Na Folha: Senadora Gleisi (PT/PR) defende saída de Palocci do governo

Publicado em 01/06/2011 09:56 531 exibições
Gleisi diz a Lula que, ao contrário do mensalão, enriquecimento é projeto pessoal. Ao pressionar o governo para tentar aprovar lei, Garotinho afirma que Palocci é um "diamante de R$ 20 milhões"

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José Eduardo Cardozo (Justiça) e Antonio Palocci (Casa Civil) em reunião no Planalto

Enfraquecido pela crise aberta após a revelação da multiplicação de seu patrimônio, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, é alvo cada vez maior de fogo amigo, vindo tanto de aliados quanto de petistas.
Defensora do governo Dilma no Congresso, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sugeriu ao partido a saída de Palocci do governo.
Mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), a senadora expôs sua opinião durante almoço que ofereceu, na semana passada, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ontem, na Câmara, o ex-governador do Rio de Janeiro e deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) usou abertamente a crise para pressionar o governo a aprovar uma medida que cria um piso salarial para policiais.
Ele disse que os deputados que defendem o piso devem pedir a convocação do ministro para depor.
"Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci", disse, referindo-se ao faturamento do ministro no ano eleitoral de 2010, revelado pelaFolha.

MAL-ESTAR
Os ataques a Palocci se intensificaram na semana passada, depois que a crise fez o governo ser derrotado na votação do Código Florestal e acirrou os ânimos entre governo, aliados e petistas.
Aliados, PMDB à frente, querem maior participação nas decisões de governo, aprovar questões de seu interesse e acelerar as nomeações no segundo escalão.
Os petistas se queixam, sobretudo, do desconforto de ter que dar explicações públicas sobre a evolução patrimonial do ministro.
O primeiro petista ilustre a reclamar foi o governador da Bahia, Jacques Wagner. Em entrevista a uma rádio, ele cobrou explicações e disse que a evolução patrimonial do chefe da Casa Civil "chama a atenção".

MENSALÃO
Gleisi, segundo participantes do almoço com Lula, perguntou ao ex-presidente se era "estratégico" mobilizar o governo e sua base em defesa de um projeto pessoal -em referência à evolução patrimonial de Palocci.
A senadora chegou a comparar o momento atual ao escândalo do mensalão.
Gleisi, segundo participantes, disse que os mensaleiros cometeram erros graves em nome de um projeto coletivo. E que esse não era o caso de Palocci.
Procurada pelaFolha, a senadora não quis reproduzir o conteúdo de sua intervenção no almoço.
Garotinho, ao defender a votação do piso salarial de policiais, lembrou que o governo foi obrigado a voltar atrás da distribuição de um kit anti-homofobia:
"A bancada evangélica pressionou e o governo retirou o kit gay. Vamos ver agora quem é da bancada da polícia. Ou vota, ou o Palocci vem aqui [ao Congresso]."
O governo vem se desdobrando para que Palocci não seja convocado a depor no Congresso sobre sua evolução patrimonial.
Como revelou aFolha, ele multiplicou seus bens atuando como consultor no período em que exerceu mandato de deputado (2006-2010).

(comentário de Reinaldo Azevedo, de Veja.com.br):

Não adianta! O petismo é um estado moral incurável. Cheguei a achar, ao bater aos olhos na reportagem da Folha, que a senadora estivesse movida por zelo de justiça. Mas quê… Gleisi acha ruim que Palocci tenha feito o que fez, seja lá o que for, para o enriquecimento pessoal. Se fosse para o partido, ela pondera, aí seria diferente. Ah, bom!!! Isso quer dizer que a senadora não sabe como justificar Palocci — e é mesmo injustificável. Mas ela já conseguiria justificar Delúbio Soares numa boa.

Por Reinaldo Azevedo

Painel, por RENATA LO PRETE - [email protected]

No quintal dos outros 

Apesar de ter dado um "pause" momentâneo na entrega de cargos do segundo escalão, para afastar a ideia de que negocia a blindagem de Antonio Palocci, o Planalto abriga hoje nova rodada da disputa entre PT, PMDB e PSB, que segue a toda nos bastidores.
Petistas têm encontro agendado com o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais) para tratar do leque de indicados a postos federais nos Estados, muitos deles sob o guarda-chuva da Integração Nacional -pasta comandada pelo PSB. Já Dilma recebe os presidentes dos partidos aliados, cheios de críticas à tentativa do PT de avançar sobre a "cota alheia".


Sujeito oculto Ainda intrigados com o bate-boca entre Palocci e Michel Temer, peemedebistas se dizem convencidos de que, no telefonema em questão, o ministro acionou o viva-voz para que gente bem mais importante do que Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e Cândido Vaccarezza (PT) ouvisse a ameaça feita ao vice.

Identifique-se Vaccarezza foi barrado na manhã de ontem quando entrava no Anexo 2 da Câmara. O segurança lhe pediu "o crachá". Uma funcionária tratou de apresentar o líder do governo ao policial legislativo.

Reprise Diante das revelações feitas por Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre atividades da empresa de Palocci, petistas lembravam ontem que, em 2005, o correligionário deu sua assinatura à abertura da CPI dos Correios.


Ministro recebeu R$ 1 milhão em fusão, diz Suplicy

DE BRASÍLIA

O ministro Antonio Palocci (Casa Civil) relatou à bancada petista no Senado que recebeu R$ 1 milhão em apenas um projeto da sua empresa de consultoria, a Projeto, relacionado a um processo de fusão empresarial, segundo informou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
De acordo com Suplicy, o ministro disse que os ganhos por projeto poderiam chegar a R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões se a empresa continuasse ativa. A Folha revelou que Palocci multiplicou seu patrimônio por 20 nos últimos quatro anos, quando era deputado federal.
Segundo Suplicy, o relato ocorreu na semana passada, na presença da presidente Dilma Rousseff, que reuniu a bancada do PT para almoço.
"Em um processo ele ganhou R$ 1 milhão, mas os ganhos poderiam ser maiores com o tempo. Mas como se tornou ministro, fechou a empresa", disse Suplicy, confirmando o que havia dito em reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo".
Segundo o senador, Palocci disse que a Projeto realizava três tipos de atividades: palestras, consultorias para aplicações no mercado financeiro e assessoria em processos de fusão. O preço de cada palestra variava de R$ 20 mil a R$ 30 mil.
De acordo com o senador, Palocci confirmou que realizou palestra para uma empresa pública, sem remuneração. O ministro confirmou, ainda, a cobrança de uma "taxa de sucesso" na atuação da Projeto com as empresas.
Palocci se irritou com o vazamento da informação por Suplicy. O petista tentou desfazer o mal estar, procurando Palocci por telefone para se explicar, sem sucesso. Acabou enviando um e-mail.
O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), disse que "qualquer rememoração de algum fato ocorrido" só produz "mais confusão e conflito". "Prefiro não entrar nessa seara, não me lembro dessa colocação."

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi,as explicações dadas para elucidar o “enriquecimento” do “integrante” da casa civil, na minha “condição cultural” (definição do STF ) , posso por silogismo, concluir que as “palestras” proferidas, na LG e outros eventos, de R$ 200 MIL são “quitações” de faturas emitidas em datas anteriores a DEZEMBRO DE 2010 !! .... “ E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “ ....

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