Plano Safra 11/12: Unificação do limite de crédito prejudica produtores, avalia CNA

Publicado em 21/06/2011 07:33 335 exibições
A unificação do limite de crédito de R$ 650 mil para todas as culturas, prevista no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2011/2012 anunciado pelo governo federal, pode prejudicar produtores que colhem mais de uma safra por ano. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas (CNCFO) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), José Mário Schreiner, ao falar sobre a alteração na forma de contratar o financiamento de crédito rural. “Essa unificação prejudica produtor de algodão e milho, por exemplo. Antes, ele podia pegar financiamento para as duas culturas, mas agora ele vai ficar limitado a apenas uma”, afirmou Schreiner, que também preside a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG).

Ele explica que, anteriormente, o limite fixado no PAP variava de acordo com o tipo de lavoura, mas neste ano o teto será de R$ 650 mil para todos os produtores que aderirem ao financiamento. Ou seja, o critério não será mais por tipo de lavoura e sim por CPF. “Além disso, o financiamento da safrinha também ficou prejudicado já que agora o produtor poderá obter crédito apenas uma vez por safra”, disse José Mário Schreiner. Outro ponto negativo mencionado pelo presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA foi a redução do preço mínimo da saca de 60 quilos do feijão em 10%, que caiu de R$ 80 para R$ 72, com o anúncio do PAP 2011/2012. Mas ele também citou medidas importantes no PAP, como a criação de linhas especiais de crédito para a compra de reprodutores e matrizes. Pelo plano, os produtores poderão contratar até R$ 750 mil para adquirir reprodutores e matrizes bovinas e bubalinas. Outro ponto positivo mencionado foi a criação da linha de crédito para a lavoura de cana, de até R$ 1 milhão por produtor.

Já o vice-presidente da CNA e presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL), Carlos Sperotto, lamentou o fato de a cultura de arroz não ter sido contemplada no PAP 2011/2012, o que é preocupante. “É lamentável que no momento em que se ressalta a grandiosidade da agropecuária nacional, um produto tão importante como o arroz fique só nas promessas”, disse Sperotto. Apesar da crítica, o vice-presidente da CNA destacou como positivo no plano a ampliação de 48,2% dos recursos destinados ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o aumento dos limites de custeio e investimento no âmbito do Pronamp, de R$ 400 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Carlos Sperotto destacou, ainda, o aumento de 6% do montante voltado para financiar o custeio e a comercialização da próxima safra. Ao todo, serão R$ 80,2 bilhões, sendo que R$ 64,1 bilhões poderão ser contratados a juros controlados de 6,75% ao ano. O restante, R$ 20,5 bilhões, será destinado ao financiamento dos investimentos.

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Canal do Produtor

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