Soja: Preço sobe com informação de que chineses poderão elevar compras

Publicado em 12/11/2011 06:24 507 exibições
por MAURO ZAFALON - da FSP

A soja interrompeu ontem a queda de preços dos últimos dias no mercado futuro da Bolsa de Chicago. O primeiro contrato foi negociado a US$ 11,66, com evolução de 0,7%. Um dos motivos dessa alta foram as informações no mercado de que a China estaria voltando às compras em ritmo um pouco maior. 

Os dados mais recentes, no entanto, não animam muito. Os registros de exportações de soja dos EUA acumulados para esta safra 2011/12 indicam queda de 27% em relação aos anteriores.

O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que as vendas norte-americanas somaram 13,3 milhões de toneladas nesta safra. 

Os registros totais de vendas da oleaginosa norte-americana, incluindo a China e o resto do mundo, apontam para 19,1 milhões de toneladas -queda de 36%-, segundo boletim de informações do órgão norte-americano desta semana. 

Daniele Siqueira, analista da AgRural Commodities Agrícolas, está um pouco cética com o patamar atual. "É preciso avaliar bem a alta." Os chineses ainda compram soja na América do Sul e podem retardar importações feitas nos EUA. Siqueira diz que, além dos efeitos da crise financeira mundial -o que deve diminuir o ritmo da economia e afetar todas as commodities-, os preços da soja refletem as exportações menores dos Estados Unidos.


Ao ser negociado a US$ 11,66 ontem na Bolsa de Chicago, o primeiro contrato do mercado futuro caiu 5,6% em 30 dias. Nos últimos 12 meses, a queda acumulada é de 12,4%. Há um ano, a soja estava a US$ 13,32 por bushel (27,2 quilos).

Precário Os fundamentos do mercado do café continuam sólidos, segundo analistas do Escritório Carvalhaes, de Santos. Isso reflete o precário equilíbrio entre produção e consumo mundiais.

Em alta O primeiro contrato do café subiu ontem para US$ 2,34 por libra-peso, 1,7% mais do que na quinta-feira. O café está entre os poucos produtos agrícolas negociados em Nova York cujos preços atuais ainda superam os de há um ano.

Trigo A colheita do cereal já atinge 58% da área plantada no Rio Grande do Sul. O rendimento da produção indica boas perspectivas de safra, segundo a Emater/RS.

Bolsa A Monsanto destinará US$ 10 milhões até 2013 a novas pesquisas científicas que envolvam arroz e trigo. Cientistas, melhoristas e estudantes que desenvolvam pesquisas com esses cereais poderão se inscrever no sitewww.monsanto.com/mbbischolars.

Álcool sobe para R$ 2,10 por litro em postos de SP

O consumidor paulistano paga 18% mais pelo álcool hidratado neste ano do que em igual período de 2010.
É o que mostra pesquisa semanal de preços da Folha na capital paulista.
Alguns postos da capital já vendem o combustível a R$ 2,10 por litro, com a média de preços ficando em R$ 1,95.
Esse preço reflete a oferta menor de etanol devido à queda na moagem de cana-de-açúcar neste ano.
Os preços sobem também nas usinas. A pesquisa de preços do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicou R$ 1,2725 para o hidratado e R$ 1,3817 para o anidro. As altas na semana foram de 0,78% e 0,21%, respectivamente. Os valores divulgados pelo Cepea não incluem impostos.

Demanda por energia no Brasil vai crescer mais que a da China

Expansão será de 2,2% ao ano até 2035, ante 2% no país asiático, afirma agência de energia

Gás e energia nuclear ganham relevância; uso da biomassa para gerar energia vai bater o do petróleo em 2025

A demanda por energia no Brasil vai crescer a um ritmo mais acelerado do que na China nas próximas décadas.
Segundo relatório anual da IEA (Agência Internacional de Energia), divulgado nesta semana, a demanda por energia no Brasil vai crescer 2,2% ao ano, entre 2009 e 2035.
Ao final do período, a demanda alcançará 421 milhões de toneladas de óleo equivalente (unidade que mede, de forma unificada para as diferentes fontes, a capacidade de geração de energia).
O percentual de crescimento é bem superior à média mundial, de 1,3% ao ano, e até à da China, de 2%. A expansão brasileira somente perde para a Índia, que verá a demanda aumentar 3,1% ao ano.

NOVAS FONTES
O gás natural terá um importante papel no desafio de atender à crescente demanda. A IEA estima que o consumo crescerá 6% ao ano no país, em resposta à maior oferta de gás com a exploração das reservas do pré-sal.
A demanda por energia nuclear também terá um forte crescimento, de 5,1% ao ano, e o uso da biomassa, o que inclui a cana-de-açúcar para a produção de combustíveis e geração de energia, crescerá 2,6% ao ano. A taxa é bem superior ao aumento da procura por óleo, de 0,8%.
Com isso, já em 2025 a procura por biomassa, ao atingir 121 milhões de toneladas de óleo equivalente, ultrapassará a de óleo, que será de 115 milhões de toneladas.
As projeções da IEA consideram crescimento econômico anual médio de 3,6% para o Brasil e para o mundo e assumem que os recentes compromissos políticos dos governos serão implementados, ainda que cautelosamente.
O percentual de fontes de energia renováveis na geração de energia subirá de 3%, em 2009, para 15% em 2035 em todo o mundo, graças a subsídios às fontes alternativas, que passarão de US$ 66 bilhões, em 2010, para quase US$ 250 bilhões em 2035.
No entanto, a IEA considera que a era dos combustíveis fósseis ainda está longe do fim, embora a sua predominância tenda a declinar.
O percentual deles no consumo global de energia cairá de 81% para 75% no período.
Contudo, as dificuldades para aumentar a oferta manterão o preço do petróleo elevado, em US$ 120 o barril em 2035.
Segundo a IEA, a dinâmica do mercado de energia será cada vez mais determinada por países não membros da OCDE, sendo responsáveis por 90% do aumento da procura por energia até 2035.
Apesar de ter um crescimento anual inferior ao do Brasil, a China consolidará a sua posição de maior consumidor mundial. Em 2035, os chineses consumirão 70% mais energia do que os EUA.

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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