Tem peemedebista de olho em Palocci

Publicado em 18/05/2011 15:43 319 exibições

Tem peemedebista de olho em Palocci

Peemedebistas apoiaram hoje de manhã manhã a ida do superconsultor Antonio Palocci à Câmara dos Deputados. Alto lá, não é nada para falar sobre sua evolução patrimonial e sua atividade de consultor. Ao menos dois deputados do PMDB queriam levar Palocci à Comissão de Agricultura para discutir o Código Florestal. Só que diante do tratoraço da base aliada do governo, a sessão da comissão foi cancelada.

Por Lauro Jardim

O trator do governo

O governo tenta atropelar as manobras da oposição para convocar Antonio Palocci na Câmara. Das vinte comissões temáticas com sessões marcadas para hoje, doze já cancelaram suas reuniões. Restou a DEM, PSDB e PPS brigarem no plenário.

Por Lauro Jardim

Bloco frágil

A disputa política travada entre governo e oposição pela convocação de Antonio Palocci provocou a divisão no bloco formado na Câmara por PV e PPS. Enquanto o PPS reforçou as fileiras formadas por DEM e PSDB, o PV decidiu ajudar o governo a blindar Palocci. Em discurso, Sarney Filho chegou a chamar Palocci de “interlocutor sério”. Vale lembrar que Palocci trabalhou pelo adiamento da votação do relatório de Aldo Rebelo sobre a reforma do Código Florestal.

Por Lauro Jardim

Advogado de defesa

O poderoso Eduardo Cunha vai agir hoje em plenário para salvar Antonio Palocci. Cunha vai fincar pé na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para evitar qualquer possibilidade de convocação de Palocci para explicar o sucesso de sua atividade como consultor. Diz Cunha:

- Nós todos precisamos do Palocci, a base governista precisa. Vou ajudá-lo.

(Atualização, às 10h22: E ajudou. A Comissão de Fiscalização cancelou a sessão que seria realizada às 9h30 desta quarta-feira. O presidente da comissão, Sérgio Brito (PSC-BA), aliás, é ligado a Cunha).

Por Lauro Jardim

Na Câmara, 266 votam contra convocar Palocci; 72 são a favor

Por Larissa Guimarães, na Folha Online:
A Câmara derrubou em plenário o pedido de uma sessão para discutir a convocação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil). O placar da Casa mostrou que 72 votaram a favor, enquanto 266 foram contrários. Outros dois pedidos de convocação, encaminhados também pela oposição, foram votados logo depois, e também acabaram derrubados.

Reportagem da Folha do último domingo (15) mostrou que o ministro multiplicou por 20 seu patrimônio entre 2006 e 2010. Ele adquiriu dois imóveis pela empresa Projeto –um apartamento de luxo em São Paulo no valor de R$ 6,6 milhões e um escritório na mesma cidade por R$ 882 mil.

Para blindar Palocci e evitar um desgaste para o Palácio do Planalto, os governistas cancelaram nesta quarta-feira a reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da Casa.

A reunião foi cancelada porque o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), pediu que a Mesa Diretora marcasse para hoje uma sessão extraordinária às 9h.

Após o cancelamento da reunião da Comissão de Fiscalização e Controle, o líder do DEM na Casa, ACM Neto (BA), tentou levar o pedido de convocação para a Comissão de Agricultura, que é comandada pela oposição.

A reunião da Comissão de Agricultura acabou sendo suspensa logo depois, quando começou a sessão extraordinária no plenário da Câmara. ACM Neto levou, então, os pedidos de convocação ao plenário da Casa.

FARPAS
ACM Neto e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) voltaram a trocar farpas hoje.Vaccarezza criticou a oposição por tentar votar os pedidos de convocação em plenário apenas para “desmoralizar” o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
 “Querem impedir a Casa de votar seja lá o que for”, criticou o líder do governo. A sessão estava marcada para a votação de uma das 11 medidas provisórias que trancam a pauta da Câmara.

“Não é possível que sejam tão insensatos, imaturos e primários para transformarem o plenário em um debate sobre o ministro Palocci”, reclamou Vaccarezza. Mais cedo, ACM Neto havia dito que o governo quer “amordaçar” a oposição no caso Palocci.

Por Reinaldo Azevedo

Cinco anos depois do estupro da conta bancária do caseiro, chegou a hora de conferir as contas de Palocci

A segunda semana de maio começou com a última do companheiro José Dirceu: em 2009, depois de contratar os serviços da J. D. Assessoria e Consultoria, a empreiteira Delta transformou-se numa das favoritas do reino e faturou R$ 733 milhões ─ o dobro do ano anterior ─ com encomendas de obras públicas. Ainda não se sabe quanto o ex-chefe da Casa Civil lucrou com os palpites que deu. A terceira semana de maio começou com a última do companheiro Antonio Palocci: entre 2006 e 2010, o deputado federal do PT exerceu com tamanha competência o ofício de consultor que multiplicou por 20 o patrimônio pessoal. Ainda não se sabe quanto lucraram os clientes com os palpites que ouviram do atual chefe da Casa Civil.

“O ministro Palocci declarou os seus ganhos à Receita Federal”, disse nesta segunda-feira o presidente do PT, Rui Falcão. “É um assunto encerrado”. Encerrado coisa nenhuma: da mesma forma que a última do Dirceu, a última do Palocci mal começou. O ex-ministro precisa explicar o milagre da multiplicação do patrimônio de um cliente. O ainda ministro precisa explicar o milagre da multiplicação do próprio patrimônio. E ambos precisam contar o que fazem exatamente para ganhar tanto dinheiro em tão pouco tempo.

Que tipo de serviço prestam os dois consultores? Quanto cobram dos interessados? Quem são os clientes? Como tem sido a evolução patrimonial da freguesia? Sobretudo, que espécie de informação fornecem o ex-capitão do time de Lula e o homem mais poderoso do governo Dilma Rousseff? Afastados do Planalto por envolvimento em escândalos de bom tamanho, eles sempre mantiveram desimpedidos os atalhos que levam a informações privilegiadas de grosso calibre. Usá-las para ganhar dinheiro é uma agressão à ética. Dependendo do conteúdo, é crime.

A volta da dupla ao noticiário político-policial acabou ofuscando outros espantos que fizeram da primeira quinzena de maio um dos atos mais delirantes da interminável Ópera dos Malandros. A procissão de assombros começou com o andor do Conselho de Ética do Senado, atulhado de pais-da-pátria cujos prontuários lhes permitem falar de igual para igual com qualquer figurão do PCC. Até a aparição de Palocci com dinheiro caindo dos bolsos, a passagem dos destaques não cessou.

Descobriu-se que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, cobrava diárias para descansar aos sábados e domingos em sua casa no Rio. Para festejar a volta ao PT do meliante Delúbio Soares, 200 candidatos à cadeia reuniram-se num churrasco no interior de Goiás. O ministro Nelson Jobim pendurou a Medalha do Patriota, reservada a quem presta relevantes serviços ao Exército, no peito de José Genoíno, ex-guerrilheiro e mensaleiro juramentado à espera de julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Com o aval do Congresso, o governo triplicou o preço da energia paga ao Paraguai. No momento, tenta aprovar a Medida Provisória que entrega às empreiteiras a fixação do custo das obras vinculadas à Copa do Mundo. A Comissão de Anistia indenizou com R$ 1,5 milhão o companheiro Rui Falcão, para compensá-lo por perseguições políticas que não o impediram de subir na vida. A presidente Dilma Rousseff decidiu que só são miseráveis os brasileiros que ganham menos de R$ 70 por mês. A inflação ultrapassou o texto de 6,5%.

O chanceler Antonio Patriota comunicou ao Ministério Público Federal que não vai devolver os passaportes diplomáticos concedidos, “no interesse do país”, a quatro filhos e três netos do ex-presidente Lula. O Ministério da Educação chancelou um livro didático que ensina aos alunos do curso fundamental que falar errado está certo. Tudo isso aconteceu em 15 dias. Fora o caso Dirceu. Fora a constatação de que Palocci não se emenda.

O que tem a dizer a oposição? Muitos parlamentares compreenderam que, cinco anos depois do estupro da conta bancária do caseiro Francenildo Costa, chegou a hora de conferir as contas bancárias de Antonio Palocci e cobrar-lhe esclarecimentos. O candidato à presidência que apoiaram, de novo, evitou o risco de colisões frontais.  “Não tenho o papel de julgador a esse respeito”, desconversou José Serra nesta segunda-feira, à saída de um encontro com Rui Falcão. “Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial”.

Nunca pareceu tão fácil opor-se a um governo. Nunca pareceu tão difícil encontrar políticos dispostos a fazer oposição.

(por Augusto Nunes).

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