Marcha contra a corrupção reúne 10 mil em Brasília

Publicado em 12/10/2011 15:39 620 exibições
Manifestantes fecharam as vias da Esplanada dos Ministérios durante três horas; grupo defende a Lei da Ficha Limpa e atuação do CNJ

A segunda marcha contra a corrupção realizada este ano em Brasília reuniu cerca de 10.000 pessoas no centro da capital, segundo estimativa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. As vias do Eixo Monumental foram fechadas durante três horas para a passagem dos manifestantes.

Eles partiram do Museu da República rumo ao Congresso Nacional por volta das 11 horas munidos de vassouras, apitos e vestindo fantasias ou camisetas pretas, simbolizando luto. A estimativa da organização do movimento, que se declara apartidário, era chegar a 19.000 manifestantes até o fim do protesto – mesma quantidade reunida na primeira manifestação, em 7 de setembro. O número, porém, foi inferior.

Manifestante durante a marcha contra corrupção em Brasília

Manifestante durante a marcha contra corrupção em Brasília (Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)


Além de protestar contra políticos corruptos O Movimento Todos Juntos Contra a Corrupção tem alvos definidos. Os principais são o fim do voto secreto no Congresso, a aprovação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal (STF) e a manutenção do poder de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre os juízes, que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). As poucas tentativas de partidarizar a manifestação acabaram em vaias. Foi o que aconteceu quando bandeiras do Psol apareceram.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que participou da caminhada, reclamou da falta de transparência no Judiciário. “A sociedade está pedindo ao Judiciário que cumpra sua parte e seja transparente. Retirar os poderes do CNJ é tornar um passado negro dentro da estrutura do Judiciário, em que tudo era colocado para debaixo do tapete”, declarou.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu a aprovação imediata da Lei da Ficha Limpa no STF. “A Ficha Limpa tem que valer para a eleição no ano que vem”, afirmou.  

Vaias - As poucas tentativas de partidarizar a manifestação acabaram em vaias. Foi o que aconteceu quando bandeiras do Psol apareceram. Marcus Rodrigues, 20 anos, um dos organizadores, diz que o objetivo imediato do grupo é a aprovação dos projetos anticorrupção no Congresso e a defesa das ações pela transparência no Judiciário. “Ainda não temos condições de apresentar um projeto popular, porque precisamos de um milhão de assinaturas", observa. "Esse é nosso plano para o futuro. Por enquanto, queremos a aprovação do que permanece engavetado no Congresso”.

"Que País é Esse" - Um dos alvos dos manifestantes foi o domínio político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). “Sarney, ladrão, devolve o Maranhão”, gritavam. Há uma semana, o ex-presidente da República também foi criticado publicamente durante o Rock in Rio.

Outro alvo foi o deputado petista cassado José Dirceu que, embora seja acusado de comandar o mensalão, ainda exerce grande influência em algumas esferas do governo. “Esse movimento é contra essas figuras”, diz a servidora pública Cristia Lima. “É preciso respeitar isso aqui”, completou, apontando para um exemplar da Constituição que trouxe de casa.

Também participaram da marcha dezenas de grupos que protestam contra outros aspectos da roubalheira nacional. É o caso dos mascarados que reclamam da relação promíscua do governo com grandes empresas. “Representamos um sentimento coletivo", declara um desses manifestantes, recusando-se a dizer o nome para não "personificar" o movimento. "Temos uma única voz e um único rosto”.

A advogada Aline Oliveira levou os filhos, de 10 e 3 anos, com o objetivo de transformar esse Dia das Crianças no início de uma vivência democrática. “Isso vai marcar a formação deles", acredita. "Meus pais me levaram para ver as Diretas Já, nos anos 80, o que foi muito importante para mim”. 

No Estadão: Marcha contra a corrupção reúne cerca de 20 mil pessoas em Brasília

Esta é a 2ª edição do protesto realizado na Esplanada dos Ministérios e em outras 18 cidades


Uma mancha escura formada por cerca de 20 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, percorreu um quilômetro de distância na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, seguindo do Museu da República até chegar à Praça dos Três Poderes, na manhã desta quarta-feira, 12.
Manifestantes protestam no DF com vassouras, nariz de palhaço e roupas de presidiários - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Manifestantes protestam no DF com vassouras, nariz de palhaço e roupas de presidiários

Os três pontos principais da 2ª edição da Marcha contra a Corrupção, realizada também em outras 18 cidades, são a regulamentação da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a aprovação do projeto de lei que estabelece o voto aberto dos parlamentares no Congresso, e a preservação dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de órgão de controle externo do Judiciário.

PM elevou para 20 mil pessoas a estimativa do número de participantes da segunda edição da Marcha contra a Corrupção, em Brasília, na manhã de hoje. O primeiro levantamento dava conta de 13 mil manifestantes que percorreram a Esplanada dos Ministérios, do Museu da República até a Praça dos Três Poderes e depois seguiram mais alguns metros até o Ministério do Exército, onde ocorreu a dispersão.

Mesmo assim, o volume de participantes foi inferior à contagem feita pela PM na primeira edição do evento, em 7 de Setembro. Na ocasião, foram contabilizadas as participações de 25 mil pessoas. De acordo com o tenente Marcos Braga, o outro evento acabou ganhando adesão de última hora da população de Brasília, que saiu de suas casas para assistir ao desfile militar.

Com bicicletas, vassouras, nariz de palhaço e roupas de presidiários, ou empunhando faixas, os manifestantes fizeram uma pequena pausa no percurso, em frente ao Congresso Nacional, onde foi cantado o Hino Nacional.

O número de participantes está menor do que o estimado pela PM na primeira edição do evento, em 7 de setembro, quando a PM contou 25 mil pessoas. O tenente Marcos Braga, da PM do DF, explicou que naquela ocasião o evento ganhou apoio de última hora da população de Brasília, que saiu de suas casas para assistir ao desfile de 7 de setembro.

Desta vez, os manifestantes também carregam uma faixa com uma pizza de 15 metros de diâmetro. Aos grados, gritam: "Não sou otário, do meu bolso é que sai o seu salário", "Ô Dilma, presta atenção, o brasileiro não quer mais corrupção", "Voto secreto não, eu quero é ver a cara do ladrão".

Na Folha: Ato contra corrupção reúne 2.000 em São Paulo


Centenas de pessoas participam de um ato contra a corrupção na avenida Paulista na tarde desta quarta-feira (12) em São Paulo. A estimativa da Polícia Militar é a de que 2.000 pessoas estejam presentes.

Marcada pelo Facebook, a manifestação --que reúne atos convocados na internet por onze grupos-- se diz apartidária e tem três bandeiras comuns: o fim do voto secreto no Congresso Nacional, a aplicação da Lei da Ficha Limpa e a transformação da corrupção em crime hediondo. Os participantes pedem também 10% do PIB para a educação.

Com a cara pintada e carregando bandeiras do Brasil, os manifestantes se concentram no vão livre do Masp. Exibem faixas com dizeres como "Exigimos o fim da impunidade parlamentar" e gritam "Não corrupção, eu quero meu dinheiro para saúde e educação". A manifestação é apoiada por motoristas, que passam buzinando pelo local.

Com uma vassoura na mão para pedir limpeza na política, a bibliotecária Ester Fernandes, 76, participa do ato. "Não é esforço. Ficar reclamando em casa não resolve."

Organizadores informaram que entre 500 e 5.000 pessoas devem comparecer ao ato. Às 15h, os manifestantes partiram em direção ao Theatro Municipal, centro da cidade, pela rua Consolação. Pela internet, cerca de 16 mil pessoas haviam confirmado a presença no evento, que tem atos marcados por todo o país.


Veja imagens da Marcha Contra a Corrupção no feriado de 12 de outubro

Manifestações focaram validade da Ficha Limpa e fim do voto secreto.
Em Brasília, jovens se fantasiaram para ironizar impunidade.

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Fonte:
Veja/Estadão/Folha/G1

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Não me sinto animado a elogiar esta turma dos protestos de hoje contra a corrupção por causa da HIPOCRISIA destes manifestantes e seus simpatizantes cuja maioria critica e age sempre sobre os EFEITOS e não sobre as causas dos problemas. Para comprovar basta analisar o panorama e ver que o único sinal de trânsito que obedecem de verdade é a lombada (física) chamada de 'quebra molas' Faz um ano que esta multidão não utilizou a arma que estava em suas mãos (voto) para escolher representantes melhores para enviar à Brasilia. Agora pedem por clemência para que os 'outros' tomem providências por eles... isto é ser hipócrita.

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