No Estadão: Anúncio de Obama não afasta incertezas; bolsas europeias despencam

Publicado em 01/08/2011 12:25 293 exibições
No Brasil, a Bovespa também reverteu a alta da abertura para uma baixa de 0,12%. O dólar comercial é negociado a R$ 1,5540, em alta de 0,06%. Em Nova York, as bolsas recuam (em www.estadao.com.br)
Depois de uma abertura positiva, as bolsas na Europa mudaram de tendência e operam em forte queda. Às 11h15 (de Brasília), Frankfurt cai 2,44% e Paris recua 2,10%. Em Londres, a queda é de 0,76%. Madri despenca 2,96% e em Milão, onde as ações de bancos foram suspensas por atingirem limite de baixa, a perda é de 3,36%. Os papéis do Intesa Sanpaolo, em queda de 8,2%, lideravam o declínio.

Algumas pessoas "haviam comprado ações no início do dia, depois do anúncio do acordo para o teto da dívida nos EUA, mas os fundos norte-americanos começaram a vender assim que o mercado de Milão abriu", disse um corretor. "Os investidores estrangeiros estão cansados do governo Sílvio Berlusconi, independentemente do que o primeiro-ministro pense", afirmou outro corretor.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também reverteu a alta da abertura para uma baixa de 0,12%. O dólar comercial é negociado a R$ 1,5540, em alta de 0,06%.

Em Nova York, as bolsas também passaram para o campo negativo após a divulgação de uma queda pior do que a esperada no índice de atividade industrial dos EUA e receios de que as agências de classificação de risco ainda podem rebaixar o rating do país, mesmo após o anúncio de um acordo sobre a elevação do limite de endividamento. A Dow Jones recua 0,17% e a Nasdaq perde 0,17%.

Em julho, o índice de atividade industrial dos EUA, medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM), caiu para 50,9, quando os analistas esperavam um recuo bem menor, para 54,6. Mas mesmo antes da divulgação desse dado, as bolsas já estavam reduzindo os ganhos registrados no início da sessão, com os investidores concluindo que o acordo sobre o teto da dívida não resolve a situação fiscal dos EUA.

"As pessoas estão observando que nós ainda temos muitos problemas pela frente", disse Doreen Mogavero, executivo-chefe da Mogavero, Lee & Co. Além do dado do ISM, "as pessoas estão dizendo que a linguagem utilizada pela Standard & Poor's quase exige que eles rebaixem o rating dos EUA de alguma forma. Isso é algo com que se preocupar", acrescentou.

No mercado de câmbio, os investidores fugiram para a segurança do iene e do franco suíço, que registrou novo recorde ante o dólar e o euro. Além disso, os investidores estão relutantes em apostar fortemente no euro, devido aos receios em relação aos países da periferia da zona do euro, como Espanha e Itália. Às 11h35, o euro caía para US$ 1,4267 e o dólar recuava para 76,60 ienes.

Dívida dos Estados Unidos

Apesar do anúncio do presidente americano, Barack Obama, na noite de domingo, sinalizando um acordo entre democratas e republicanos para elevar o teto da dívida do país - definido por lei em US$ 14,3 trilhões -, os investidores ainda aguardam a aprovação dos termos negociados na Câmara e no Senado. A votação deve ocorrer ainda hoje.

O pacote deve passar sem dificuldade pelo Senado, mas enfrentará um caminho mais tortuoso na Câmara de Representantes onde integrantes do movimento Tea Party já se disseram insatisfeitos com o que foi negociado na noite de domingo. Há oposição também de outros grupos.

O acordo preliminar eleva o teto da dívida, atualmente em US$ 14,3 trilhões, em cerca de US$ 2 trilhões permitindo, assim, que o governo tome novos empréstimos e continue financiando sua dívida até, pelo menos, 2013.

Uma das principais exigências dos democratas é que o novo prazo para revisão do teto não caia no ano eleitoral de 2012.

A contrapartida exigida pelos republicanos prevê cortes no déficit público que podem chegar a US$ 2,4 trilhões ao longo da próxima década.

Segundo as negociações, esses cortes seriam feitos em duas etapas e poderiam exigir a criação de um comitê no Congresso que seria responsável por propor as áreas de onde sairiam os recursos.

Em um primeiro momento, os cortes para os próximos 10 anos ficariam em torno de US$ 900 bilhões. O volume adicional de cortes ainda precisa ser determinado.

O acordo afasta o risco de suspensão imediata de pagamentos da dívida, mas não descarta que a avaliação dos títulos da dívida pública americana seja revista para baixo do atual patamar de nota máxima. O mercado aguarda que as três principais agências de risco se pronunciem sobre o conteúdo do que foi negociado.

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Fonte:
O Estado de S. Paulo

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