Dilma precisa parar de ser perversa e de demitir patriotas competentes e inocentes!

Publicado em 31/10/2011 18:26 421 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

Dilma precisa parar de ser perversa e de demitir patriotas competentes e inocentes!

Cheguei à conclusão de que a presidente Dilma Rousseff é uma mulher má, perversa mesmo, que atua para prejudicar o povo brasileiro. E como é que faz isso? Ora, demitindo ministros competentes e inocentes, o que, convenham, é ruim para o Brasil. Foi a conclusão a que cheguei, mais uma vez, na solenidade de posse de Aldo Rebelo, novo ministro do Esporte. Todos discursam: a presidente, Rebelo e Orlando Silva, que jurou inocência ainda outra vez e foi aplaudido de pé!

Vênia máxima, a soberana estrelou uma solenidade vergonhosa. Estavam todos saudando ali, na prática, o comprovado — PELO PRÓPRIO GOVERNO — desvio de pelo menos R$ 40 milhões, as ONGs de fachada, as empresas de laranjas, o compadrio, o desperdício. Ou bem Dilma falava coisa com coisa, e a Controladoria Geral da República tem de ser demitida, do ministro ao contínuo, ou o poder fez, nesta segunda, o elogio da corrupção.

Nunca vi razão especial para criticar a ação de Aldo Rebelo. Foi um presidente da Câmara competente e equilibrado e teve uma atuação destemida no Código Florestal. Mas hoje fez um discurso ridículo. Afirmou que Orlando Silva, seu antecessor, também do PCdoB, pode ser “mais do que inocente”; talvez seja “vítima das lutas sociais”.

Ou Aldo explica como as lambanças das ONGs no programa Segundo Tempo ajudam os pobres, ou falou uma grande bobagem. Mais adiante, o ministro disse que seu partido não está acima da crítica. Que bom! Mas é onde tentou colocá-lo. Leiam texto do Globo Online. Volto para arrematar.
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A posse do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB), a quem a presidente Dilma Rousseff chamou, erroneamente, em duas citações de Aldo Rabelo, transformou-se numa sessão de rasgados elogios ao PCdoB, partido que ocupa o ministério há nove anos e que é alvo de denúncias de desvio de verbas de convênios do Ministério dos Esportes com ONGs. Dilma afirmou que a troca de comando no Esporte não estava em seus planos, mas, por causa da situação criada, teve de fazê-lo. Ela qualificou o trabalho de Orlando Silva à frente da Pasta como “excepcional” e disse que o ex-colaborador tem todo seu respeito.

“Esta cerimônia não estava nos meus planos, nos planos do governo. Muitas vezes somos conduzidos a situações inesperadas que temos de enfrentar. E enfrentar, muitas vezes, com tristeza, mas sempre com coragem e determinação. Foi o que fizemos neste caso sem abrir mão de construir o caminho que escolhemos”, discursou Dilma.

“Ele ganha plena liberdade para restituir a verdade e preservar sua biografia. Orlando Silva não perde meu respeito. Desejo-lhe muito sucesso em sua cruzada pela verdade. Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental. O PCdoB tem sido, nos últimos nove anos, um parceiro leal e relevante do nosso projeto nacional de governo e de desenvolvimento”.

Na cerimônia, o novo ministro qualificou o seu antecessor como “mais que inocente” é “vítima”. “Talvez mais que inocente, talvez o senhor seja vítima das consequências da luta social e política.” Aldo disse ainda que seu partido não está acima das críticas nem da fatalidades humanas, mas recorreu aos 90 anos de fundação da legenda para dizer que o PCdoB luta por igualdades. Sobre o que fará no cargo, nada disse. De acordo com o novo ministro, o Programa Segundo Tempo, origem da crise que levou à queda de Orlando Silva, é elogiado internacionalmente. “Nas décadas que o Brasil precisou, ele (o PCdoB) defendeu a democracia e a liberdade.”

A presidente ressaltou que, apesar da mudança de comando, o trabalho do ministério permanecerá na mesma linha. Sem citar a Fifa, ou mesmo o nome do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que estava presente à cerimônia, Dilma ordenou a seu novo auxiliar que sejam estabelecidas bases claras para a organização da Copa. “Ele tem plenas condições de dar continuidade às políticas prioritárias do ministério que hoje está assumindo e estabelecer, desde logo, relações claras com todos os entes envolvidos na preparação da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Aldo Rabelo (sic), como nós podemos perceber por esse plenário, é rico em amigos e companheiros que conhecem seu caráter, suas convicções e seu respeito.”

Encerro
Não, assim não é possível! Já tinha ouvido essa ladainha na demissão de Antonio Palocci; agora, repete-se o padrão na de Orlando Silva. O curioso é que o ministro do PR e os dois do PMDB que deixaram seus respectivos cargos não mereceram tanta deferência. É que eles não são, nominalmente ao menos, de esquerda, né?

São discursos lamentáveis, que remetem a práticas desastrosas para o país. Dilma não precisava disso, não! É claro que eu não esperava que ela execrasse um ex-auxiliar. Há maneiras decorosas de não esmagar um aliado político sem, no entanto, condescender, na fala ao menos, com práticas notoriamente corruptas.

Dilma que mude, então, de postura! Quando a imprensa voltar a noticiar fatos patrióticos como os havidos no Esporte, ela deve chamar o titular da pasta e condecorá-lo com alguma ordem de mérito. Como sugeriu Lula na quinta-feira passada, quem não presta é a imprensa. Os ladrões de dinheiro público são só uma outra maneira, não reconhecida pelos reacionários, de exercitar o patriotismo.

Todos ali, nesta segunda, deram o seu pior ao país. PS - Há, ainda, uma questão que é de fundo institucional.

Por Reinaldo Azevedo

A única coisa decente a fazer é PROIBIR repasse de dinheiro público para as ONGs

A presidente Dilma Rousseff suspendeu o pagamento às ONGs por 30 dias, prazo que pode ser prorrogável. Caso não haja a regularização da situação, o convênio pode ser suspenso, com conseqüências legais para a entidade etc. e tal. É um passo, mas é muito pouco, quase nada. O onguismo é hoje um dos caminhos empregados para a privatização do Estado, para a ladroagem.

O Brasil é um país cheio de delicadezas e particularidades. Vejam só: temos uma Central Única dos Trabalhadores. Além da “única”, há a CGT, a Força Sindical e outras menos votadas. Há coisa, sei lá, de uns 25 anos talvez, houve uma crise no abastecimento de leite no país e se criou, então, o leite Tipo Único (”Tipo U”, vinha escrito nos saquinhos). Além dele, havia o A, o B e o C… A gente é assim. Há até as leis “que pegam” e as que “não pegam”. Chefe de Poder Executivo faz desagravo a pessoas sentenciadas pela Justiça e acha isso a coisa mais normal do mundo. A que vem este “nariz de cera”, como se diz no jargão jornalístico? À diferença do que ocorre no resto deste vasto mundo, o Bananão inventou a Organização Não-Governamental Governamental: a ONGG.

O que, nos outros países, é sustentado com doações e abriga o voluntariado tornou-se parte dos gastos oficiais, com os capas-pretas das ONGGs devidamente remunerados. O não-governamental, por aqui, é sustentado com dinheiro público, seja por meio da injeção direta de recursos, seja por meio da renúncia fiscal. As ONGGs se tornaram, com as exceções de sempre (claro, claro), ou a ocupação de socialites em busca de uma reputação vagamente humanista ou mais um dos tentáculos do PT. Quando não são as duas coisas, e a tal socialite aparece fazendo discurso socialista…

O que vai acima, em itálico, foi escrito aqui no dia 26 de novembro de 2006, no sexto mês de existência do blog. Há pelo menos uns 15 anos aponto a brutal picaretagem na área.Eu era redator-chefe da revista República, em 1997, e alguém propôs uma reportagem sobre o tal “Terceiro Setor”. Entortei um pouco o nariz, mas vá lá, vamos ver e coisa e tal… Quando começaram a aparecer nomes e fontes, alguns deles eram de notáveis vagabundos, que eu conhecia porque estavam, vamos dizer, no mercado da militância fazia tempo…

Há ONGs honestas? Há, sim! Mas são a minoria. Não há —   E NÃO HÁ!!! — mecanismo que possa impedir políticos de usar laranjas para criar ONGs e Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que depois vão lidar com dinheiro público. Sei que as Oscips são um pouco diferentes, mas também caíram na lambança. O Fantástico de ontem trouxe uma reportagem sobre entidades que já loteiam o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Nessas coisas, sou ortodoxo. Não acredito na benemerência com dinheiro público. É o caminho aberto para a fraude. Viva a sociedade que se organiza! Mas, então, não pode haver dinheiro do estado na jogada. Ponto final!

Não se dava muita bola para o desvirtuamento de várias entidades porque se dizia que era um dinheiro marginal, que não tinha grande peso. Hoje, isso não é verdade. Esses grupos movimentam bilhões. Ao lado do superfaturamento de obras, é a maior fonte de corrupção na vida pública. Só que há uma diferença: as empreiteiras são vistas como as suspeitas de sempre, mas essas pessoas “caridosas” são consideradas “amigas do povo”.

Só há uma coisa a fazer: PROIBIR O REPASSE DE DINHEIRO PÚBLICO PARA ONGs E OSCIPs. Sim, já me preparo para a gritaria porque a) a medida seria muito radical; b) isso puniria também os honestos. Respondo assim: seria necessário criar tal estrutura para vigiar a correta aplicação do dinheiro público por essas entidades que a emenda sairia mais cara do que o soneto.

Eu não quero cortar o barato de ongueiro nenhum. Quero apenas que eles atuem no Brasil como seus congêneres no resto do mundo: com dinheiro que conseguem arrecadar na sociedade, doado por aqueles que acreditam em seu trabalho e concordam com suas iniciativas. É por isso que uma “ONG” é “não-governamental”.

Ou perdi alguma coisa? Ora, se uma entidade passa a receber dinheiro dos cofres públicos para executar um serviço, estamos apenas diante de um mecanismo para driblar a Lei de Licitações. Como é que o governo escolhe essa ou aquela entidades? Se há várias, no mínimo, seria preciso abrir uma competição entre elas, certo? Mas qual seria o marco legal?

Por Reinaldo Azevedo

Trogloditas fascistóides interrompem reportagem de Monalisa Perrone. Há nisso mais do que voluntarismo cretino

A jornalista Monalisa Perrone, da TV Globo, foi brutalmente interrompida, na porta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por dois cretinos quando fazia uma reportagem sobre a saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Ela tinha acabado de entrar ao vivo, no Jornal Hoje.  Seria só a manifestação demencial de dois idiotas? Não exatamente.

Há, hoje, sobretudo na Internet, ex-jornalistas sustentados por dinheiro público — patrocinados pelo governo federal ou por estatais — que incentivam esse tipo de manifestação. Inventam teorias as mais estapafúrdias para acusar os grandes veículos de comunicação de conspirar contra o governo, o petismo, Lula, Dilma, sei lá o quê… Alguns idiotas caem na conversa. Basta a gente ver o que vai pela rede. Mal sabem que alguns pançudos estão sendo regiamente pagos, ou por órgãos oficiais ou pela concorrência, para promover esse clima de pega-pra-capar.

Aqueles caras não estavam lá por acaso. O vídeo está aqui. Volto em seguida.

Por que promover?
“Ah, Reinaldo, por que promover os caras?” Porque eles podem ser identificados e responder judicialmente pelo que fizeram. Um deles, aquele cuja cara é mais evidente, informa “O Dia” Online, é Thiago de Carvalho Cunha, que já participou de outras manifestações “contra a mídia”.

É coisa de fascistas, que querem impedir na base do grito e da intimidação, o livre exercício do jornalismo. E a Globo, obviamente, é um dos alvos. Eis um bom momento para a reflexão. Um ator contratado da emissora, diga-se, vive fazendo proselitismo “contra a mídia” nos blogs que servem a essa escória, estimulando justamente esse clima. Pertence, na prática, a essa cadeia.  É aquele que, no domingo, concedeu uma entrevista à CBN, do grupo Globo, para falar mentiras sobre o meu blog. Como é mesmo? “Cría cuervos y te sacarán los ojos”…

Comentários
Deixo claro que não publicarei comentários que flertem com esse tipo de comportamento — nem remotamente. E também não aceitarei críticas na linha “Bem feito! Quem manda a Globo etc e tal…?” Nada disso! Nós somos aqueles que repudiam a incivilidade. Ponto! Qualquer comentário que se volte contra as vítimas ajuda os fascistas.

Por Reinaldo Azevedo

13 graus em SP em 31 de outubro? Hora de renovar nossos apocalípticos!

Que saco! Em São Paulo, o tal “desequilíbrio climático” — um nome mais, como direi?, “aberto” do que “aquecimento global” porque pode justificar qualquer coisa — pende sempre para um lado só: o do frio!!! Deve fazer uns 13 graus lá fora, um vento gelado da zorra, em pleno 31 de outubro!!!

Se os homens maus não pararem de aquecer o planeta, a gente ainda morre congelado! Pelo visto, do tal desequilíbrio, pra São Paulo, só sobrou o frio. Não é hora de desarquivar as teorias da década de 70 que previam uma nova era glacial, hein???

Precisamos renovar os nossos apocalípticos, pô!

Xiii, lá vem sapatada (de material reciclável, claro!) dos profetas…

Por Reinaldo Azevedo

Como eu trato Lula e como o blogueiro oficial de Lula já me tratou. Eis por que somos tão diferentes

Critiquei um ator de quinta, um palhaço dos petralhas, que afirmou na CBN que os leitores do meu blog estavam se dirigindo a Lula de maneira imprópria, o que teria me levado a fechar a área de comentários — uma mentira óbvia. Todos sabem que adotei, em relação à doença do ex-presidente, a mesmíssima postura que adotei em 2009, quando Dilma ficou doente. Mas e “eles”? E a rede petralha?

Em julho de 2007, um ano e quatro meses depois de eu ter passado pelas minhas cirurgias, num desses embates sobre descriminação da maconha, recebi de um sujeito chamado “Jorge Cordeiro” uma mensagem extremamente agressiva, que não poupava das vilanias nem mesmo a minha família. Na parte publicável de sua mensagem, que dizia respeito só a mim, lia-se isto:
“Talvez, se vc fumasse maconha, não teria tido as tais bolotinhas na cabeça, né dodói?”

É isso mesmo que vocês entenderam. O cara estava dizendo que só tive tumores no crânio porque não fumei maconha.

Aí dirá alguém: “Mas que importância tem esse cara, Reinaldo? Por que falar dele”. Pois é. Ele foi nomeado pouco tempo depois o BLOGUEIRO OFICIAL DE LULA. Passou a ser o chefão do “Blog do Planalto”. A voz de Lula na Internet achava que as pessoas tinham ou deixavam de ter tumores em razão de seu bom ou de seu mau comportamento. No caso, Cordeiro estava sugerindo que o bom comportamento era fumar maconha. Como eu não havia fumado, estaria arcando com as conseqüências.

O post original está aqui. Quando ele foi nomeado, escrevi outro . Reproduzo a resposta que lhe dei em julho de 2007 (em azul). Volto em seguida.

Vamos ver, Cordeiro, se, ao imolá-lo, ao menos diminuo os pecados do mundo. Cordeiro não deve ter bolotinhas na cabeça, o que me faz supor que ele fume maconha. Problema dele, não meu. Como ele a consegue? Bem, aí é problema da polícia, já que o tráfico continua a ser um crime. É um pedacinho do que essa gente pensa. Em uma ou duas linhas, todo o horror das suas utopias se revela. Observem que ele lida com a máxima de que o doente é culpado por sua doença. Por que me nasceram tumores na cabeça? Ora, porque não “relaxei e gozei” - ao menos não à moda deles.

Exceção feita à contaminação por transfusão, a Aids, por exemplo, é uma doença associada a comportamentos de risco. Nem assim, é claro, faz sentido dizer que a culpa é do próprio doente. Não era a doença que ele buscava, mas o prazer. Daí decorre que a arma eficaz para combater a sua expansão é conjugar a divulgação de métodos preventivos (o que o Brasil faz) com o apelo às escolhas morais (o que o Brasil não faz). Há comportamentos de risco também no que respeita a formações tumorais, claro. Mas é certo que ninguém fuma, consome gordura em excesso ou deixa de se alimentar com fibras em busca de um tumor.

O remelento, vejam só, não está nem mesmo me dizendo que, se eu tivesse tido, até os tumores, uma vida mais asséptica, mais comedida, mais regrada, a doença não teria me atingido. Nada disso. Ele deve acreditar nas virtudes relaxantes da maconha e em seus mistérios gozosos, que teriam me faltado - daí os tumores. Pior do que isso: a minha não adesão a um comportamento que ele considera bacana fez com que eu pensasse essas coisas que penso. E as bolotas me vieram como uma punição. Cuidado: não ser petralha ou maconheiro provoca câncer.

Voltei
Essa foi uma das milhares de agressões que recebi e recebo ainda. São os mesmos que, diante de um acidente aéreo que mata quase duas centenas de pessoas, fazem a mímica do estupro, imaginando que atraem com violência o corpo de terceiros contra a própria pélvis, num prazer extraído sabe-se lá de que baixeza d’alma.

Nem assim, minhas caras, meus caros, vou liberar certos comentários. Não aceitarei que se pague na mesma moeda; não darei a eles o prazer perverso de supor que somos iguais. Pela simples, óbvia e boa razão de que não somos. O homem que Lula escolheu para cuidar do seu blog foi capaz de me escrever aquela enormidade. Essa é uma das razões por que não pertencemos à mesma categoria de humanos.

Eu continuarei a desejar sorte a Lula. Eu continuo a achar que isso nada tem a ver com punição ou sei lá o quê. Também não vejo ironia nenhuma do destino.Todos os dias, mundo afora, milhares de pessoas que nada fazem senão se ocupar da própria vida e da vida daqueles que amam são colhidas por infortúnios, sem que se possa inventar uma narrativa cheia de nexos causais ou simbolismos.

Os que sofrem merecem ser consolados, o que não quer dizer que precisemos concordar com seus atos. Não se trata de endurecer sem perder a ternura, como dizia aquele assassino, que isso, pra mim, é lema de remédio para a “paumolescência”, como dizia a turma do Casseta & Planeta. Trata-se apenas de escolher um padrão mínimo de civilidade e passar a operar a partir dele.

Se Lula quis levar  gente capaz de escrever aquele troço para dentro do Palácio, muito bem! No meu blog, exijo mais respeito do que o vigente no ambiente palaciano.

Texto publicado originalmente às 22h37 deste domingo
Por Reinaldo Azevedo

Um comentário que a filha de Mário Covas enviou ao blog. Ou: O que eles fazem, o que não devemos fazer

O subjornalismo canalha acusa agora os adversários do PT de fazer rigorosamente o que os esbirros do partido fizeram e fazem com aqueles que consideram seus adversários. Comigo não se criam porque:
a) não tenho receio dessa escória;
b) fico feliz a cada vez que falam mal de mim; por que alguém gostaria de ser elogiado por larápios e ladrões de dinheiro público? Por que alguém gostaria de ser aplaudido por gente que enche a pança com o dinheiro dos pobres?

No post acima, mostro como se comportou comigo o cara que se tornou blogueiro de Lula, a sua voz na Internet. Nem por isso mudarei a postura do blog. Seguirei no caminho que abracei.

Recebo de Renata Covas Lopes, filha do governador Mário Covas (SP), que morreu no dia 6 de março de 2001, o seguinte comentário:
Caríssimo, tem toda razão, sábias palavras: “Não aceitarei que se pague na mesma moeda; não darei a eles o prazer perverso de supor que somos iguais. Pela simples, óbvia e boa razão de que não somos.”
Dolorosos comentários sobre a doença de meu pai… Cheguei a ler que a doença devia tê-lo matado mais rápido. Mesmo assim não os tratarei da mesma maneira!
Meu pai já estava bem doente, e Zé Dirceu bradou: “Vamos bater neles nas urnas e nas ruas…E bateram na porta da Secretaria de Educação”. Mesmo assim, não farei o mesmo…

Voltei
Renata tem razão. Vejam este vídeo. O texto que vem a seguir fornece o contexto.

Não fosse pelo sotaque, daria para saber pelo caráter tratar-se de José Dirceu. Transcrevo a sua fala:

“E nós vamos dar a eles esta resposta: mais e mais mobilização, mais e mais greve, mais e mais movimento de rua, e vamos derrotar eles nas urnas também porque eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas”.

O “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) e deputado cassado por corrupção fez aquele discurso em 2000, durante uma assembléia de professores em greve. O sindicato era presidido por Bebel — sim, aquela da greve eleitoreira de 2010, que foi até multada pelo TSE e que preside o sindicato até hoje. É uma profissão boa. Não precisa sujar a unha de giz. Dias depois, em 1º de junho daquele ano, seguindo as ordens do chefão, os trogloditas agrediram covardemente o governador Mário Covas, agressão física mesmo, como vocês viram acima! Já bastante debilitado pelo câncer — morreu nove meses depois —, ele chegou a ter um ponto de sangramento no lábio e outro na cabeça.

É assim que eles fazem política: atropelando as leis nas ruas e nos palácios.

A escória que mama nas tetas públicas hoje em dia acha que palavras duras sobre a doença de Lula são uma espécie de ofensa à santidade. Já Mário Covas podia, meses antes de morrer, ser espancado em praça pública, sob a incitação de Dirceu.

O “chefe de quadrilha” já se manifestou sobre esse vídeo e tentou dizer que era só força de expressão, que “bater nas ruas” queria dizer uma vitoria eleitoral. Releiam a frase:
“E nós vamos dar a eles esta reposta: mais e mais mobilização, mais e mais greve, mais e mais movimento de rua, e vamos derrotar eles nas urnas também porque eles têm de apanhar nas ruas e nas urnas”.

Não! Sobre a derrota nas urnas, ela já havia falado. “Bater neles nas ruas” quer dizer “bater neles nas ruas”; quer dizer aquilo que os petistas fizeram com Covas.

Mas Renata tem razão; eu mesmo, se me permitem, tenho razão. Não se pode e não se deve pagar na mesma moeda. E assim deve ser NÃO para provar para eles que somos moralmente superiores. Para eles, não precisamos provar nada. Eles nem sequer saberiam apreciar um ato acima da linha de imoralidade.

Devemos proceder assim em homenagem à decência, à integridade do nosso caráter, à bonomia da nossa alma..

Por Reinaldo Azevedo

A bobagem monumental sobre a doença de Lula: tratam de modo mítico até o tumor

Acho que, pela primeira vez, Lula experimenta uma reação adversa — ainda que bastante leve e ainda que lhe queiram puxar o saco — decorrente da mitologia que criou em torno do próprio nome, com a ajuda, como já disse, de partes da academia, da imprensa, da Igreja Católica e do sindicalismo. É impressionante! A coisa poderia ser simplificada assim: ele não pode nem mesmo ter um câncer, como ocorre com milhões e pessoas. Nele, há de ser uma espécie de predestinação. E o que é pior: os tolos que embarcam nessa julgam estar fazendo jornalismo inteligente, crítico e ousado. A que me refiro em particular?

De todas as coisas cretinas, idiotas mesmo!, ditas sobre a doença que o acomete, a que ocupa o topo é aquela que diz mais ou menos o seguinte: “Vejam que ironia! Lula foi ter câncer justamente num órgão associado à fala, que tanta importância teve ou tem na sua militância política”. Sei. Se fosse câncer em outro órgão qualquer, a dita “ironia”, por acaso, seria menor?

Trata-se de uma bobagem fenomenal! Fica parecendo que os deuses do Olimpo, à moda antiga, se reuniram para decidir que destino, punição ou graça dar àquele mortal. Não consta que falar muito predisponha ao câncer, ainda que seja a linguagem do proselitismo, do convencimento, da manipulação, cada um chame como quiser. Tentar encontrar um nexo que seria, sei lá, de ordem espiritual entre a vocação do prosélito e um tumor no órgão da fala está no terreno da bruxaria, da feitiçaria, da… bobagem. Não deixa de ser uma forma de mitificação da personagem. Em Lula, nada seria gratuito; tudo seria, de algum modo, motivado; tudo quereria sempre dizer alguma coisa; tudo traria o peso de um simbolismo. Ora, vão plantar batatas!

Recomendo, aliás, cuidado com a constante associação que se está fazendo entre o tumor na laringe e o tabaco e álcool. Ok, a informação tem de ser transmitida, sim. É uma questão que interessa ao público. Mas há algo que vai um tantinho além do terreno da medicina nessa história e que tem de ser considerado. E já não falo mais sobre Lula apenas.

Direito a uma história
Reitero: acho correto que se informem as práticas de risco, que podem predispor algumas pessoas ao câncer. Mas esse debate, vamos dizer, comportamental não é assim tão simples. Longe de mim querer fazer poesia com “coisas que matam”, como diriam alguns. Mas eu realmente não sei se Lula teria sido quem é sem os seus gorós, as suas cigarrilhas, os aspectos, então, pouco saudáveis de sua existência.

Goste-se dele ou não — todos sabem o que penso sobre o político —, o fato é que ele tem uma história que lhe pertence. Cada existência é uma narrativa inteira. Eu sempre me incomodo um pouco quando se tenta escoimar uma vida de suas impurezas — de seus aspectos considerados incorretos —, como se a eternidade espreitasse os viventes não fossem as coisas erradas que fazemos.

Eu me incomodo, em suma, com certa suspeita que sempre paira de que o doente procurou a doença. Sim, que as pessoas sejam advertidas dos riscos etc. e tal, mas que não nos esqueçamos que o maior fator de risco ainda é a aleatoriedade. É ela que, de verdade, nos atormenta.

Ninguém escolhe ter tumor aqui, ali ou acolá. As pessoas todas tendem a escolher a felicidade. Mesmo aquelas um tanto desastradas, cumpre notar, não optaram pelo sofrimento. Eu não gosto muito desse dedo em riste, sabem? Eu tenho dificuldades com certa caridade intolerante.

Por Reinaldo Azevedo

MEC tenta dar jeitinho com juiz para evitar outro Enem

Na Folha:
A presidente do Inep (órgão do MEC responsável pelo Enem), Malvina Tuttman, se reúne hoje em Fortaleza com o juiz federal Luiz Praxedes Vieira da Silva para defender que o exame não seja anulado em todo o país. O MEC quer que apenas os 639 concluintes do ensino médio do colégio Christus refaçam o exame. O ministro da Educação, Fernando Haddad, voltou a dizer ontem, em evento político em São Paulo, que “basta aplicar uma nova prova aos alunos que foram, inadvertidamente, beneficiados”. Haddad amenizou o vazamento das questões. “Sempre haverá tentativas de burlar o sistema de segurança.” Disse também que somente o inquérito da Polícia Federal irá esclarecer como as questões do Enem vazaram. A Justiça Federal no Ceará deu prazo até hoje para o Inep se manifestar sobre o pedido do Ministério Público Federal, que quer cancelar o exame nacionalmente. Outra alternativa proposta pela Procuradoria é a anulação de 14 questões do Enem entregues a alunos do Christus antes da prova.

A direção do Christus nega irregularidades. Segundo o colégio, as questões estavam no banco de dados da escola e podem ter sido inseridas ali por alunos que fizeram o pré-teste, sem a escola saber. Uma aluna do pré-vestibular do Christus, que não está no grupo que teve a prova cancelada, disse à Folha que também recebeu as questões. O assessor especial do ministro, Nunzio Briguglio Filho, disse que não há nenhuma evidência de que os alunos do pré-vestibular tenham recebido as questões, mas, se isso ficar comprovado, eles podem ter de refazer o teste.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

A loucura particular de Dilma se acentua – “Governo vai assumir mais risco para ter trem-bala”

Por Marta Salomon e Renato Andrade, no Estadão:
Mais um atraso no cronograma e uma parcela maior de risco na conta do governo. Esse é o retrato atual do projeto do trem de alta velocidade que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. Na melhor das hipóteses, o trem começará a circular em 2017 e a um custo maior para os cofres públicos. A rodada de conversa com os candidatos a operar o negócio e oferecer a tecnologia do trem levou o governo a estudar assumir uma demanda mínima de passageiros. Se o número de usuários ficar abaixo do estimado, o governo compensará a operadora. Além disso, os candidatos querem um seguro contra eventuais atrasos na obra, adiantou ao Estado o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. O leilão deverá ser realizado em julho. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Para quando ficou o lançamento do edital do trem-bala, que estava previsto para outubro?
Fizemos reuniões exaustivas e profundas com todos os interessados nessa primeira etapa, que escolherá o operador e a tecnologia. Provavelmente em duas semanas haverá um desenho do edital para a consulta pública. Hoje sabemos bem as limitações de cada grupo, quais são os pontos que incluem ou excluem A ou B. Fechamos as conversas com o pessoal da Alemanha, França, Espanha, Japão e os coreanos.

Os chineses apareceram?
Não sei se eles têm condições de entrar nessa primeira etapa, com transferência de tecnologia. O foco deles é mais na obra da construção das linhas.

Quais são os pontos que a ANTT vai levar ao Planalto?
Existe uma preocupação com o atraso nas obras. Estamos estudando quais são as alternativas.

O governo daria uma garantia?
É isso que estamos discutindo. Tecnicamente, se houver um atraso, eles têm que ter uma compensação. Tem que ter um tipo de seguro.

Quem bancará o projeto executivo?
O investimento é da estatal Etav. Ela é quem vai capitalizar os recursos porque a gente entende que o governo tem de ter o controle. O papel do operador nessa fase é especificar a infraestrutura necessária. O operador vai botar o trem e cotar uma estruturação financeira. Isso tem um custo e, se demorar a construção da infraestrutura, vai haver uma perda.

O seguro vai ter alguma relação com o início efetivo da operação? Se as obras atrasarem um ano o governo compensaria esse um ano sem faturamento?
Podemos compensar com um ano a mais de concessão ou pagar uma multa para a operadora. É isso que estamos estudando, quais são os instrumentos que podemos utilizar para minimizar essas questões.

Quanto custará o projeto executivo?
Por volta de R$ 600 milhões. É caro. É um investimento alto.

Como está o cronograma?
A idéia é colocar o edital em audiência pública ainda em novembro. Vamos fazer audiências em todos os municípios por onde passará o trem. Demos publicar a versão final do edital em janeiro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Só 9% da alta da arrecadação é usada para investimentos

Por Érica Fraga, na Folha:
ma fatia pequena do aumento expressivo da carga tributária ocorrido desde meados da década de 90 se traduziu em novos investimentos públicos no Brasil. De cada R$ 100 a mais em impostos arrecadados entre 1995 e 2010, apenas R$ 8,6 foram direcionados para elevar investimentos feitos pelo governo, como construção de escolas e hospitais, ampliação de portos e aeroportos e melhorias em estradas. A conta é do economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. A elevação significativa da carga tributária nos últimos anos serviu principalmente para sustentar o aumento dos gastos correntes do governo, que incluem benefícios sociais e salários de funcionários públicos. “Nós aumentamos a carga tributária para gastar mais”, afirma Schwartsman.

Os investimentos da chamada administração direta (incluindo governos federal, estaduais e municipais) cresceram R$ 56,9 bilhões entre 1995 e 2010, descontada a inflação. Esse aumento equivale a 8,6% dos R$ 661,6 bilhões a mais arrecadados. “O governo está tomando muitos recursos sob a forma de impostos e retribuindo muito pouco em investimentos”, diz o economista Marcelo Moura, do Insper. Moura ressalta que, em 2010, quase metade das despesas do governo federal foi direcionada a gastos sociais (como os programas de transferências de renda e a previdência social). Outros 25% cobriram gastos com servidores públicos e 6,8% se converteram em investimentos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Ministério favorece prefeitos do PC do B

Por Daniel Bramatti, no Estdaão:
Mais de um terço das prefeituras comandadas pelo PC do B estão na lista das atuais beneficiadas por recursos do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, pasta que é controlada pelo partido desde 2003. Em termos proporcionais ao desempenho eleitoral, o partido é o líder disparado do ranking de convênios.

Dos 41 prefeitos que os comunistas elegeram nas últimas eleições, 15 (37%) recebem recursos do Segundo Tempo, programa destinado a jovens e crianças “em situação de risco social”. Empatados, PT e PPS têm a segunda maior taxa de prefeitos atendidos - apenas 7%.

Em números absolutos, o número de convênios conquistados pelo PC do B é igual ao assinado por prefeitos dos oposicionistas PSDB e DEM - 15 cada um. Isso foi alardeado pelo Ministério do Esporte como prova de que os recursos são distribuídos de acordo com critérios técnicos, e não políticos. Mas PSDB e DEM elegeram, respectivamente, 18 e 11 vezes mais prefeitos que os comunistas - o fato de não haver uma proporção próxima a essa na assinatura dos convênios é evidência estatística que de que o favorecimento partidário é o que predomina.

Critérios. Os dados ressaltam o alcance do “esporteduto” montado pelo PC do B, que, conforme revelou o Estado em uma série de reportagens, também alimenta com verbas federais uma rede de militantes instalada em organizações não governamentais e secretarias municipais e estaduais de Esportes por todo o País.

Os números também demonstram que o “aparelhamento” das verbas federais não sofrerá impacto apenas com o fim dos convênios com ONGs e sua substituição por prefeituras, medida anunciada pelo novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, logo depois de ser indicado para o cargo. Rebelo, assim como o antecessor, Orlando Silva, é um dos líderes nacionais do PC do B.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

PF indicia Rossi como “líder” de esquema

Por Fausto Macedo, no Estadão:
Relatório de 40 páginas da Polícia Federal descreve o modus operandi do ex-ministro Wagner Rossi (Agricultura), apontado como “líder da organização criminosa” que teria arquitetado fraude no Programa Anual de Educação Continuada (Paec) - capacitação de servidores - para desvio de R$ 2,72 milhões. A PF vai indiciá-lo criminalmente nesta semana, imputando a ele formação de quadrilha, peculato e fraude à Lei de Licitações.

Segundo o relatório, a investigação descobriu “verdadeira organização criminosa enraizada no seio do Ministério da Agricultura”. A PF sustenta que “os investigados, muitos travestidos de servidores públicos, atuavam no âmbito de uma estrutura complexa e bem definida, agindo com o firme propósito de desviar recursos da União”.

Rossi foi o quarto ministro do governo Dilma Rousseff a perder o cargo. Ele caiu em agosto, após denúncias de tráfico de influência, falsificação de documento público, falsidade ideológica, corrupção ativa e distribuição de propinas a funcionários que teriam participado do procedimento administrativo que ensejou a contratação da Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP.

Lobista. O relatório é subscrito pelo delegado Leo Garrido de Salles Meira. Além do ex-ministro, ele decidiu indiciar outros oito investigados, inclusive o ex-chefe de gabinete Milton Elias Ortolan. A PF confirmou denúncia da revista Veja, que revelou que o lobista Júlio César Fróes Fialho detinha poderes excepcionais na pasta, embora não tivesse vínculo formal com a pasta.

“Toda a trama inicia-se com a associação do lobista com a cúpula do Ministério da Agricultura”, assinala a PF. “O plano consistiria em direcionar a execução do programa de capacitação de servidores para determinada instituição de ensino, da qual seria exigida vultosa quantia.” A PF destaca que Rossi, Ortolan e Fróes “dando prosseguimento à trama delituosa, associaram-se a dois professores da PUC”.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma suspende por 30 dias repasses a ONGs. É o mínimo a fazer. E é muito pouco

A presidente Dilma Rousseff assinou um decreto que suspende por 30 dias os pagamentos a ONGs por serviços prestados por meio de convênios com órgãos federais. No período, será feita uma avaliação da execução dos convênios firmados até o dia 16 de setembro. Entre as irregularidades relacionadas pelo decreto, que terão de ser procuradas, informa o G1, estão “a omissão no dever de prestar contas; descumprimento injustificado do objeto de convênios, contratos de repasse ou termos de parceria; desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos; dano ao erário público; prática de outros atos ilícitos na execução de convênios, contratos de repasse ou termos de parceria”.

Caso se constate alguma irregularidade, a entidade será informada, e a suspensão pode durar mais 60 dias aguardando a correção do problema. E se não acontecer? Informa o G1: “O ministro deverá instaurar tomada de contas especial (procedimento para apurar responsabilidades e cobrar o ressarcimento do prejuízo aos cofres públicos); registrar a irregularidade no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse e informar à Controladoria-Geral da União (CGU) os dados das ONGs e dos convênios irregulares.” A ONG ficará impedida de celebrar novos convênios.

Volto a esse assunto das ONGs mais tarde. O decreto é uma medida mínima de moralização, tomada num momento em que as coisas parecem, e estão, fora do controle. Há aí uma questão de fundo que precisa ser revista, não contemplada no texto. Falarei mais a respeito.

Por Reinaldo Azevedo

Lula e o serviço público de saúde. Ou: Do que Gilberto Dimenstein deveria se envergonhar

Ai, ai!

No primeiro texto que escrevi sobre a doença de Lula, censurei uma coluneta de Gilberto Dimenstein em que ele afirma que o câncer do ex-presidente “vai servir de lição”. Foi mais longe: Infelizmente é desse jeito, com as pessoas sentindo-se próximas e vulneráveis diante de uma ameaça, que se consegue mudar atitudes” (cito no português original).Já disse o que pensosobre essa abordagem.

Parece que os lulistas radicais não gostaram do texto e resolveram pegar no pé do colunista. Aí ele fez o quê? Ora, resolveu atacar o “outro lado”, escrevendo um texto intitulado: “O câncer de Lula me envergonha”. E escreve:
Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?”

Pronto! O mesmo jornalista que, horas antes, achou irônico que Lula tivesse um câncer justamente no órgão associado à fala (e daí?), agora decidiu “atacar a minoria” para mostrar que ele é um homem favorável “à maioria”. Já que o lulismo pegou no seu pé, ele decidiu lhe puxar o saco.

Não acho que Lula ou qualquer político estejam obrigados a se tratarem em hospitais públicos ou a manterem seus filhos em escolas do estado.Mas que se note: NÃO ACHO PORQUE UM POLÍTICO NÃO É RESPONSÁVEL, SOZINHO, PELA BAIXA QUALIDADE DESTE OU DAQUELE SERVIÇOS. ASSIM COMO NÃO É RESPONSÁVEL ÚNICO POR EVENTUAIS ASPECTOS POSITIVOS DO PAÍS, DA SUA ECONOMIA, DO SEU DESENVOLVIMENTO.

Lula e o petismo tentaram privatizar a história do Brasil. Mais do que isso: fizeram tabula rasa do passado para se colocarem como os fundadores de uma nova civilização, o que é absolutamente mentiroso, estúpido, fraudulento. EU REALMENTE NÃO ACHO QUE LULA ESTEJA OBRIGADO A SE TRATAR NUM HOSPITAL PÚBLICO, mas entendo que se faça a cobrança a quem declarou, e não faz tanto tempo, que “a saúde no Brasil está próxima da perfeição”. AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE TER ESSA OPINIÃO.

Acho lamentável esse tipo de postura. Ao perceber que fez uma grande besteira, Dimenstein resolveu jogar os lulistas contra os críticos de Lula para poder se colocar como juiz, dizendo-se “envergonhado”. Tenha a santa paciência!

Reitero: eu não acho que Lula esteja moralmente obrigado a se tratar num hospital público, mas não há nada de ofensivo na sugestão. Rigorosamente nada!

O que deve nos envergonhar, isto sim, é o padrão da saúde pública no Brasil. Aliás, Dimenstein deve achar que a sugestão é ofensiva a Lula justamente porque esse serviço, no país, é um lixo; está, obviamente, “muito longe da perfeição.”

Dimenstein deveria é se envergonhar não da opinião dos leitores — ele não tem nada com isso. Deveria é se envergonhar dos dois textos que escreveu a respeito.

Vai ter de tentar o terceiro.

Por Reinaldo Azevedo

Bobagens como nunca antes na história do jornalismo

Lula se transformou num mito vivo, não é? Toda mitologia se sustenta, por óbvio, na irracionalidade. No caso do petista, muitas forças concorreram pra isso: setores da imprensa, esquerdistas da academia, marxistas da Igreja, sindicalismo e, junto com eles todos, os oportunistas. Notem: até os intelectuais, que costumam dissecar e descrever os mitos, entraram na festa. Resultado: muitos para adorar; poucos para pensar.

Quando um evento traumático, como é o câncer, colhe uma personalidade assim, a possibilidade de se falar e escrever porcaria é gigantesca. Leio jornais todos os dias desde que comecei a trabalhar para ganhar a vida, aos 15 anos. E eu posso lhes assegurar: Raramente se produziram tantas asnices como nestes dois dias. E não adianta tentar jogar a conta nas costas largas da Internet, não. Alguns supostos medalhões do jornalismo impresso expõem de maneira insofismável o declínio intelectual da profissão.

Voltarei ao assunto naquele textão da madrugada. Mas é, com efeito, chocante. Alguns idiotas, tentando demonstrar que não se deixam tocar pela emoção, só reforçam a dimensão mitológica de Lula; outros, tentando lhe puxar o saco, não se dão conta da crueldade.

É um tempo de perda de parâmetros. O articulista, com receio das muitas patrulhas, mais se ocupa em administrar a própria opinião do que o que em dizer o que pensa.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo

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