Análise: Apesar do pânico, fundamentos para agrícolas permanecem firmes

Publicado em 04/08/2011 18:51 e atualizado em 05/08/2011 09:40 585 exibições
Acompanhem o relato de João Carlos Kopp, operador de mercado, sobre as consequencias do pânico do mercado financeiro sobre as commodities agrícolas:
Boa tarde prezados,

Estou tentando manter a percepção mais imparcial possível, na tentativa de auxiliar ao máximo a comercialização da soja de vocês. Afinal, como uma produtura comentou na última reunião, é natural que agüentemos 10 altas seguidas mas nas primeiras quedas a situação fique desconfortável e liquidemos nossas posições.

Com as quedas generalizadas de hoje (quinta-feira, 4/agosto/2011) nos mercados acionários ao redor do mundo, o mercado agrícola sucumbiu e acompanhou a queda "de uma certa forma mais comportada e embasada nos fundamentos que são muitos sólidos".

Hoje uma empresa de consultoria (Informa Economics) divulgou dados de menor produtividade nas lavouras de soja nos EUA, devido a uma queda brusca na produção. Este é um fator que trará boa sustentação aos preços mais à frente.

Ainda não achei uma resposta de quanto tempo o mercado pode ficar pressionado e o quanto irá impactar nas commodities, mas o fato é que a situação é bem diferente da de 2008.

Em 2008 tínhamos posições alavancadas muito grandes e, como comentei na nossa reunião, o mercado de soja está longe de ter as mesmas posições. Outro ponto positivo é o fundamento, que é muito sólido, com estoques em níveis muito mais baixos que no ano de 2008.

A situação já não está tão confortável, mas a soja Maio/12 está acima dos U$ 13.00 e U$13,50 que são pontos muito importantes.

Agora, um breve panorama da situação global, mas nada diferente que não tenhamos conversado antes:

1º  - Efeito dominó na Europa. O processo foi desencadeado pela Grécia, um país pouco representativo financeiramente no bloco europeu. Porém mostrou toda a fragilidade do Euro.

Faço aqui uma analogia bem simples com uma família:  na criação do Euro alguns países foram “engolidos” mas não “digeridos” pelos “irmãos ricos” (Alemanha, França e Inglaterra), e até Itália que há poucos anos atrás tinha uma economia considerada muito sólida. Pois bem, esses irmãos ricos tiveram que assumir as contas do “irmão gastador” de pouca renda.

Para piorar, agora, além de assumir as contas, os irmãos ricos vão receber menos pelas dívidas gregas e ainda terão que dar mais dinheiro para uma tentativa de não permitir o irmão pobre ir para o buraco de vez.

Bem, se a maior parte da dívida européia está concentrada na mão dos bancos europeus e dos próprios países, fica um pouco difícil a recuperação das economias; os credores se tornam devedores e não existe a criação de novas riquezas.

2º -  Teto da dívida americana, como todos esperávamos a elevação do teto da dívida foi aprovado e no limite do prazo. A pressão que o partido de oposição fez em recusar por inúmeras vezes os planos da situação, teve um único motivo, em minha opinião: desgastar a imagem do presidente Obama; mas no final das contas o tiro sai pela culatra: não me recordo no autor da frase, mas ela expressa bem o sentimento do mercado.

“Os EUA arranharam a sua reputação internacional com a demora na solução da questão da dívida”.

Concordo plenamente com ela pelo fato que outras 10 vezes na história ocorreu o aumento do teto da dívida, e alguém se lembra de alguma delas? Ou de um impacto tão negativo nos mercados? Eu não lembro.

3º - Petróleo: Com fluxo especulativo muito grande na commoditie, acompanhamos um preço inflacionado do petróleo, que, ao meu ver, estava com preços na expectativa de dados de crescimento expressivos nas economias globais. Pois bem, hoje o petróleo volta para baixo dos níveis de U$90,00/barril...

Como já citei inúmeras vezes, o petróleo é a commoditie-mãe, e parece que a mãe está voltando a níveis “mais justos”, ao meu ver U$ 80 / U$85,00.... e esses valores trazem boa pressão nos preços das demais commodities.

4º  - Brasil: Com uma das taxas de juros mais alta do mundo, muito atrativa a investidores estrangeiros, atraindo consequentemente uma enxurrada de dólares em nossa economia, provocando grande valorização da nossa moeda e, consequentemente, perda do potencial exportador. Bem essa história já está muito batida, e não adianta o governo sobretaxar de dólar no mercado futuro. Acredito que a causa do maior fluxo não é esse, e sim da enorme quantidade de dólares na economia comprando nossos títulos e recebendo bons rendimentos.

5º - Fundamentos no mercado Agrícola: continuam os melhores dos últimos 15-20 anos em especial nos grãos, com grandes problemas e incertezas na produção norte Americana e demanda muito firme.

Soja 04/08/2011
Novembro/11: 13,45 -2,0%
Maio/12: 13,656 -1,7%
Tags:
Por:
João Carlos Kopp
Fonte:
POA

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