Obama assina plano que eleva teto da dívida; EUA está livre do calote

Publicado em 02/08/2011 17:16 448 exibições
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sanciona projeto aprovado no Senado, nesta terça-feira, e na Câmara, nesta segunda; país está livre do risco de decretar uma moratória de sua dívida.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acaba de assinar o projeto que eleva o teto do endividamento do país em 2,1 trilhões de dólares. A informação é da Casa Branca. Com a sanção presidencial, o país está livre do risco de declarar uma moratória de sua dívida. Tão logo o projeto foi aprovado no Senado, nesta terça-feira, a Fitch – uma das três maiores agências de risco do mundo – declarou que o acordo é compatível com orating "AAA", o que significa que, por ora, não haverá mudança na nota americana. A empresa destaca, no entanto, que a decisão não é suficiente para resolver o déficit de longo prazo do país.

Após a aprovação na Câmara dos Representantes nesta segunda-feira, foi a vez dossenadores aprovarem o plano fiscal proposto no domingo pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e por líderes dos partidos republicano e democrata. O mínimo necessário para obter a aprovação era de 60 votos, mas o projeto passou na Casa por 74 votos a favor e apenas 26 contra.

Em discurso após a votação no Senado, Obama declarou que a conquista não esgota os esforços de seu governo por uma melhoria da economia. “A emenda do teto da dívida é apenas o primeiro passo, e exigirá a cooperação dos dois partidos. Temos que criar ambiente favorável para negócios, além de mais empregos, salários mais altos (que incentivam o consumo) e crescimento econômico acelerado”, afirmou.

Proposta – O plano bipartidário prevê elevação do teto do endividamento em 2,1 trilhões de dólares, acima dos 14,3 trilhões de dólares atuais, realizado em três etapas e condicionado à capacidade de corte que o governo demonstrar nos próximos anos.

No tocante à redução das despesas públicas, o projeto prevê um contingenciamento de até 2,4 trilhões de dólares nos próximos dez anos. Os cortes serão aprovados pelo Congresso em duas etapas, sendo 917 bilhões de dólares imediatamente, e 1,5 trilhão de dólares no fim do ano, que seriam definidos por um comitê formado por democratas e republicanos da Câmara e do Senado. Se a comissão não chegar a um acordo sobre pelo menos 1,2 trilhão de dólares em economias, ou o Congresso rejeitar as sugestões, cortes automáticos nesse valor começariam a ser feitos em 2013. A contenção de despesa recairia, assim, igualmente sobre programas domésticos e militares. O Escritório de Orçamento do Congresso estima que o plano, na prática, pode cortar ao menos 2,1 trilhões de dólares.

“Esta não é a proposta que eu escreveria. Não é um motivo para celebrar. No entanto, acredito que nos dará tempo para encontrarmos a solução real do problema”, discursou o senador republicano Mitch McConnell, que teve atuação fundamental na proposição do acordo bipartidário. “Eu reconheço que ainda há muito o que se fazer. Afinal, o plano atinge mais a classe média americana e os mais ricos não contribuem em nada”, afirmou o senador Harry Reid, líder da maioria democrata no Senado, em seu discurso na ocasião da votação. “Nenhum dos lados conseguiu exatamente o que queria. Ambos tiveram de abrir mão de alguns pontos”, emendou Reid.

Mercado

Bolsas mundiais caem, mesmo sem risco de calote

Investidores enfrentam momento de aversão ao risco diante das incertezas que rondam as economias desenvolvidas

Gráfico na Bolsa de Valores de Frankfurt

Acordo não foi suficiente para fazer com que bolsas se recuperassem (Ralph Orlowski/Getty Images)

As principais bolsas europeias, lideradas por Milão e Madri, sofreram nesta terça-feira um novo revés, afetadas pelos últimos desdobramentos da questão da dívida americana e as desconfianças em relação à Itália e Espanha. Nesta manhã, os juros dos títulos da dívida italiana atingiram novo recorde, fazendo todas as atenções se voltarem à saúde financeira do país. Nesta terça-feira também ocorreram a aprovação no Senado do aumento do teto da dívida americana e a sanção do projeto de lei pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – o que evita um calote da dívida americana no curto prazo.

O principal índice da Bolsa de Milão, o FTSE Mib, fechou o pregão desta terça-feira em queda de 2,53%, enquanto o Ibex 35, da Bolsa de Madri, recuou 2,18%. O índice FTSE-100 dos principais papéis da Bolsa de Londres caiu 0,97%; o DAX, da Bolsa de Frankfurt, cedeu 2,26%, enquanto o CAC 40, principal índice da Bolsa de Paris, perdeu 2,27%.

O fechamento tumultuado dos pregões europeus foi seguido pelo mercado americano, que teve um desempenho pior que o verificado nos dias de tensão que precederam o acordo. O estresse dos mercados dá-se também pela queda de 0,2% no consumo das famílias americanas – dado divulgado nesta manhã pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos. A expectativa era que houvesse uma alta de 0,1% em junho. O Dow Jones estava negativo em 1,31%, enquanto os índices Nasdaq e S&P 500 caíam 0,43% e 0,41%, respectivamente, nesta tarde.

Nem mesmo a afirmação da agência de classificação de risco, Fitch, sobre a manutenção, por ora, da nota AAA para a dívida americana foi suficiente para acalmar as bolsas mundiais. Na BM&FBovespa, em São Paulo, o Ibovespa, principal índice da bolsa, recuava 1,19% às 15h30.

Risco

Fitch mantém AAA para dívida americana, mas faz alerta

Para a agência de rating, a decisão do governo americano de elevar teto da dívida é positiva, mas não esgota debate sobre o déficit de longo prazo

Notas de dólar

Agência Fitch ressalta que fundamentos da economia americana ainda são fortes (Joe Raedle/Getty Images)

A agência de classificação de risco Fitch afirmou nesta terça-feira, em nota, que pretende concluir a revisão do rating (nota) soberano dos Estados Unidos no final de agosto. A agência acrescentou que o acordo para redução do déficit orçamentário e aumento do limite de endividamento aprovado pelo Congresso norte-americano é um passo na direção certa, mas ainda precisarão ser feitas escolhas difíceis para diminuir o buraco nas contas públicas.

"O aumento no teto da dívida e o acordo sobre os parâmetros gerais do plano de redução no déficit dão suporte à perspectiva da Fitch, de que apesar da intensidade e do teatro de discurso político nos EUA, há desejo político e capacidade para, no fim das contas, ser feita a coisa certa. Na opinião da Fitch, o acordo é um primeiro passo importante, mas não o fim do processo que levará a um plano confiável para reduzir o déficit orçamentário a um nível que garanta o rating AAA dos EUA no médio prazo", disse a agência.

A agência afirmou também que "os fundamentos econômicos e financeiros que dão suporte ao rating AAA dos EUA ainda são fortes". Segundo a Fitch, "os balanços e a lucratividade do setor corporativo são saudáveis, o crescimento subjacente da produtividade ainda é relativamente robusto, e o dólar continua ocupando a posição de moeda de reserva global".

No final do comunicado, no entanto, a Fitch alertou que, segundo as tendências atuais, a dívida dos EUA – levando em conta municípios, estados e governo federal – deve atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final de 2012 e continuará a subir no médio prazo, "perfil que não é consistente com a manutenção do rating AAA". No início de junho, a Fitch alertou que o rating dos EUA seria colocado em observação para potencial rebaixamento se o país não aprovasse até dois de agosto um plano para reduzir o déficit orçamentário e elevar o limite de endividamento.


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veja.com.br

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