Agricultores e ministro concordam com a reclassificação de porte e criação de um programa específico para financiamento do cerra

Publicado em 15/09/2011 16:23 335 exibições
Representados pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), os produtores rurais do Oeste da Bahia reuniram-se ontem (14) com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, em Brasília para tratar das mudanças relativas à concessão de crédito para grandes empresas e produtores pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE, cuja composição percentual deverá ser alterada, reduzindo os recursos destinados para esta categoria de 35%, para 20%. Os agricultores do cerrado baiano defenderam junto ao ministro a manutenção dos 35% e a equiparação da classificação de porte do FNE à adotada pelo BNDES, pela qual muitas empresas hoje categorizadas como Grandes, seriam reposicionadas como médias e pequenas. O ministro sinalizou com a possibilidade desta equiparação em curto prazo, e endossou o pleito dos produtores para que fosse criado um programa específico para financiar o custeio agrícola do cerrado.

Na ocasião, a Aiba apresentou ao ministro da Integração Nacional o trabalho de Responsabilidade Social desenvolvido em parceria pela Associação e o Banco do Nordeste, o Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia – Fundesis, e também convidou o ministro para conhecer a região, seu desenvolvimento agrícola, social e ambiental.

Participaram da reunião o presidente da Aiba, Walter Horita, o vice, Sérgio Pitt, o presidente do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio Algodão, Ademar Marçal, o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Humberto Santa Cruz, além do staff técnico do Ministério e da Aiba.

De acordo com Fernando Bezerra Coelho, a reclassificação das categorias de porte do FNE pelos parâmetros do BNDES, e o direcionamento das operações de grandes empresas, como as automotivas, as petroquímicas, as eólicas, dentre outras, para o BNDES, vão desonerar o FNE, ampliando o acesso das mini/micro, pequenas e médias empresas e produtores a este fundo. “Assim, vamos orientar o crédito para o empreendedor local”, explicou o ministro, que concordou com a argumentação da Aiba de que é necessária a criação de um programa de financiamento do cerrado do Nordeste com funding liderado pelo BNB.

“O momento é oportuno, as commodities estão em alta, a demanda por alimentos cresce no mundo e o agricultor do cerrado tem capacidade e tecnologia para investir e crescer, no sentido de atender a esta demanda”, argumentou o presidente da Aiba, Walter Horita.

 

Saldo positivo

 

O vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt, avaliou o encontro como muito positivo. “A reclassificação, que, segundo o ministro, deve acontecer em breve, já garante um fôlego extra para o BNB atuar no agronegócio regional. Além disso, constatamos um alinhamento de visão que é muito importante para o desenvolvimento do setor”, disse. Pitt lembrou, ainda, a importância da participação do Banco do Nordeste na consolidação da região. “Na fase inicial da ocupação do cerrado baiano, o banco, junto com a Aiba, criou um Fundo de Aval para garantia das operações. Esta parceria foi se consolidando e hoje o ativo do banco na região é superior a R$1 bilhão, sendo R$450 milhões de custeios e 550 milhões de investimentos”, afirmou o vice-presidente. Para custeio dos 1,83 milhão de hectares da região Oeste são necessários R$3,43 bilhões, para uma produção de 6,7 milhões de toneladas. Já para os 2,65 milhões de hectares da região do MAPIBA são necessários 4,7 bilhões de reais, para uma produção de 9,4 milhões de toneladas, tornando o Nordeste autosuficiente, com excedentes exportáveis, criando empregos e distribuindo renda.

 

 Responsabilidade Social

 

O Fundo para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Bahia – FUNDESIS foi instituído em 2006, e é fruto de uma parceria entre a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia - Aiba e do Banco do Nordeste do Brasil - BNB, e visa a conceder apoio financeiro a projetos que incentivem o desenvolvimento sócio-econômico do Oeste da Bahia.

 Os recursos vêm do direcionamento de 0,40% sobre os valores contratados pelo BNB em operações de crédito rural de custeio e investimento em todas as agências instaladas na região Oeste da Bahia, por adesão do tomador, para este Fundo, que pode, também, receber repasses de cooperativas de produtores, dos recursos do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Sociais (FATES), através de convênios. Além disso, pode receber contribuições espontâneas de outras pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas, e de entidades interessadas em colaborar para consecução dos objetivos do Fundesis, rendimentos de aplicações de seus ativos financeiros e outros pertinentes ao patrimônio sob sua administração, bens e serviços adquiridos, doações e heranças.

 Em cinco anos de existência, já foram investidos mais de R$ 1.3 milhão em 29 projetos, contemplado 19 entidades de seis municípios do Oeste da Bahia - Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Angical, Tabocas do Brejo Velho, Correntina e São Desidério.

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Aiba

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