Produtores rurais perdem com falta de mão de obra qualificada no campo

Publicado em 24/08/2011 11:40 291 exibições
Setor agropecuário teve aumento de quase 16% na oferta de empregos, maior taxa de vagas registrada no primeiro semestre deste ano no Brasil.
Sobra trabalho e falta gente qualificada no campo. Estes são os principais fatores que levaram o setor agropecuário a registrar a maior taxa de vagas de emprego no primeiro semestre deste ano no país. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que houve um aumento de quase 16% na oferta em relação ao mesmo período de 2010.

O produtor rural Odair Schaefer trabalha com pecuária leiteira em Pantano Grande, a 120 quilômetros de Porto Alegre (RS). A propriedade tem 55 vacas que dão em média 25 litros de leite por dia, e fazer a inseminação na hora certa ajuda a evitar perdas na produção. Mas foram quase dois anos procurando um profissional que fizesse esse trabalho. Odair cansou de esperar.

– Eu tive que pegar um funcionário, botar ele em um curso. Então, hoje eu estou bem, tenho um funcionário que insemina. A vaca está no cio, ele leva em casa e insemina. Antes disso, passava muito o cio, porque o veterinário uma hora estava para um lado, outra hora estava para outro, não conseguíamos inseminar, aí tínhamos que esperar 21 dias para voltar o cio e inseminar – diz Odair Schaefer.

A falta de mão de obra sempre foi comum nos grandes centros urbanos. Agora, o campo também enfrenta esta dificuldade, até com vagas que antes eram facilmente preenchidas.

– Encontramos dificuldade também na área de plantio de arroz e colheita. Aguador de lavoura, que é o pessoal mais antigo que faz essa função, é uma dificuldade de encontrar. Então, quem consegue um aguador de lavoura, vamos dizer assim, tirou a sorte grande, porque quando chega a época do plantio são disputadíssimos os poucos que ainda restam – declara Vilce Leão, presidente dos Trabalhadores Rurais de Pantano Grande.

Em relação ao primeiro semestre do ano passado, a oferta de vagas no setor agropecuário aumentou 15,8%, enquanto o setor de serviços registrou taxa de quase 4% e a indústria de transformação 3,2%. Foram geradas 235 mil vagas para trabalho no campo.

Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetag), o crescimento da oferta se deve, principalmente, ao grande número de jovens que deixam o interior para viver nas cidades. Mas, a dificuldade para preencher as vagas também é influenciada por outros fatores.

– Das principais razões para a falta de empregado no campo, uma delas é o baixo  salário pago. Tem que haver também uma conscientização dos empregadores para incentivar os cursos de qualificação – fala Eloy dos Santos Leon, assessor assalarial da Fetag.

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Canal Rural

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