Inflação continua em alta e se espalhando, apesar de crise internacional

Publicado em 21/09/2011 10:39 e atualizado em 21/09/2011 15:25 567 exibições

Inflação continua em alta e se espalhando, apesar de crise internacional

Por Pedro Soares e Mariana Schreiber, na Folha:
A inflação ainda não deu sinais de desaceleração em resposta à crise internacional, conforme as previsões do Banco Central. A prévia do índice oficial de setembro mostrou que os preços continuam subindo -e se espalhando mais por diferentes itens. O IPCA-15, medido pelo IBGE, subiu 0,53% e bateu as expectativas do mercado. Os reajustes de alimentos, combustíveis, vestuário e passagens aéreas pressionam o indicador do mês, e tornam ainda mais distante o alcance da meta do Banco Central, de 4,5% no ano, com margem de variação de até 6,5%.

Nos 12 meses encerrados em 15 de setembro, a inflação está em 7,33%, maior marca da série, iniciada em 2008. Segundo analistas, o alimentos sobem por conta da entressafra e do consumo em alta. Mas tendem a perder força nos últimos meses do ano. Ao explicar sua decisão de reduzir os juros para 12% no fim de agosto, o BC explicou que a estabilidade dos preços internacionais de grãos, como soja, milho e outros, ajudaria a controlar a inflação. Tal efeito não se fez sentir ainda nos preços domésticos. Para a analista Laura Hiray, do Itaú, a inflação nos próximos meses continuará pressionada por conta da entressafra de alimentos, da troca de estação, que afetará os preços do vestuário, e de problemas climáticos, que afetarão o plantio da cana de açúcar e a oferta de álcool. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Brasil crescerá menos do que vizinhos e do Brics, e dívida preocupa, diz FMI

O Brasil deve crescer abaixo da média da região, do mundo e dos Brics nos próximos dois anos, e estará especialmente vulnerável em termos fiscais, alertou o FMI ontem. Enquanto o Brasil avançará 3,8% e 3,6% neste ano e no próximo, seus vizinhos sul-americanos avançarão entre 3,5% e 5,5%. Já os demais Brics (Rússia, Índia e China) crescerão 4,3%, 7,8% e 9,5%, respectivamente, neste ano. O Fundo também adverte que é preciso monitorar de perto sinais de superaquecimento da economia. Mas alerta que o cenários nos diferentes países em desenvolvimento é variado demais, e que políticas fiscais devem ser adotadas caso a caso.

A situação brasileira na questão da dívida requer especial atenção. “Algumas economias emergentes com nível de endividamento relativamente alto, como o Brasil e o Paquistão, devem enfrentar necessidades de financiamento comparáveis às de economias avançadas”, diz o relatório de monitoramento fiscal. Segundo a análise do FMI, o nível de endividamento nas economias avançadas, em 2016, pode aumentar em 13,6% do PIB -países como Grécia e Itália experimentariam um aumento próximo a 20%. Já no Brasil e em alguns países do Leste Europeu, afirma o fundo, o salto pode ser de 10%.

Por Reinaldo Azevedo

O Apedeuta canta as próprias glórias na Universidade Federal da Bahia. E trata láurea com certo desdém

Estudantes da Universidade Federal da Bahia organizaram um protesto no dia em que o Apedeuta recebeu da instituição o título de doutor honoris causa. Para variar, Lula deu um jeito de elogiar um pouco mais do que já o estavam elogiando e ainda tratou com desdém a láurea com que lhe puxaram o saco. Recebi algumas fotos das instalações da UFBA. Estou enfrentando alguns problemas técnicos para publicá-las. Mas chego lá. Leiam o que informa Tiago Décimo no Estadão Online. Volto depois.

Estudantes da UFBA protestam em homenagem a Lula

Foi sob protestos de um grupo de cerca de 100 estudantes ligados ao Diretório Central da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no início da tarde de hoje, o título de doutor honoris causa da instituição. O grupo chegou ao prédio da reitoria da instituição para cobrar aumento para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) o montante a ser obrigatoriamente investido em educação no País.

Como não havia espaço no salão onde ocorria o evento, os estudantes tiveram de ficar do lado de fora. Depois, conseguiram entrar no salão, onde acompanharam o fim das homenagens a Lula e voltaram a gritar palavras de ordem - enquanto pegavam autógrafos do ex-presidente nos próprios cartazes nos quais estavam escritas as reivindicações.

“Essa é uma reivindicação nova”, disse Lula. “Até outro dia, os estudantes falavam em 7% (do PIB) - o que foi colocado no plano de governo da presidente Dilma (Rousseff) até 2014. Eu até brinquei, dia desses, que se fizessem essa reivindicação antes, enquanto eu era presidente, talvez a gente tivesse atendido.”

Para Lula, é natural que o montante do PIB destinado à educação cresça gradualmente. O ex-presidente, porém, disse que seu governo conquistou “muitos avanços” na área. “Nós fizemos 14 universidades federais novas, 126 extensões universitárias, 214 escolas técnicas, um Reuni e ainda o Prouni”, enumerou. “Ainda é preciso fazer muito para a educação chegar aonde a gente quer. Nós não queremos continuar sendo apenas exportadores de produtos in natura ou de commodities. Nós queremos ser exportadores de conhecimento, de inteligência.”

Sobre a condecoração oferecida pela UFBA, Lula disse já ter aceitado 67 títulos como esse. “E vou continuar aceitando os que me forem oferecidos”, afirmou. “Certamente existe uma parcela da elite retrógrada deste País que não se conforma. Se eles souberem que vou receber, no dia 27, o título de doutor honoris causa da Sciences Po Paris (Instituto de Ciências Políticas de Paris) é que eles vão ficar doentes. Eu serei o primeiro latino-americano a receber esse título.”

Livro
Durante seu discurso, Lula também disse ter a intenção de fazer um livro sobre seu governo. “Todo ex-presidente que acaba de deixar o mandato em seis meses está com um livro pronto”, brincou. “Eu resolvi que não era correto eu mesmo fazer um livro, porque o livro de um ex-presidente nunca vai ser verdadeiro. Não sei se vocês leram o livro do (ex-presidente americano Bill) Clinton. A Monica Lewinsky (estagiária com quem Clinton teve um caso) não está lá. Um livro meu também não ia contar tudo - e eu não ia fazer um livro para contar apenas o que vocês já leram no jornal.”

Voltei
“Elite retrógrada” é todo mundo que não concorda com ele. José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá são, evidentemente, “elite progressista”. Não vai ele mesmo escrever o livro? Não brinque! Nem poderia, não é? Com quais instrumentos? Esse doutor de múltiplos títulos só é mesmo especialista na arte de falar bem de si mesmo — e em linguagem de palanque.

A referência a ex-presidentes que escrevem livros, obviamente, nada tem a ver com Clinton. Está tentando dar uma cutucada na sua obsessão: FHC — que não assinou nenhuma auto-indulgência, não. Organizou, sim, memórias e não driblou nenhum assunto espinhoso. O tucano escreveu também “Cartas a Um Jovem Político - Para Construir um País Melhor”, tratando de temas que remetem à política como ciência e à sociologia. Nem que quisesse, Lula conseguiria.

Quanto a contar tudo… Vai dizer a verdade sobre o mensalão? Vai revelar como um dos filhos, monitor de jardim zoológico quando ele chegou à Presidência, enricou como empresário, depois de receber a “colaboração” da então Telemar? E os bastidores dos aloprados, a maioria composta de amigos seus, gente de sua confiança?  Saberemos, finalmente, detalhes da operação sórdida? Tenham paciência!

De resto, notem que ele trata com certo desdém a láurea de hoje. O que, segundo ele, deixará os adversários furiosos é o título da universidade francesa. Que sirva de lição aos áulicos. Lula nunca acha que lhe puxam o saco o bastante, com uma sujeição compatível com a sua grandeza. Já fiz uma certa especulação psicanalítica sobre esse comportamento.  Lula é tão autocentrado que deve sentir inveja daquilo que ele imagina que seja o… Lula! Ele é o seu grande ídolo. Ele é a sua grande referência! A sua oceânica ignorância não lhe permite enxergar nada além do próprio nariz.

Por Reinaldo Azevedo

Flagrantes do estado de conservação da Universidade Federal da Bahia, que concede hoje ao Apedeuta o título de doutor “honoris causa”. Faz sentido! Ou: A obra de Fernando Gugu Dadá Haddad

Lula recebeu hoje o título de doutor hororis causa da Universidade Federal da Bahia. Batizei a láurea de “doutor Honoris Apaídeutos Causa” e lembrei que a UFBA enfrenta os mesmos problemas de infraestrutura das suas congêneres federais, embora exista um silêncio quase sepulcral a respeito na imprensa, que compra a balela de que os petistas expandiram enormemente o ensino federal. Os números provam que não.

Tirei um sarrinho porque, embora Fernando Haddad fique inaugurando os campide papel e saliva por aí, muitas unidades estão caindo pelas tabelas. Mais: parte dos funcionários da UFBA, a exemplo do que ocorre em mais da metades das instituições federais (universitárias e técnicas), está em greve há quase quatro meses.

Houve um fulano que ficou bravinho. Recorreu a um site financiado pelo oficialismo para me atacar. Pesquisei um pouco e descobri que é ligado ao “partido” e conseguiu, ora vejam!, verba especial para criar um “laboratório” ligado a estudos de “mídia”, que tem até prédio próprio. Estou apurando detalhes. Mas já deu pra sentir a “independência” dos que ficaram irritados com o meu post, não é mesmo?

Abaixo, seguem algumas imagens de uma das faculdades da Universidade Federal da Bahia, a Escola de Belas Artes. É o método petista de gestão. Enquanto quem é da turma ganha verba para “projetos especiais”, quem não é vai lidando com o que tem. As imagens, que me foram enviadas por um professor — omitirei o nome para evitar retaliações —, falam por si mesmas. Foram feitas nesta terça.

Tirem as crianças de perto do blog. Agora, a Universidade Federal da Bahia de verdade. A Escola de Belas Artes fica ao lado da reitoria, onde o Apedeuta recebeu o título. Alunos me contam que havia batedores da Polícia Militar e que um helicóptero sobrevoou a universidade. Era, enfim, o chefe do estado petista. A situação de conservação nas demais unidades não é muito diferente.

Equipamentos de carpintaria e marcenaria sucateados vão sendo deixados pelos corredores

Equipamentos de carpintaria e marcenaria sucateados vão sendo deixados pelos corredores

Salas de aula tiverem seus vidros quebrados e sem vidro ficaram

Salas de aula tiverem seus vidros quebrados e sem vidro ficaram

Lixo e sucata se espalham no entorno da faculdade e... da reitoria

Lixo e sucata se espalham no entorno da faculdade e... da reitoria

Os caminhos pelos quais transita a educação na UFBA

Os caminhos pelos quais transita a educação na UFBA

Aqui, um exemplo de zeladoria e rigor: ambiente agradável...

Aqui, um exemplo de zeladoria e rigor: ambiente agradável...

Este prédio, ao lado da faculdade, está em construção há um ano...

Este prédio, ao lado da faculdade, está em construção há um ano...

Reparem na instalação elétrica: título honoris causa para o eletricista

Reparem na instalação elétrica: título honoris causa para o eletricista

Um orelhão; se olharem bem, há um adesivo ali com um número: ligue... 13133

Um orelhão; se olharem bem, há um adesivo ali com um número: ligue... 13133

Eis a biblioteca da Escola de Belas Artes, com livros empilhados nas carteiras. Já foi assaltada duas vezes só neste ano

Eis a biblioteca da Escola de Belas Artes, com livros empilhados nas carteiras. Já foi assaltada duas vezes só neste ano

Como se nota, tudo remete a uma manutenção rigorosa e segura

Como se nota, tudo remete a uma manutenção rigorosa e segura

Por que Lula não mereceria o título de doutor honoris causa? É justo! É justíssimo.  Fernando Haddad quer ser prefeito de São Paulo. Ele promete fazer isso com a cidade.


Por Reinaldo Azevedo

Lula já percebeu que a eleição em São Paulo será decidida à direita. E seus adversários? Terão percebido a natureza do jogo?

Dono de uma ignorância que chega quase a comover, Lula é. Mas burro? De jeito nenhum! Se não fosse preguiçoso, poderia ter aliado cultura à sua notável inteligência. E sabe ser autoritário como poucos, ou como ninguém, na política brasileira. Leiam o que segue abaixo. Volto em seguida.

Para Lula, nome novo e alianças podem garantir vitória do PT em SP em 2012

Por Tiago Décimo, no Estadão Online:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que gostaria que seu partido “inovasse” na escolha do candidato à Prefeitura de São Paulo. “Eu defendo a tese de que é importante que a gente comece a lançar pessoas novas nas eleições”, afirmou nesta terça-feira, 20, em Salvador, onde recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Lula destacou ainda a importância de formar alianças fortes com outros partidos e encontrar um vice como José Alencar. “Vale para São Paulo o que valeu para mim”, disse ao se lembrar da coligação de sua candidatura à presidência.

“Para mim, se for a Marta Suplicy, se for o Jilmar Tatto, se for o (Carlos) Zarattini, eu vou estar na rua fazendo campanha, mas eu gostaria que o PT inovasse.” Segundo o ex-presidente, apesar de a senadora e pré-candidata Marta Suplicy aparecer com 30% nas pesquisas de intenção de voto, o montante não é suficiente para garantir favoritismo na escolha do candidato do partido. “A Marta sempre será uma forte candidata, ninguém pode dizer que alguém que começa a corrida com 30% é fraca, mas nós sempre tivemos 30% dos votos em São Paulo”, disse. “Nós ganhamos com a Luíza Erundina em 1988 com 30%, nós ganhamos com a Marta com 30%, depois nós perdemos com a Marta e com o Aloísio Mercandante, com 30%. Então o PT tem 30% em São Paulo quem quer que seja o candidato.”

Para Lula, a formação de alianças políticas deve determinar uma possível vitória de seu partido na capital paulista. “Minha tese é que nós precisamos construir os outros 20%”, avalia. “Nós precisamos encontrar o nosso José Alencar da capital, em uma composição política com outros partidos que possam dar os 20% de votos que nós precisamos.”

Voltei
Coloquem depois, se quiserem, na área de procura do blog as palavras “PT, três terços, petista, antipetista” (sem aspas e vírgulas) ou joguem todas elas no Google associadas a meu nome, e vocês verão quantos artigos já escrevi tratando justamente da teoria dos… três terços. Que não vale só para São Paulo, não. Pode valer para o Brasil. Um terço do eleitorado votará sempre no PT. É a turma da esquerda e congêneres — “congêneres de esquerda” são os incompetentes que consideram que a culpa da sua incompetência é sempre alheia; vota no PT na esperança de que a vida de seus inimigos piore…. Os mais radicais migram para esquisitices como PSOL, PSTU etc, mas será sempre um voto marginal, que se situa no extremo da banda esquerdista. Um terço tende a votar contra o PT: ou repudia a esquerda (a minoria, que se identifica com a direita) ou não gosta (a maioria) da parolagem petista e já percebeu que essa gente não fala o que pratica e não pratica o que fala.

Quem define a eleição é o outro terço, os que não são ideologicamente posicionados — sim, os pobres e muito pobres estão nesse grupo; daí que o Bolsa Família, organizado como clientela, tenha um peso importante na eleição. O mapa eleitoral o demonstra. A disputa sempre se dará neste terço que é, em princípio, neutro. A balança penderá, por óbvio, para onde ele for.

E aí está uma das razões das sucessivas derrotas presidenciais. Ai daquele que enfrentar Lula tentando granjear simpatias à esquerda, buscando mimetizar o discurso petista! Vai quebrar a cara. Em São Paulo ao menos, os adversários do PT não têm cometido esse erro. E é importante que não cometam. Lula quer Fernando Haddad como candidato porque, embora ele seja, digamos, ideologicamente mais preparado do que Marta Suplicy, não traz o peso do petismo militante, que ela, mesmo vinda da Dona Zelite, carrega. Mais: notem a insistência de Lula em ter um vice com um perfil mais conservador, um “José Alencar” municipal — o nome dos sonhos, evidentemente, é Gabriel Chalita… A mistura beira o enjoativo — é muto gugu-dadá numa chapa só! —, mas pode funcionar.

ATENÇÃO: LULA PERCEBEU QUE A DISPUTA EM SÃO PAULO VAI SER DECIDIDA À DIREITA. Sim, será preciso acenar com todos aqueles programas disso e daquilo, com muitas maquetes, aquele showroom de empreiteiras que marca todas as disputas eleitorais Brasil afora. Mas a disputa vai se decidir mesmo, como se tem decidido, é na guerra de valores. Só para não deixar solto um fio que enunciei acima: isso que a esquerda chama “povo”, mesmo os que são presas hoje do assistencialismo, tem um perfil conservador.

Lula notou que é mais fácil construir uma candidatura com essas características partindo do quase zero do que remodelar a imagem de Marta Suplicy. E, nesse particular, do seu ponto de vista, tem mesmo razão. Os petistas vêm para tomar os votos conservadores de seus adversários. Podem apostar: há uma chance de a campanha petista falar uma linguagem mais à direita do que a de qualquer um de seus adversários. Em 2002, mesmo com todo aquele emocionalismo de Duda Mendonça, a sintaxe era de esquerda. Em 2006, já não era mais. A campanha de Dilma em 2010 foi verdadeiramente conservadora. No mundo inteiro, partido que disputa a eleição centrado na plataforma do consumo e na conquista de bens materiais está deixando de lado a utopia esquerdopata.

Um terço votará contra o PT, e um terço votará a favor. Que discurso os adversários do partido farão para não permitir que o outro terço caminhe para os braços do inimigo? Se resolverem vir com patacoada esquerdizante, falando a linguagem do “social”, podem esquecer! O PT é uma espécie de monopolista desse esperancismo oco. Não se ganham 10 votos assim. Os petistas tentarão se comportar como conservadores críveis. A falácia terá de ser desmontada. De todo modo, para a tristeza de esquerdistas sérios (ou melhor: que levam a sua ideologia a sério), os valores considerados de direita definirão o jogo.

Autoritário
Lula comanda mesmo um partido que é uma caricatura circense do velho bolchevismo e seu centralismo democrático. Vejam com que ligeireza ele descarta Marta Suplicy e defende o novo, como se pudesse haver algo mais velho do que o dono da legenda decidir, como ele está fazendo, quem será e quem não será candidato.

Imaginem se derrota fosse critério para não mais disputar eleição. O Babalorixá perdeu uma para o governo de São Paulo e três para a Presidência. Sem cargo, continua dono do partido. Em matéria de Lula, Lula não pensa em renovação.

Por Reinaldo Azevedo

Neto de Covas entra na briga por prefeitura

Por Daniela Lima, na Folha:
Apontado como o candidato do governador Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo, o secretário estadual Bruno Covas (Meio Ambiente) disse ontem à cúpula do PSDB que vai transferir seu título eleitoral de Santos para a capital paulista. A mudança de domicílio eleitoral é um requisito para que ele possa concorrer à eleição paulistana. Por isso, a decisão foi encarada como um sinal de que ele vai mergulhar na disputa interna pela candidatura do PSDB à sucessão do prefeito Gilberto Kassab. Outros três tucanos se colocam como pré-candidatos.

Além de Covas, os secretários estaduais José Aníbal (Energia) e Andrea Matarazzo (Cultura), e o deputado federal Ricardo Trípoli são pré-candidatos pelo PSDB. Na noite de ontem, depois de conversar com líderes da sigla, Bruno Covas foi à residência oficial do governador comunicá-lo de sua decisão. Apesar do favoritismo na ala alckmista do PSDB, a entrada de Covas no cenário eleitoral não comprometerá a realização de prévias dentro do partido. Não há entre os outros pré-candidatos disposição de recuar em favor da candidatura dele . E para evitar um racha, Alckmin continuará defendendo as prévias. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Neocoronelismo urbano - Campanha de Ana Arraes ao TCU ganha apoio de “tropa de choque”

Do Valor. O título é meu.
Na véspera da votação que vai escolher o nome indicado pela Câmara dos Deputados para ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), a campanha da deputada Ana Arraes (PSB-PE) ficou ainda mais agressiva.

Na sessão desta terça-feira da Comissão de Finanças e Tributação, que avalizou os nomes de sete indicados pelos partidos para a disputa, a parlamentar pernambucana contou com a presença do vice-governador de Pernambuco, João Lyra; do secretário da Casa Civil do Estado, Tadeu Alencar; e de Luciano Vazquez, presidente do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco, empresa de economia mista, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.

Fazendo campanha em pleno horário de trabalho, Alencar afirmou ao Valor ter ido à capital federal com o governador Eduardo Campos (PSB) para uma reunião na Secretaria Nacional de Defesa Civil. “Estava em Brasília, não há problema nenhum nisso”, disse.

Ana Arraes, que conta com apoio declarado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria hoje o voto de cerca de 153 deputados. O governador, que tinha montado um “QG” no apartamento do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), coordenador da campanha de sua mãe, esteve hoje no Ministério da Integração Nacional, comandado pelo colega de partido e conterrâneo Fernando Bezerra Coelho.

Campos teria aproveitado a oportunidade para continuar o esforço para emplacar o nome da mãe no TCU. No Congresso, Campos continua a campanha por telefone com os líderes partidários e deputados, do governo e da oposição. “Ele coloca moedas de troca”, revelou um parlamentar.

As bancadas estão divididas entre Ana Arraes e Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Mais discreto, Rebelo tem o apoio da bancada ruralista, ainda grata por seu relatório do novo Código Florestal, e tem ganho mais força entre as alas governistas.

O esforço de Campos em eleger a mãe tem o objetivo de mostrar sua força política, com vistas às eleições de 2014. Alas dentro do próprio governo já temem eventual excesso de poder nas mãos do pernambucano e enxergam em Rebelo menos problemas no futuro. Segundo os próprios deputados, o resultado da votação de amanhã ainda é uma incógnita.

Por Reinaldo Azevedo

Senador do PMN acusa governador do Acre, do PT, de persegui-lo e pede proteção policial

Eles eram aliados até outro dia. Agora brigaram. O senador Sérgio Perecão, do PMN do Acre, diz que o governador Jorge Viana, do PT, o está perseguindo. Leiam o que informa Andrea Jubé Vianna, no Estadão Online. Íntegra aqui.

O senador Sérgio Oliveira da Cunha (PMN-AC), conhecido como Sérgio Petecão, acusou nesta terça-feira, 20, o governador do Acre, Tião Viana (PT), de perseguí-lo no Estado e pediu proteção da Polícia do Senado para si e seus familiares. “O que acontecer comigo e com minha família é de inteira responsabilidade das pessoas que hoje estão à frente do governo do Acre”, anunciou Petecão da tribuna.

Ex-aliado político da família Viana no Acre, Petecão relatou que teria sido seguido por um “carro não identificado” no último final de semana, durante suas incursões ao interior do Estado. Segundo Petecão, seu motorista suspeitou de que estariam sendo seguidos em dois municípios: Xapuri e Epitaciolândia. O senador estava acompanhado de dois deputados estaduais, Marileide Serafim e Denilson Segóvia, que assim como ele, estão de mudança para o PSD.

As divergências entre os ex-aliados são de conhecimento público. Tião Viana chamou Petecão de “covarde” em seu Twitter e no Facebook, no dia 16 de setembro: “@tiao_viana: Covarde e desonesto a (sic) ataque patrocinado pelo Senador Petecão, Deputado Rocha e companhia contra a honra de Jorge Viana…usaram dinheiro…”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Protesto na Cinelândia reúne 2.500 manifestantes

Leia o que informa Cecília Ritto, na VEJA Online, sobre o protesto na Cinelândia (íntegra aqui).

Manifestação contra a corrupção reuniu mais de 2 mil pessoas na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro (Bia Alves/Fotoarena)
Manifestação contra a corrupção reuniu mais de 2 mil pessoas na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro (Bia Alves/Fotoarena)

Os discursos são cheios de improviso, não há oradores inflamados —- ou pelo menos não se vêem profissionais do microfone. À primeira vista o que se vê indica certa heterogeneidade de pensamentos. Apesar do formato ainda um tanto indefinido, o recado está claro. Os brasileiros que tomam as ruas desde o último 7 de setembro reprovam a corrupção e os mecanismos que a alimentam. A versão carioca do protesto, criada no Facebook e batizada de Movimento Todos Juntos Contra a Corrupção, reuniu algo perto de 2.500 manifestantes na Cinelândia na tarde e início da noite desta terça-feira no Rio. A pauta de reivindicações, expressa em pequenos folhetos, inclui o fim do foro privilegiado para autoridades acusadas de crimes, a exigência de ficha limpa para cargos de confiança, fim das indicações políticas para cargos técnicos e o bloqueio de bens de políticos envolvidos em atos de corrupção até o julgamento da causa.

Diferentemente dos movimentos nascidos com orientação partidária, os protestos contra a corrupção em curso não temem segmentos específicos da sociedade que, quando atacados, podem gerar perdas de votos. Assim, servidores públicos deixam de ser tratados como uma casta intocável e recebem críticas. “Tem muita gente no serviço público acomodada, sem fazer nada, sem cumprir seu papel”, cobrou um orador anônimo.

Os protestos de agora também diferem muito de qualquer falatório do período eleitoral, quando os ônibus costumam lotar os arredores do movimento - sempre financiados por alguma instituição, sindicato ou, lamentavelmente, governos. A ideia, aqui, é diferente. Desde o início da tarde, os manifestantes isolados, ou em pequenos grupos, ocuparam a praça da Cinelândia e as escadarias da Câmara Municipal do Rio. Os 2.500 manifestantes são por conta da Polícia Militar, que levou homens do Batalhão de Choque e deixou a cavalaria a postos. Os organizadores estimam a frequência em 4 mil pessoas.

Os políticos são minoria. E acabam falando bem menos. Fernando Gabeira preferiu aparecer na condição de jornalista. “Eu ajudo escrevendo”, disse, sobre sua ocupação atual. “O Brasil tem crescido e pode crescer muito mais. Corrupção é um obstáculo a esse crescimento. Perdemos muito com a corrupção. Alguns dados indicam que em sete anos perdemos o equivalente ao PIB da Bolívia. Isso significa dinheiro que poderia ir também para a luta contra a miséria”, disse o blogueiro que já foi deputado e disputou o governo do Rio nas eleições de 2010.

A Cinelândia foi, literalmente, do povo na tarde de terça-feira. Arams Brito, 46 anos, veio com grupo de 10 pessoas de Itaguaí, a cerca de 70 quilômetros do Rio. Todos são integrantes da igreja protestante Projeto Água da Vida, que tem nove sedes no estado. “Escrevo manifestos semanais contra a corrupção. Somos uma entidade altamente politizada, mas ainda sem ligação com partidos”, explicou. Há duas semanas, Arams se filiou ao PSC, mas ainda não decidiu sobre sua entrada na política. “Neste momento, é injusto falar de Dilma porque o tempo ainda é curto. Mas é inegável que ela está presa a um corporativismo político bem estruturado pelo Lula e pelo José Dirceu”, afirmou.

Nilcéa Costa Sá, 51 anos, é bancária e mora em Teresópolis, uma das cidades atingidas pela tragédia das chuvas de janeiro, na região serrana do Rio. Como está de férias, tirou o dia para ir até a Cinelândia. Ela organiza, também pelo Facebook, um protesto semelhante na cidade que teve o prefeito afastado, por envolvimento num esquema de corrupção com dinheiro que deveria ser aplicado na reconstrução do que foi destruído pelo temporal.

O protesto na cidade serrana deve ocorrer em 12 de outubro, feriado, com o título de Marcha Contra a Corrupção em Teresópolis. No Facebook, conta Nilcéa, já são 1.800 confirmações. “Não sabia como dar o pontapé inicial. Estamos entrando em ano eleitoral e em Teresópolis as coisas estão complicadas. Temos um prefeito inexperiente e uma dificuldade muito grande. Aumentou muito o número de moradores de rua e os furtos, desde a tragédia da região serrana”, disse. 
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Os 2.500 da Cinelândia, não se enganem, são muitos milhões

Segundo os vários veículos que reportaram ontem a marcha contra a corrupção na Cinelândia, no Rio, compareceram ao protesto umas 2.500 pessoas. Os textos chamam a atenção para o fato de que não há grupos organizados. Cecília Ritto, na VEJA Online (ver posts abaixo), à diferença de alguns coleguinhas, dispensou a essa evidência uma abordagem simpática, no que, parece-me, fez muito bem.

É claro que a ausência de organizações militantes é uma das “fraquezas” do movimento, mas é também a sua melhor chance de crescer como expressão genuína da indignação de cidadãos. E acreditem: isso pode criar dificuldades para lotar as praças e as ruas, mas o protesto está longe de ser inócuo ou inútil. A experiência indica que as mudanças de curso são determinadas pela maioria silenciosa, que eventualmente se deixa convencer pela minoria que se expressa. Mesmo aquele milhão de pessoas na Praça Tahir, no Egito, era uma… minoria, afinal de contas.

É claro que, em algum momento, os que se opõem à corrupção terão de pensar as suas causas e procurar atuar contra elas. Vive-se a fase da expressão do inconformismo. É fato: por mais que deixemos clara a nossa indignação, os corruptos não vão mudar de ramo. Não estamos diante de uma daquelas situações em que o outro precisa ser convencido de alguma coisa, a exemplo dos pais que tentam persuadir os filhos a estudar, a não matar aula, a não se comportar de modo inadequado. NÃO SOMOS EDUCADORES DE CORRUPTOS!. Eles já estão devidamente (des)educados. Na verdade, eles precisam é de punição. Não lhes faltam experiência e maturidade, como faltam a um adolescente. Ao contrário: tornaram-se especialistas na arte do ludíbrio, da enganação, da vigarice. Eles não vão mudar.

Desde o início dessas manifestações, alertei que não se deve, desta feita, pensar em grandes protestos, como já vimos em outros tempos. A razão é simples e já estava explicitada naquele texto em que respondi à indagação de Juan Arias, correspondente do El País: “Por que os brasileiros não se indignam?” Eles se indignam, sim! Ocorre que as tais forças organizadas da sociedade estão todas cooptadas, contando dinheiro, como escrevi em outro post.

O movimento das Diretas-Já era financiado por governadores de oposição e por sindicatos. O “Fora-Collor” também. Isso não quer dizer que ambos não tivessem motivos de sobra e uma indignação legítima — havia, em suma, como há agora, uma causa. Ocorre que, desta feita, os “donos” do povo são esbirros do poder. A mesma corrupção que antes os mobilizava agora os silencia. Não é que fossem contra a roubalheira — eram contra a roubalheira praticada pelas pessoas “erradas”. Com o seu poder de mobilização, especialmente na imprensa, as esquerdas ajudam a popularizar algumas causas.

Agora, elas estão longe das ruas. Estão… contando dinheiro! Já recebi aqui algumas dezenas de ironias da petralhada, fazendo pouco da manifestação de ontem e sugerindo que isso é coisa de uma minoria sem importância etc. e tal. É gente que provavelmente apoiou o teria apoiado se tivesse idade à época aqueles outros dois movimentos. Mudaram de lado. A eventual indignação popular passou a ser algo incômodo.

Essa nova indignação é e será sempre uma indignação dos sem-políticos. E não acho mesmo que as pessoas devam se atrelar a esse ou àquele, embora eu considere bobagem que se hostilize a presença de políticos nas manifestações — desde que sua biografia não desonre o propósito do protesto: a luta contra a corrupção. Não se devem esperar manifestações maciças. É até possível que o debate se mantenha mais ativo nas redes sociais do que nas ruas. Afinal, trata-se de uma luta também contra os pelegos, que hoje atuam para sabotar as manifestações.

Os 2.500 de ontem na Cinelândia são muito mais, estejam certos. São muitos milhões. O fundamental é não deixar jamais de expressar o inconformismo com a lambança, seja por que meio for. E aqueles que estão indignados, reitero, devem refletir um tanto sobre as causas da miséria moral da política brasileira. Há propostas que estão em debate na sociedade que concorrem efetivamente para tornar o ambiente mais hostil aos corruptos. Estudem-nas, debatam-nas com seus amigos, procurem se articular com outros inconformados.

Uma das boas idéias, reitero, é o voto distrital. O PT quer fazer uma reforma política criminosa, instituindo o financiamento público de campanha, o que jogaria a política brasileira na clandestinidade. Mais: trata-se de uma proposta para encher a pança de… petistas, já expliquei aqui por quê. Se ela prosperar, a corrupção se multiplicará de modo exponencial. Os que efetivamente estão contra a sem-vergonhice precisam ficar atentos a esses movimentos da política.

A melhor virtude dos grupos que hoje protestam é não ter cabresto. Mas  isso não significa que não devam ter um norte. E não é preciso um partido ou um político para organizar a ação. A moçada sabe como se organizar na rede. O importante é não esmorecer.

O importante, em suma, é deixar claro que “eles” não podem continuar a fazer o que fazem e dizer com clareza: “Não, vocês não podem!”

Por Reinaldo Azevedo

Processo que anulou provas da PF contra filho de Sarney correu em tempo recorde

Por Felipe Recondo, no Estadão:

O julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou as provas da Operação Boi Barrica tramitou em alta velocidade, driblando a complexidade do caso, sem um pedido de vista e aproveitando a ausência de dois ministros titulares da 6.ª Turma. O percurso e o desfecho do julgamento provocaram desconforto e desconfiança entre ministros do STJ.

Uma comparação entre a duração dos processos que levaram à anulação de provas de três grandes operações da Polícia Federal - Satiagraha, Castelo de Areia e Boi Barrica - explica por que ministros do tribunal reservadamente levantam dúvidas sobre o julgamento da semana passada que beneficiou diretamente o principal alvo da investigação: Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).

A mesma 6.ª Turma que anulou, em nove meses, as provas da Boi Barrica, levou cerca de dois anos para julgar o processo que contestou as provas da Castelo de Areia. E, comparado aos seis dias da Boi Barrica, a relatora deste processo, ministra Maria Thereza de Assis Moura, demorou oito meses para elaborar seu voto.

No caso da anulação da Satiagraha, o processo tramitou durante um ano e oito meses no STJ. O relator, Adilson Macabu, estudou-o por cerca de dois meses e meio antes de levá-lo a julgamento. Nestes dois casos, houve pedidos de vista de ministros interessados em reexaminá-los.

O relator do processo contra a Boi Barrica foi o ministro Sebastião Reis Júnior. Em seis dias ele o estudou e elaborou um voto de 54 páginas no qual afirma serem ilegais as provas obtidas com a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados. E, de maneira inusual, dizem ministros do STJ, o processo foi julgado em apenas uma sessão - nove meses depois - sem que houvesse dúvidas entre os três ministros que participaram da sessão.

O caso chegou ao STJ em dezembro de 2010. No dia seguinte, a liminar pedida pelos advogados foi negada pelo então relator, o desembargador convocado Celso Limongi. Em maio, Limongi deixou o tribunal. Reis Júnior foi empossado em 13 de junho e no dia 16 soube que passaria a ser o responsável pelo processo.Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Tropa de Elite 2 rumo ao Oscar. Seu grande defeito deve fazer a diferença

O filme “Tropa de Elite 2″, de José Padilha, será o representante do Brasil na disputa para uma vaga ao Oscar. Os indicados serão anunciados em 24 de janeiro. A cerimônia acontece no dia 26 de fevereiro, em Los Angeles.

Embora falte muito tempo, acho que um filme brasileiro nunca esteve tão perto do prêmio. Trata-se de uma obra de ação, com notável apuro técnico, boa direção, uma história interessante, atuações convincentes etc. Tem um grande defeito, mas que é uma qualidade para Hollywood: é politicamente correto. Aquela indústria gosta de duas coisas: do herói romântico — e há dois ali: capitão Nascimento, o da ação, e o deputado papo-firme, o da “reflexão” (que Padilha adotou na vida real) — e da condenação do “sistema”.

Nas virtudes, o Tropa de Elite 2 se iguala ao 1, mas é o defeito que pode fazer toda a diferença para levar o Oscar. Vamos ver.

Por Reinaldo Azevedo

Os militares dão aula de democracia, especialmente às esquerdas!

General Ademar e eu: terceira vez no Comando Militar do Sudeste, com muita honra!

General Ademar e eu: terceira vez no Comando Militar do Sudeste, com muita honra!

A quantidade de bobagens que a petralhada é capaz de produzir é uma coisa formidável! Participei ontem do V Ciclo de Palestras de Comunicação Social do Comando Militar do Sudeste. “V”, entenderam? O evento acontece há cinco anos! É a terceira vez que estive lá: falei no de 2009 e recebi uma condecoração em 2010, o que muito me honra. Gosto de estar entre pessoas decentes, que seguem a Constituição e as leis. É inútil me procurar em marchas da maconha, por exemplo… “Palestra para militares, é? Estava tentando convencê-los a dar um golpe?”, provocou um bobalhão.

A ironia é tão cretina que talvez não merecesse estar aqui. Mas ela vem bem a calhar. Quis a evolução da vida política e social brasileira que o ambiente militar seja hoje mais pluralista e aberto à divergência do que as nossas universidades, especialmente as públicas, onde grupelhos se impõem pela força, pela violência, pela intimidação, silenciando o contraditário. Sabem o que isso significa? E reproduzo aqui a minha fala final no evento desta terça, parafraseando Talleyrand sobre os Bourbons: os militares podem não ter esquecido nada, mas aprenderam coisas novas; as esquerdas autoritárias não esqueceram nada, mas também não aprenderam nada,

Eu era apenas um dos convidados. Na segunda, falaram o chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, general Carlos Alberto Neiva Barcellos; o jornalista Carlos Nascimento, do SBT; o jornalista e escritor Laurentino Gomes e o presidente do Instituto Vladimir Herzog, Nemércio Nogueira. Na terça, além deste escriba, estiveram lá o publicitário José Luiz Martins; o vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Audálio Dantas, e o jornalista e comentarista esportivo Sílvio Luiz. Amanhã, se não houver mudança na programação, estão previstas as presenças de Felipe Bueno, diretor de jornalismo da Rádio Sulamérica Trânsito; Marcelo Rezende, jornalista da TV Record; Hans Donner, diretor de Arte da Rede Globo, e Sandra Annemberg, jornalista e apresentadora da Rede Globo; na quinta, Heródoto Barbeiro, jornalista e apresentador da Record News.

Como se nota, há profissionais de áreas distintas da imprensa e que não comungam na mesma igreja de pensamento. A platéia é formada por oficiais do Exército e por estudantes de várias faculdades de jornalismo. O genral Ademar da Costa Machado Filho, comandante militar do Sudeste, deu uma aula de espírito democrático e civilidade: “Eu costumo dizer, Reinaldo, que aqui não existe hierarquia para as idéias; a hierarquia existe e é aplicada quando tomamos uma decisão, mas eu costumo sempre ouvir a minha equipe”. Eis aí! Quem dera se pudesse respirar essa esfera nas universidades brasileiras, não é mesmo?

Sobre o que eu falei?
O título da minha palestra é longo, quase uma dissertação, sugerido por mim, como ficará claro: “Pluralismo, na imprensa, não significa verdade relativa. A verdade segue sendo uma só”. Como o nome sugere, critiquei a grande confusão que se faz no jornalismo brasileiro hoje em dia entre “outro lado” e “outro-ladismo”. É evidente que pessoas que estejam sendo acusadas de um crime ou de um ato ilícito devem ser ouvidas para apresentar a sua versão. Isso não quer dizer, no entanto, que a verdade seja uma questão de ponto de vista. A gente pode até não conhecê-la, mas ela existe.

O “outro-ladismo” é a manifestação viciosa, perniciosa, do “outro lado”. Há um exemplo escancarado no dias que correm. Quantas reportagens vocês já leram em que Marina Silva aparece afirmando que a proposta de Aldo Rebelo para o novo Código Florestal anistia desmatadores? No fim do texto, na hipótese benigna, registra-se: “Rebelo nega”. Notem: se um diz a verdade, o outro mente. É simples assim. Que tal ler o que diz o documento? Ou há anistia ali ou não há. Não basta ao jornalista ouvir “um lado”, ouvir o “outro lado” e dar a coisa por encerrada. Quem ler o código vai constatar que ele NÃO PROPÕE A ANISTIA COISA NENHUMA! Também não aumenta o desmatamento, como dizem. É matéria de fato, não se gosto. E é uma obrigação do jornalista trabalhar com os fatos. Ou seja: Aldo não mente!

Foi um bate-papo proveitoso, divertido, com intervenções inteligentes dos estudantes e dos militares presentes. Chamam a atenção, em particular, a cultura, o bom humor e a conversa agradável de jovens oficiais, muito distantes do sectarismo rombudo e ignorante daquela meia-dúzia, que tem mais ou menos a mesma idade dos soldados, que costuma tiranizar as universidades brasileiras com suas idéias “revolucionárias” para o século… 19!

Saúdo, mais uma vez, o general Ademar. Estivesse ele numa das nossas tristes universidades, constataria que, por lá, se pratica o contrário do seu lema: as idéias é que têm hierarquia, e ela só não se mostra na hora de tomar decisões.

São os militares dando aula de democracia às nossas esquerdas.

Por Reinaldo Azevedo.

Discurso de Dilma na ONU: país mudou de nanico, mas não de megalomania. Ou: Há quem se orgulhe? Eu me envergonho

O Brasil continua sem política externa. O único guia da intervenção do país no cenário internacional é o antiamericanismo. Antonio Patriota mantém o padrão de seu antecessor, Celso Amorim. Mudamos de nanico no Itamaraty, mas não de megalomania. Vale dizer: a política externa continua megalonanica.

Dilma já fez o seu discurso “histórico” (que preguiça!) na ONU. No dia em que o Brasil for presidido por um albino caolho, nunca antes na história do mundo a Assembléia da ONU terá sido aberta por um albino caolho… Isso se dá porque o país abre as assembléias gerais desde 1947. Tudo o que acontece de inédito por aqui será inédito por lá, entenderam? Já houve discurso inaugural até de presidente impichado: inédito aqui, inédito lá…

Dilma defendeu a plena admissão da representação palestina na ONU. É uma piada. Isso se daria sem que palestinos e israelenses tenham conseguido chegar a um acordo mínimo. Na prática, trata-se de mais um voto do Brasil contra Israel. Um trecho do discurso da presidente repete um boçalidade tipicamente lulesca:“Venho de um país onde árabes e judeus são compatriotas”.

Huuummm…

Dilma transforma uma das mais intrincadas questões do século passado, que chegou a este nosso, num conúbio da 25 de Março, a rua de comércio popular em São Paulo… No ano que vem, vou sugerir que ela dê o edifício em que moro como exemplo. Há 12 famílias de origem judaica em 17 apartamentos. Dona Reinalda, árabe, foi síndica durante três ou quatro anos.

Ou seja: o meu edifício é exemplo de como resolver o conflito israelo-palestino…

Há quem queira se orgulhar do discurso histórico? Bom proveito! Eu me envergonho. Quem sabe no dia em que o país for presidido pela Cuca ou pelo Boi-Tatá — e a ONU conhecerá outro ineditismo —, a gente dê melhor sorte. Ainda volto ao tema.

Por Reinaldo Azevedo
Tags:
Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

1 comentário

  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    Sugiro que o termo "jeitinho brasileiro", seja patenteado pela ministra do planejamento Miriam Belchior! Fantática a solução apontada por ela para a questão da mobilidade nas cidades sede da copa. Decreta-se feriado em dia de jogo e manda os nativos ficarem em casa no sofá, assistindo ao jogo e comendo pipoca. Legal he..he..

    0