Alta rentabilidade pode levar a consumo recorde de adubo no Brasil

Publicado em 05/05/2011 16:41 368 exibições
Estimulados pela alta rentabilidade da atual safra, os agricultores brasileiros devem reforçar investimentos na nova temporada e as consultorias já estimam consumo recorde de fertilizantes em 2011.

"A rentabilidade deste ano, a mais alta da história, aumenta a disponbilidade (de recursos) para investimentos no pacote tecnológico", afirmou o analista de mercado André Debastiani, da Agroconsult.

Segundo ele, dificuldades para compra e abertura de novas áreas de cultivo, por conta de restrições ambientais, também leva produtores a reforçar o investimento em adubação, com o objetivo de ampliar a produtividade. A consultoria estima um aumento de 5,6 por cento nas vendas de fertilizantes em 2011, para o recorde de 25,9 milhões de toneladas.

O recorde anterior é de 2007, quando as vendas totalizaram 24,6 milhões de toneladas --no ano passado, foram de 24,5 milhões, segundo a indústria.

"Para expandir área hoje não é muito fácil, ou o produtor faz pequenos negócios no entorno de sua área ou desloca para fronteiras no Mapito (acrônimo para Maranhão, Piauí e Tocantins)", afirmou.

O investimento em tecnologia de produção, além do clima favorável, rendeu ao país alta produtividade nesta temporada, como aponta levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cuja estimativa é de produção recorde de grãos no Brasil em 2010/11.

"O produtor já adubou mais nesta safra, que teve produtividade maior que o esperado. Há registros de até 80 sacas por hectare em algumas lavouras (de soja). Isso era impensável há três anos", observou Debastiani.

A Agroconsult ressalta que o investimento inclui todo o pacote tecnológico: além de fertilizantes, o material genético, com variedades de sementes mais produtivas, defensivos e adequação do parque de máquinas. "Tudo para aumentar o potencial produtivo", acrescentou Debastiani.

BOA RELAÇÃO DE TROCA

A boa rentabilidade da safra, com bons preços das commodities no mercado internacional, resulta em termos de troca mais favoráveis para o produtor.

A consultoria estima que, atualmente, são necessários 24 sacas de 60 kg de soja para comprar 1 tonelada de fertilizantes, contra 29 sacas de 2010 e 30 sacas de 2009. O volume também é bem mais baixo que as 40 sacas para cada tonelada do insumo registradas em 2008, quando os preços de fertilizantes dispararam antes da crise global.

A relação de troca mais favorável também estimula a antecipação de compras. Tradicionalmente, o maior volume de vendas ocorre no segundo semestre, que concentra cerca de 65 por cento do total. Este porcentual pode chegar a 44 por cento no primeiro semestre deste ano, conforme a Agroconsult.

De fato, para atender o esperado aumento da demanda, as importações de fertilizantes intermediários tiveram um salto de 66,5 por cento no primeiro trimestre na comparação com o ano passado, para 4,08 milhões de toneladas, como mostra levantamento da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda).

As vendas internas de fertilizantes cresceram 11,9 por cento no período, para 4,99 milhões de toneladas, de acordo com a Anda.

"Este grande volume de importações pode sinalizar uma tendência de antecipação de compras, porque os preços de commodities continuam em patamares altos. É uma condição muito favorável para o produtor", afirmou David Roquetti, diretor executivo da Anda.

O executivo ressalta que a demanda segue firme e os navios carregados com o insumo continuam chegando. "É grande o volume que chega e os navios esperam até 23 dias nos portos para descarregar", disse.
Diante deste cenário, Roquetti observou que a RC Consultores, que conduz estudos no setor, revisou sua estimativa de 25,5 milhões para 26 milhões de toneladas em 2011, aumento de 6 por cento sobre o ano passado.

O analista de mercado da Agrosecurity, Fernando Pimentel, observa que a antecipação tende a ocorrer principalmente nas áreas de cerrado e para a cultura da soja em Goiás, Mato Grosso e Bahia.

O analista conta que também são vistas operações em que se trava o preço do fertilizante em dólar e com pagamento previsto na entrada da safra, em fevereiro de 2012.

Ele conta que diante da boa remuneração obtida nesta safra teve produtor que pagou antecipadamente pelo fertilizante em Mato Grosso, que é o maior produtor de soja do país. "Tendo mais liquidez, eles procuram travar o preço do fertilizante", explicou.

Segundo ele, o produtor quer evitar riscos em função da incerteza, por causa dos conflitos no Oriente Médio, o frete mais caro e, por fim, aproveita para travar preços. "Para a soja, tem operações de hedge (proteção), mas para a matéria-prima não. A cautela faz o produtor antecipar compra", acrescentou.

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Fonte:
Reuters

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