Estados Unidos registram três suspeitas de contaminação pela E.coli

Publicado em 03/06/2011 04:19 608 exibições
Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. fará testes de sangue para determinar causa da contaminação. Informações do jornal O Estado de S. Paulo

Autoridades de saúde afirmaram nesta quinta-feira que três pessoas nos Estados Unidos podem ter ficado doentes por contaminação pela bactéria Escherichia coli (E.coli), que matou 18 na Europa. As pessoas teriam sido contaminadas em viagem à Alemanha. 

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estão aguardando amostras de sangue antes de confirmar a causa da enfermidade, disse o porta-voz Tom Skinner à France Presse. Os casos suspeitos não foram fatais. 

Mais cedo, foram registrados sete casos de pessoas contaminadas com a bactéria no Reino Unido, sendo três britânicos que recentemente viajaram para Alemanha e quatro alemães. 

E.coli é detectada em caso de intoxicação no Japão

Restaurante onde ocorreram os casos de intoxicação ficará fechado para nova inspeção


A cepa O-157 da bactéria Escherichia coli (E.coli) foi detectada em 15 de 20 pessoas que tiveram sintomas de intoxicação alimentar após comerem em um estabelecimento de uma cadeia de restaurantes de grelhados em Toyama, no Japão, informou nesta quinta-feira o governo local, de acordo com a agência Kyodo News.

Nenhum dos pacientes, que possuem entre 18 e 19 anos e comeram carnes e vegetais no restaurante Gyu-Kaku de Takaoka no começo de maio, está em estado grave. O governo de Toyama conduziu uma inspeção no estabelecimento em 18 de maio, mas não conseguiu detectar a cepa. Autoridades ordenaram o fechamento do local por três dias, a começar nesta quinta-feira.

A REINS International Inc., operadora da cadeia Gyu-Kaku, se desculpou pela intoxicação alimentar, citando a carne bovina australiana como provável origem do problema

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Genoma de E-coli é identificado como uma nova variedade resultante de cruzamento

Segundo cientistas, identificação não significa que possa ser possível conseguir imediatamente uma solução para a crise sanitária

02 de junho de 2011 | 9h 40
Leia a notícia
estadão.com.br e Efe

BERLIM - Cientistas alemães, em coordenação com colegas chineses, conseguiram decifrar o genoma da bactéria Escherichia coli causador da agressiva infecção que provocou até agora 17 mortos na Alemanha e um na Suécia, identificada como uma nova variação resultante de um cruzamento.

REUTERS/Fabian Bimmer
REUTERS/Fabian Bimmer
Identificação não significa que possa ser possível conseguir imediatamente uma solução para a crise

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As conclusões foram divulgadas nesta quinta-feira pela Clínica Universitária de Eppendorf de Hamburgo, a cidade onde explodiu o alarme sanitário e posterior retirada do mercado de pepinos espanhóis, medida finalmente revogada após ser descartado que estes vegetais fossem o foco da infecção.

O variante letal de E. coli é uma combinação entre um "parente muito distante" do variante mais comum da bactéria com outras cepas conhecidas, por isso que se trataria de um cruzamento, não de uma mutação da chamada O104:H4.

No genoma foram identificados agentes classificados pelo bacteriologista Holger Rohde, da Clínica Universitária de Eppendorf, como "clássicos" entre estes dois conhecidos serotipos da bactéria.

A combinação de os elementos dá como resultado um variante muito agressiva, que permanece mais tempo do que o habitual no intestino e provoca, portanto, danos de efeitos mais persistentes, inclusive até mesmo a morte.

Segundo a mesma equipe de cientistas, a identificação do genoma não significa que possa ser possível conseguir imediatamente uma solução para a crise sanitária provocada pela bactéria, já que a interpretação dos dados conquistados pode levar semanas.

A infecção provocou a morte de 17 pessoas na Alemanha e de uma na Suécia. O Instituto Federal de Análise de Riscos em Berlim informou nesta quinta-feira que nenhum dos pepinos analisados (que no princípio foram apontados como a origem da doença) deu positivo para a variante fatal do "E. coli".

"Nenhum dos quatro testes deu positivo para a variante O104:H4 do agente patogênico que foi isolado pelas análises dos sedimentos dos pacientes", disse a porta-voz.

A fonte das infecções continua uma incógnita e os especialistas tentam esclarecer em que ponto da cadeia alimentar ocorreu a contaminação.

Cerca de 2 mil pessoas foram internadas na Alemanha com sintomas da infecção, entre as quais foram confirmados 470 casos de pacientes com a síndrome hemolítica-umérica (SUH), que pode gerar graves deficiências renais levando até a morte.

Os restantes, 490 casos, foram registrados na Suécia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Espanha, todos em pessoas que passaram pela Alemanha.

Enquanto continuam as investigações para saber a origem do foco da infecção, os analistas aconselham à população não consumir pepinos, tomates alfaces, independentemente de sua origem, o que está causando prejuízos milionários ao setor.

Importação. A Rússia anunciou a proibição a partir desta quinta-feira das importações de verduras procedentes de todos os países da União Europeia (UE). A Comissão Europeia afirmou que pedirá explicações ao país, tendo considerado a medida "desproporcional". 

(NA FOLHA):

Surto é causado por tipo "supertóxico" e inédito de bactéria 

Segundo cientistas e a OMS, mutação altamente letal e resistente a antibióticos é responsável pelas infecções

Mortos já chegam a 19, sendo 18 na Alemanha, centro do surto; número de infectados na Europa e EUA é de quase 2.000

O surto infeccioso que já matou 19 pessoas e deixou perto de 2.000 doentes na Europa está sendo provocado por variedade inédita e "supertóxica" da bactéria Escherichia coli (E.coli), disseram cientistas e a OMS (Organização Mundial da Saúde).
A infecção continua a se alastrar: são 11 os países atingidos. Ontem, o Reino Unido confirmou os seus sete primeiros casos. Três são britânicos que estiveram na Alemanha, e os demais são alemães. Com 18 mortos, a Alemanha é o centro do surto.
Cientistas da laboratório de biotecnologia BGI, na China, e do Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf (UKE), na Alemanha, fizeram em conjunto um mapeamento genético preliminar da bactéria.
Eles detectaram uma mutação de duas formas distintas da E.coli, com genes altamente letais, resistentes a antibióticos e que produzem a chamada síndrome hemolítico-urêmica (HUS, em inglês), causa de complicação renal.
"Trata-se de variante que nunca havia sido isolada em pacientes", disse Hilde Kruse, especialista em segurança de alimentos da OMS. Segundo ela, a bactéria contém "várias características que a tornam mais virulenta e a fazem produzir mais toxinas".
Segundo o UKE, cerca de 30% de pessoas infectadas desenvolveram sintomas de HUS, o que é considerado uma proporção altíssima- o usual é entre 5% e 10%.
Autoridades da região de Hamburgo, no norte da Alemanha, onde o surto teve início, chegaram a apontar pepinos de origem espanhola como fonte da infecção. Mas testes praticamente descartaram a suspeita.
Agora, alemães admitem que não só não fazem ideia de qual seja a origem da infecção como acham que nunca vão descobri-la. "Talvez nunca encontremos a fonte exata", afirmou Reinhard Burger, chefe do Instituto Robert Koch, a agência alemã de controle de doenças.
"Tamanho número de casos severos significa que houve imensa contaminação em algum momento", disse Denis Coulombier, chefe do Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças.
"Isso pode ter acontecido em qualquer ponto da cadeia entre a fazenda e o garfo -no transporte, no empacotamento, na limpeza, na distribuição ou nas lojas." Permanece a recomendação de que se evite a ingestão de legumes e hortaliças crus.
A Rússia decidiu proibir a importação de todos os tipos de vegetais frescos vindos da União Europeia, que qualificou a decisão de "desproporcional". Já vigorava um veto russo a legumes da Espanha e da Alemanha.

BRASIL
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que está monitorando a situação e por ora não tomará nenhuma medida adicional em relação aos legumes vindos da Espanha.
O Itamaraty também informou que, no momento, não vê necessidade de uma recomendação sobre o caso.

ANÁLISE

"Personalidade promíscua" da bactéria está na origem de mutações virulentas

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA 

A pequena, ordinária e acima de tudo promíscua Escherichia coli está tendo seus 15 minutos de fama graças a um conjunto de mutações que produziu a cepa letal da Europa. Mas, antes de aprontar a maldade com seres humanos, a bactéria teve de aguentar calada muito desaforo.
A E. coli, como é conhecida, é o principal organismo de pesquisa biotecnológica. Ela tem seu DNA manipulado sem dó para produzir insulina e outras drogas de interesse da humanidade.
É cultivada e vendida aos bilhões a laboratórios. É usada em testes de contaminação de água por fezes (daí a palavra "coliforme fecal"). E seus cromossomos, picados e emendados, permitiram sequenciar o genoma humano.
Essa versatilidade se deve, entre outras coisas, à promiscuidade da E. coli. Por meio de um anel de DNA, o plasmídeo, que salta de bactéria a outra, a E. coli pode contrabandear material genético a bactérias que não são parentes e incorporar genes de outros organismos, como vírus.
Esse mecanismo é chamado transferência horizontal de genes, e é a base da moderna indústria da biotecnologia (que nos deu vacinas e alimentos transgênicos).
Mas a mesma "personalidade" que a torna útil aos geneticistas cria cepas virulentas, como a que causou um surto nos EUA em 2006 e o da Europa neste ano. A E. coli absorve facilmente por transferência horizontal genes resistentes a antibióticos e genes de produção de toxinas.
A análise genômica da linhagem que assusta a Europa também mostrou que ela resiste ao telúrio, elemento usado como antimicrobiano em laboratórios e na indústria eletrônica, cada vez mais presente em solos e água.

Berlim rejeita pânico e paranoia, mas vendas agrícolas têm queda

Alexander Demianchuk/Reuters
e0306201101.jpgComerciante vende vegetais na Rússia, que impôs restrições para importações da Europa 

EM BERLIM

Enquanto cientistas e autoridades fazem trabalho de detetive para descobrir o que é e de onde veio o surto infeccioso que já deixou 18 mortos na Alemanha, Berlim rejeita o pânico e a paranoia.
Em um mercado de produtos orgânicos no bairro classe média alta de Prenzlauer Berg, a vendedora se ofende com a deliberada provocação: "De onde vem o pepino que vocês estão vendendo?".
"Não é da Espanha, é tudo da Alemanha", responde irritada. Lembrada de que os pepinos espanhóis foram "inocentados" e de que não se sabe a fonte de contaminação, rebate: "Mais um motivo para não deixar de consumir".
Um cliente interrompe para opinar que as pessoas não devem se contaminar pelo "medo incutido pela mídia".
Ali perto, numa mesinha, quatro jovens têm os seus pratos cheios de alface, pepinos e tomates crus -fontes potenciais de contaminação. "Nem lembramos que tinha essa bactéria", diz um deles.
Em outro restaurante, a garçonete diz que segue servindo saladas como de costume, mas que a casa retira ingredientes se solicitado.
Mas o clima nas ruas contrasta com números oficiais.
Segundo a consultoria de mercado de produtos agrícolas AMI, na última semana a venda de pepinos caiu 40%. Também sofreu redução a venda de alface (30%), tomate (20%) e pimentão (15%). No norte, onde o surto teve início, 90% da produção corre o risco de ser perdida.

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Fonte:
O Estado de S. Paulo/FOLHA

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