Japão se salva depois da 2ª explosão, mas já teme uma 3ª

Publicado em 14/03/2011 08:54 409 exibições
AIEA diz que reator que explodiu de madrugada está intacto. Agora, outro reator na mesma central nuclear vive sequência idêntica de falhas dos que explodiram

Soldados orientam a população a evacuar a região de Fukushima e se deslocar para áreas mais altas...

Soldados orientam a população a evacuar a região de Fukushima e se deslocar para áreas mais altas

O risco de uma catástrofe nuclear depois do terremoto e do tsunami de sexta no Japão tornou-se a preocupação central dos vizinhos do país e da comunidade internacional 

Depois de duas explosões em instalações nucleares, o Japão escapou - por enquanto - de uma tragédia atômica. Conforme anúncio feito nesta segunda-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o recinto de confinamento do reator 3 da central nuclear de Fukushima 1, que explodiu na noite de domingo (no horário de Brasília), está intacto. "O edifício do reator explodiu, mas o recinto de segurança não foi danificado. A sala de controle continua operacional", afirma a AIEA em um comunicado. A agência da ONU afirma estar em contato permanente com as autoridades japonesas.

O acidente desta segunda provocou ferimentos em seis pessoas, informou a AIEA, que tem sede em Viena. A explosão foi provocada pelo acúmulo de hidrogênio. Uma explosão similar aconteceu no sábado no edifício do reator número 1 da central, um dia depois do terremoto e tsunami que devastaram a costa nordeste do Japão. De acordo com a Agência de Segurança Nuclear do Japão, não existe possibilidade de o Japão sofrer um acidente como o de Chernobyl, em 1986, na antiga União Soviética. Os danos nos reatores haviam levantado o temor de uma tragédia similar à dos soviéticos.

Apesar das indicações positivas dos especialistas nas últimas horas, a operadora de energia Tepco, responsável pela central nuclear de Fukushima 1, informou nesta segunda que há mais um reator em situação preocupante. Depois das falhas nos reatores 1 e 3, desta vez é o reator 2 que apresenta problemas no sistema de resfriamento. Essa é a mesma falha que acabou culminando nas explosões nos outros reatores. "O reator 2 perdeu todas as funções de resfriamento", diz uma fonte da agência nuclear. O país agora torce para que, assim como nos outros dois reatores, o recinto de confinamento continue a salvo.

Superaquecimento - O risco de uma catástrofe nuclear depois do terremoto e do tsunami de sexta no Japão tornou-se a preocupação central dos vizinhos do país e da comunidade internacional. O acidente no prédio do reator 3 feriu nove funcionários. Uma explosão similar atingiu o reator número 1 da mesma usina no sábado, matando uma pessoa e ferindo onze. Os problemas na central nuclear de Fukushima começaram quando o tsunami que atingiu a região interrompeu o fornecimento de energia ao complexo. Os geradores não funcionaram e o sistema de refrigeração parou, causando superaquecimento.

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Com os níveis de radiação em alta, os prédios dos reatores 1 e 3 explodiram. O governo está bombeando água do mar para tentar resfriar os reatores. O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, admitiu publicamente que a situação em Fukushima 1 é "alarmante". Horas antes, o governo tinha reconhecido a possibilidade de um processo de fusão dos núcleos dos reatores 1 e 3 da central nuclear, que fica a cerca de 250 quilômetros de Tóquio. A fusão dos núcleso acontece por causa do superaquecimento das barras de combustível nuclear, que começam a derreter como se fossem uma vela.

As autoridades também decretaram estado de emergência na usina nuclear de Onagawa, onde os níveis de radioatividade eram preocupantes. A situação ali, no entanto, já voltou ao normal, informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Na central nuclear de Tokai, que também sofreu problemas no sistema de refrigeração, as bombas auxiliares funcionavam bem e seguiam resfriando o reator. De acordo com as ONU, ao menos 210.000 pessoas foram retiradas da zona das centrais nucleares de Fukushima, onde viviam quase 400 brasileiros. No vídeo abaixo, a explosão do reator 3:

Tragédia nuclear - Embora a devastação causada pelo terremoto e pelo tsunami que atingiram o Japão na sexta sejam imensos, quer pela perda de vidas, quer pela destruição material, a sombra de uma catástrofe nuclear torna-se rapidamente a mais assustadora para o país e para seus vizinhos. Segundo o centro de análise política e militar Straford, a Agência de Segurança Atômica e Industrial do Japão informou que a explosão de sábado na planta nuclear número 1 de Fukushima só poderia ter sido causada por um derretimento do núcleo do reator.

O relatório, no entanto, contradiz as declarações do Chefe de Gabinete do governo, Yukio Edano - segundo ele, as paredes do prédio que continham o reator explodiram, mas "o container de metal que encapsula o reator permaneceu intacto". Além dos problemas na planta que sofreu a explosão, as autoridades japonesas se mantêm em estado de alerta no acompanhamento de outras instalações nucleares. Entre elas está uma usina localizada a cerca de 150 quilômetros de Tóquio, que, segundo a agência de notícias Kyodo, enfrenta problemas no sistema de refrigeração.


Contaminação - O "derretimento nuclear" é o termo usado para um acidente de grandes proporções que danifica o núcleo de um reator nuclear por superaquecimento. O derretimento ocorre quando o sistema de segurança da usina não é capaz de resfriar o reator. Então, o combustível nuclear superaquece e derrete. O derretimento é considerado gravíssimo pelas autoridades internacionais porque pode causar o lançamento de materiais radioativos no ambiente. O porta-voz do governo admite apenas que "derretimentos parciais" tenham ocorrido até agora.

Conforme a versão oficial, só funcionários envolvidos nas tentativas de conter vazamentos foram contaminados com radiação. Sob a ameaça de novos vazamentos nucleares, o governo corre contra o tempo para impedir que novas explosões ocorram - como foi o caso na tragédia nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética e atual Ucrânia, há 25 anos. Além das três usinas que já apresentaram problemas no sistema de refrigeração dos reatores - Fukushima, Onagawa e Tokai - especialistas estrangeiros dizem que o vazamento nuclear já aconteceu numa quarta usina.

(Com agência France-Presse)

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Veja.com.br

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