Café: apesar da queda na semana, os fundamentos permanecem sólidos

Publicado em 17/07/2011 19:23 277 exibições
Análise do mercado de café pelo Escritório Carvalhaes
O agravamento da crise econômica européia e americana dominou o cenário esta semana derrubando ainda mais os mercados, o do café entre eles. Nos EUA, maior economia do mundo, faltando menos de três semanas do prazo final para elevar o teto da dívida, o presidente Barack Obama ainda não chegou a um acordo com o congresso. 

A situação é grave a ponto de acontecerem situações impensáveis até alguns meses atrás. Em um inédito puxão de orelhas, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, principal credor externo americano, declarou: “Nós esperamos que o governo dos Estados Unidos adote políticas e medidas responsáveis para garantir os interesses dos investidores”, enquanto as agências de rating já ameaçam rebaixar a avaliação do país! Na Europa, as atenções se voltaram para a Itália. Nas últimas semanas a possibilidade da crise alcançar este país cresceu fortemente e medidas urgentes estão sendo tomadas para tentar evitá-la.
Nesse quadro, o comportamento dos mercados não poderia ser diferente e as bolsas recuaram. Os contratos de café na ICE Futures US para entrega em setembro próximo caíram 975 pontos na semana, dificultando o andamento dos negócios no mercado físico brasileiro. Apesar de muitos operadores tentarem ligar a queda a possíveis mudanças nos fundamentos, elas não existem. Os fundamentos do mercado de café são sólidos e deverão continuar assim por um longo período. A variável a ser acompanhada é a crise econômica no hemisfério norte e seus reflexos no consumo.
Não é por acaso que o crescimento do consumo de café tem sido mais expressivo nos países produtores, o Brasil à frente, e nos países em desenvolvimento, principalmente do leste europeu. A boa notícia da semana é que a Starbucks, na China há 11 anos, pretende chegar a 2015 com mais de 1,5 mil lojas aberta no país (Valor Econômico).
A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 4.559.795 em 30 de junho de 2011. Uma alta de 133.138 sacas em relação às 4.426.657 sacas existentes em 31 de maio de 2011. (veja a relação dos portos na seção EXTRA de nosso site).
Até o dia 14, os embarques de julho estavam em 532.565 sacas de café arábica, 105.317 sacas de café conillon, somando 637.882 sacas de café verde, mais 93.340 sacas de solúvel, contra 423.118 sacas no mesmo dia de junho. Até o dia 14, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.038.502 sacas, contra 781.563 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 8, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 15, caiu nos contratos para entrega em setembro próximo, 975 pontos ou US$ 12,89 (R$ 20,30) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 8 a R$ 544,73/saca e hoje, dia 15, a R$ 528,25/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 480 pontos.

Comexim estima estoque de passagem no Brasil de 4 mi/scs

Tomas Okuda, da Agência Estado:    
A Comexim, exportadora de café de Santos (SP), divulgou hoje que o estoque de passagem no Brasil está estimado em 4,048 milhões de sacas de 60 kg em 1º de julho passado. De acordo com a empresa, o volume considera o estoque do governo, que está projetado em 2,037 milhões de sacas.
Conforme a exportadora, o aumento do consumo local, estimulado pelo crescimento da economia brasileira, e a alta demanda do exterior, "deixa uma situação (de oferta) muito apertada, especialmente para o primeiro semestre de 2012".
A Comexim informa em comunicado que a previsão do estoque de passagem veio acima do esperado, "especialmente quando se leva em consideração que nos últimos 12 meses as exportações brasileiras de café foram recorde (34,9 milhões de sacas)".
A Comexim estima a safra passada 2010/11 no Brasil em 55,35 milhões de sacas, das quais 40,9 milhões de sacas de arábica e 14,45 milhões de sacas de conillon (robusta). A pesquisa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica safra de 48,1 milhões de sacas (36,8 milhões de sacas de arábica e 11,3 milhões de sacas de robusta).
A colheita da safra atual 2011/12 alcança atualmente cerca de 40% e "é de muito boa qualidade", estima a Comexim. "O padrão climático até o momento nos deixou aliviados por não ter havido uma geada de grandes proporções", comenta o trader da Comexim, John Wolthers. Segundo ele, não há expectativas de novas frentes frias ameaçadoras para os próximos 10 dias. "Vamos esperar que o pior para este ano já tenha passado", diz. Uma vez que esta safra esteja colhida e após as floradas, "vamos voltar nossas expectativas para a safra "generosa" em 2012/13", conclui.
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Escritório Carvalhaes/CNC

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