistirá.”

As declarações foram imediatamente criticadas e o senador republicano Lindsey Graham pediu a renúncia do general. “As declarações prejudicam os interesses de segurança nacional americanos.” O senador avaliou que embora parte da análise de Clapper “possa se mostrar verdadeira”, não deveria ser feita num foro público, mas em uma “sessão a portas fechadas”.

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney disse em coletiva que as declarações de Clapper foram “mal interpretadas” e que o diretor da Inteligência conta com a “plena fé e confiança” de Obama. Clapper é general aposentado da Força Aérea com 47 anos de experiência na área de inteligência e acesso às melhores informações que o orçamento de US$ 80 bilhões do serviço de espionagem americano pode oferecer.

Por Reinaldo Azevedo

Arábia Saudita, a fronteira! Aí o mundo treme!

A Arábia Saudita regula o fluxo de petróleo do mundo. Pouco importa a natureza e a origem das crises, o país atende aos apelos do Ocidente — leia-se: Estados Unidos — e, em caso de aperto, aumenta a sua produção. A monarquia absolutista vigente no país constitui um dos regimes mais fechados do planeta. Pois é… Ecos da chamada revolta árabe parecem ter chegado por lá, mas, por enquanto, com uma característica particular, que também marca os protestos do Bahrein: trata-se de uma manifestação de xiitas contra o governo sunita. A diferença é que, nas ilhotas do Bahrein, que mal se vêem no mapa abaixo (procurem a capital, Manama, para localizar o país), os xiitas são maioria; na Arábia Saudita, minoria.

arabia-sauditaO mapa acima evidencia que os protestos já chegaram bem perto: já explodiram nos fronteiriços Iêmen, onde o governo está cai-não cai, e em Omã. O Catar, ali do ladinho, sede da Al Jazeera, continua a ser uma ditadura de pessoas muito satisfeitas com o regime… Abaixo, há um texto do Reuters sobre os protestos desta quinta, que mexerem com o humor dos mercados mundo afora, com ecos até no Brasil. Inicialmente, a informação era de que as forças de segurança haviam aberto fogo contra a população. Depois se viu que não era bem isso. A informação fazia parte do clamor revolucionário.

Se a convulsão chegar à Arábia Saudita, bem…,  a história cobrará a presença de um estadista na Casa Branca… Aí é que a porca vai torcer o rabo. Sauditas prometem um protesto para valer nesta sexta. Leiam texto da Reuters.

Por Ulf Laessing e Cynthia Johnston:
A polícia saudita fez na quinta-feira disparos para o ar a fim de dispersar um protesto xiita, e três pessoas ficaram feridas no incidente, segundo testemunhas e ativistas, na véspera de um dia de manifestações convocadas por redes sociais no país. Tiros foram ouvidos perto do local do protesto, que reuniu cerca de 200 xiitas na cidade de Qatif, na Província Oriental, onde ficam alguns dos maiores campos petrolíferos do mundo, e onde existe uma importante minoria xiita. “Houve tiros, mas foram esporádicos”, disse uma testemunha, acrescentando que outros ruídos eram de bombas de efeito moral.

Um porta-voz do Ministério do Interior saudita disse que a polícia disparou para o alto depois de a multidão ter atacado um policial que documentava o protesto. As autoridades relataram que dois manifestantes e um policial ficaram feridos. Temendo que a onda de protestos do mundo árabe chegue ao país, a monarquia absolutista sunita proíbe qualquer manifestação, argumentando que elas são contra a religião islâmica. Testemunhas deram relatos conflitantes sobre se a polícia usou balas de borracha ou munição real. Um participante do protesto disse que um ativista foi atingido de raspão.

“Parece que eles não tinham a intenção de matar. Achamos que foi um recado não para Qatif, mas para todos os sauditas a respeito de amanhã (sexta-feira)”, acrescentou. Há cerca de três semanas os xiitas têm feito protestos limitados em Qatif e outras cidades do leste, principalmente para exigir a libertação de prisioneiros. Os ativistas disseram que algumas manifestações foram toleradas, mas outras foram dissolvidas. Não está claro, no entanto, se as manifestações terão força em Riad, uma cidade mais rica e desenvolvida, no coração sunita da Arábia conservadora.

Mais de 30 mil pessoas aderiram a uma página do Facebook convocando protestos em nível nacional. A polícia reforçou sua presença ostensiva em Riad. Uma tênue coalizão de liberais, ativistas de direitos humanos, sunitas moderados e xiitas têm reivindicado uma reforma política no reino, maior exportador mundial de petróleo. O governo diz que o país, sendo um Estado islâmico que aplica a sharia (lei religiosa), não tem necessidade de protestos ou partidos políticos. Líderes da comunidade xiita se reuniram com o rei Abdullah e o governador da Província Oriental para solicitar a libertação de 26 xiitas detidos por participar de protestos.

Os xiitas representam cerca de 15% da população e, muitas vezes, se dizem discriminados, algo que o governo nega. O governo dos EUA, importante aliado do reino, disse estar ciente da repressão aos protestos na Arábia Saudita, e reiterou o seu apoio ao direito a manifestações pacíficas. Nesta semana, o chanceler saudita, príncipe Saud al Faisal, disse que os protestos não são a maneira correta de buscar mudanças, e que a intromissão estrangeira nos assuntos de seu país não seria bem vinda.

“O princípio do diálogo, creio eu, é o melhor caminho para resolver os problemas enfrentados pela sociedade”, disse o príncipe Saud, sobrinho do rei. “A mudança virá por meio dos cidadãos deste reino, e não através dos dedos estrangeiros, nós não precisamos deles.”

Por Reinaldo Azevedo

Se Obama não tomar cuidado, vai deixar o poder antes de Kadafi

Vai se desenhando o pior cenário para as potências ocidentais que apostaram, de maneira estúpida, na queda rápida de Muamar Kadafi. Ele está mais forte hoje do que há uma semana. As forças sob o comando do ditador retomaram Zawiyah e o terminal portuário de Ras Lanuf, num ataque por terra, ar e mar. E agora? Parece consenso que ele não pode ficar. Mas como tirá-lo de lá?

Uma fala de Mohammed al-Houni, um combatente de 25 anos, publicada pelo New York Times, serve de emblema da situação e permite algumas considerações importantes. Leiam:
“Não há comparação entre as nossas armas e as deles. Eles são treinados. Eles são organizados. Eles têm treinamento na Rússia e não sei onde. Nós não somos um exército. Nós somos o povo. Mesmo que tivéssemos as armas, nós não saberíamos como usá-las”.

Qualquer país minimamente organizado, com forças militares regulares, tem condições de enfrentar opositores armados. A questão é esta: até onde as Forças Armadas estão dispostas a chegar para defender o regime? Aquele superestimado milhão de pessoas da Praça Tahir, no Egito, ajudou na queda de Mubarak, mas ele foi derrubado, de fato, por um golpe de estado dado pela cúpula militar, que contou com amplo apoio internacional. O mesmo aconteceu com o ditador da Tunísia. Se os militares egípcios tivessem aceitado enfrentar o “povo” da praça. Mubarak estaria lá, ainda que numa poça de sangue.

O jovem Al-Houni diz o óbvio: se os próprios militares líbios não derrubarem Kadafi e se o ditador continuar com o apoio importante de parte considerável das Forças Armadas, só mesmo a invasão da Líbia poderá tirá-lo do poder.  A reivindicada zona de exclusão aérea é uma invasão branca. A Otan disse estar pronta para agir. Será mesmo essa uma solução? Segundo o NYT, as forças de Kadafi se organizam para marchar rumo a Benghasi, onde está instalado o “governo das forças insurgentes”, reconhecido pela França, único país a fazê-lo. “Nós estamos chegando”, advertiu Saif al-Islam, um dos filhos de Kadafi, que serve de porta-voz do governo Líbio junto à imprensa ocidental.

Kadafi é um delinqüente internacional! Todos conhecem a sua ficha criminal e os muitos copos de sangue de que se alimentou ao longo de 41 anos de poder. Mas vinha sendo paparicado por governos ocidentais, como é sabido. Vinha combatendo o jihadismo. Também injetava alguns bilhões em empresas européias e americanas. O levante e a reação do governo fizeram com que o velho monstro surgisse na memória dos governos democráticos.

Pois é… Ele não parece disposto a correr como o tirano tunisiano nem sofreu um golpe de estado como Mubarak — não ainda ao menos. Decidiu partir para o confronto. Sem o golpe ou a invasão do país, vence a guerra civil. E aí? Mais: a eventual intervenção da Otan é mesmo um consenso mundial? Rússia e China aceitarão que os EUA liderem uma intervenção num governo que, há um mês, ocupava até uma vaga no, imaginem vocês!!!, Conselho de Direitos Humanos da ONU?

EU quero que Kadafi arda no mármore do inferno. Sempre quis. Jamais me referi a ele aqui que não fosse para associá-lo ao que a humanidade já produziu de pior. Isso não me impede de reconhecer que as ditas potências ocidentais estão sendo governadas por patetas. A política externa dessas nações parece ditada pelo clamor do Facebook. Por que digo isso?

Não se dá um ultimato a um governante, por mais facinoroso que seja, se não for para impô-lo, então, na porrada. EUA, França e Grã-Bretanha foram, evidentemente, um tanto precipitados em considerar Kadafi carta fora do baralho — o que evidencia, também, a precariedade de informações com que operavam. Esses governos confundiram o entusiasmo da cobertura jornalística — sim, ele existe — com fatos. Boa parte do “olhar” da imprensa estrangeira na região está filtrado pelo padrão Al Jazeera, que é quem organiza o levante no mundo árabe. Fatos e fantasias se misturaram.

O jovem Al-Houni disse tudo o que interessa: se não houver o golpe de estado, só resta às ditas potências ocidentais, governadas por impotentes, a invasão. Invadir é fácil. Organizar o período pós-invasão é que o “x” do problema. Se Kadafi fica, EUA, França e Grã-Bretanha se desmoralizam.

Barak Obama que se cuide! Nesse ritmo, ele acaba deixando o poder antes de Kadafi. Afinal, uma democracia costuma cobrar o governante por seus erros, luxo de que as ditaduras se dispensam.

Por Reinaldo Azevedo

Isso é que é jornalismo fino! EBC, que cuida da ex-Lula News, atribui a ministro do TCU o que ele nunca disse!

Vamos atualizar a notícia. A Empresa Brasileira de Comunicação, que cuida da TV Brasil — antiga Lula News, atual Dilma News — não sabe atrair o telespectador. Já sabemos disso. Segundo um relatório preliminar do TCU, a TV Brasil já aprendeu a fraudar licitação, o que teria beneficiado o filho de Franklin Martins, ex-chefão do pedaço.  Sabemos disso também. Agora, a empresa se dedica à tarefa de atribuir a terceiros o que estes não disseram. Leiam o que informa Leandro Colon no Estadão Online. É um espanto! Franklin dizia querer uma TV pública forte para que ela, entre outras coisas, servisse de referência de bom jornalismo. É, dá para perceber…

Ministro do TCU desmente nota da EBC

O ministro Ubiratan Aguiar, do Tribunal de Contas da União (TCU), desmentiu nesta quinta-feira, 10, nota oficial da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em nota, a EBC informou que Aguiar “desmentiu” e “contestou” a reportagem do Estado revelando que auditoria do tribunal identificou fraudes numa licitação de R$ 6,2 milhões da TV Brasil. Procurado pelo jornal, o ministro disse que, em nenhum momento, quis “desmentir” ou “contestar” o conteúdo da matéria. Apenas informou à EBC que o processo está em fase de análise, conforme já havia relatado a reportagem.

O ministro informou ao Estado, por meio da assessoria de imprensa do TCU, que nem teve acesso aos autos do processo, que está em fase de instrução técnica. Segundo o TCU, Aguiar “ainda não examinou as informações obtidas pela auditoria, não podendo se posicionar a respeito”. “O ministro ainda não examinou o processo, não tem como desmentir ou confirmar as informações da matéria”, diz a assessoria.

Entre essas “informações” citada por Aguiar está a auditoria revelada pelo Estado, realizada pela Secretaria de Fiscalização de Tecnologia da Informação (Sefti) do TCU, de 23 páginas, que foi anexada ao processo no último dia 20 de janeiro. É, até agora, o principal elemento de investigação do tribunal.

A auditoria aponta uma série de irregularidades, inclusive uso de documento falso e favorecimento, na licitação que contratou por R$ 6,2 milhões a Tecnet Comércio e Serviços Ltda. Cláudio Martins, filho do ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, é funcionário da empresa. Segundo o TCU, a Tecnet não poderia disputar a licitação, nem a EBC deveria ter aceitado a sua participação.

O resultado da auditoria, elaborado após a EBC ser ouvida, aponta, entre outras coisas, que a Tecnet falsificou um atestado para comprovar que atendia aos requisitos da concorrência. “A declaração apresentada pela empresa Tecnet acerca do integral atendimento de seu sistema aos requisitos especificados no termo de referência do Pregão 85/2009 é falsa”, diz o relatório.

Por Reinaldo Azevedo
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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