Polo de hortaliças no Nordeste Paulista, um dos principais do Estado de São Paulo

Publicado em 16/11/2011 16:20 272 exibições
O Nordeste paulista pode ser considerado uma das principais regiões produtoras e fornecedoras de hortaliças do Estado de São Paulo. Atende não apenas as centrais de abastecimento paulistas, como também outros estados, principalmente Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina, dependendo da oferta e da demanda da mercadoria. “Trata-se de mercado bastante dinâmico”, afirma Thiago Factor, pesquisador do Polo Nordeste Paulista/Apta Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Na agricultura paulista, o cultivo de produtos olerícolas tem importância significativa e a produção está concentrada em poucas regiões, onde geralmente há intensificação e especialização em determinadas culturas, explica Thiago. O grupo de olerícolas constitui a quarta maior fonte de renda agrícola para esta região, com valor da produção estimado em mais R$ 300 milhões, superado apenas por cana-de-açúcar, café e laranja.  Cerca de 50% do total da cebola; 60% da batata, 30% da beterraba, 25% da cenoura e 11% repolho provém desta região. Além de renda, as hortaliças estão entre as atividades agrícolas que mais oferecem empregos, observa Thiago. Enquanto as culturas como cana-de-açúcar e cereais empregam de 0,5 a 1,0 pessoa por hectare, as hortaliças podem geram de 3 a 6 pessoas/ha.

Apesar da grande importância que essas culturas representam para a região, alguns problemas ligados à produção, sobretudo no que se refere à conservação do solo e da água vêm preocupando produtores e sociedade civil, assim como limitando o pleno crescimento da atividade, comenta Thiago. “Assim, o desenvolvimento de sistemas de produção menos impactantes ao meio ambiente, considerando condições de produção intensiva da região, tais como o plantio direto na palha, pode ser considerado como importante ferramenta de sustentabilidade visando à manutenção da competitividade dos produtores e ao crescimento desta importante cadeia de produção para a região.”

Plantio direto na palha

Pesquisa desenvolvida na região analisou a relação entre a densidade de plantas (cultura da cebola) no sistema de plantio direto na palha e o retorno financeiro, cujo resultado mostrou que a maior produtividade (1,25 milhão de plantas por hectare) resultou em ganho de R$ 3.900,00. Porém o melhor retorno financeiro, considerando-se principalmente o custo da semente, foi obtido na densidade de um milhão de plantas por hectare (R$ 4.038,00).  “Esses resultados mostram que uma avaliação do custo é tão importante quanto o aumento da produtividade”, diz Thiago que é o coordenador do projeto.

Esta nova tecnologia no âmbito das hortaliças começa a ser disseminada na região e, atualmente, dois produtores de cebola e de beterraba já utilizam o sistema de plantio direto na palha. A rigor, explica o pesquisador, os produtores utilizam o preparo de solo convencional e a implantação da cultura por meio da semeadura direta em canteiros ou plantio de mudas diretamente no solo. Já o plantio direto constitui-se da formação e dessecação da palhada ou utilização de restos culturais da cultura antecessora e do conseqüente plantio, sem o revolvimento do solo.

Melhoramento genético

Thiago revela, ainda, que uma variedade de cebola está em fase de experimentação (já começa a ser avaliada em áreas de produtores), de maneira a estender o calendário de plantio e colheita no verão. Assim, será possível reduzir a pressão de oferta concentrada do produto no inverno, que implica em menor remuneração ao produtor, e também baixar o custo da semente ao oferecer uma opção aos híbridos comerciais.

Também são conduzidos dois projetos de melhoramento genético com batata. O primeiro (em fase de avaliação de clones) busca, em parceria com o IAC e Polo Regional Centro Leste Paulista, variedades mais adaptáveis às condições regionais e que utilizem menos insumos (menor custo de produção).  

Já o segundo projeto persegue variedades de casca e polpa coloridas, assim como de tamanhos reduzidos, para nichos de mercado (no mercado brasileiro, já aparecem batatas coloridas provenientes dos Estados Unidos), o que possibilita agregação de valor. Além disso, esta batata poderá ser considerada alimento funcional, uma vez que conterá alta concentração de pigmentos, importantes na prevenção de doenças, especialmente o câncer.  

Manejo racional da água

Em 2010, a pesquisadora Jane Maria de Carvalho Silveira, do Polo Nordeste Paulista (com sede em Mococa) foi incorporada à equipe do projeto para realizar estudos de manejo de irrigação em plantio direto, com cebola e beterraba.  Desde 2008, ela já vinha trabalhando na sub-bacia Tambaú-Verde (Itobi e parte dos municípios de Casa Branca, Mococa, Tambaú, São José do Rio Pardo e Vargem Grande do Sul), com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A escolha da sub-bacia, explica Jane, foi motivada pela alta concentração de pivôs centrais e de horticultura cujo período de produção ocorre entre abril e outubro. Os 126 mil hectares da sub-bacia representam 41% da área total dos seis municípios que a compõem. Nesta extensão, foram mapeados 7.822 hectares de área irrigada com 241pivôs centrais (6,1% do território do conjunto desses municípios). Na região, é tradição o produtor adotar a tecnologia da irrigação, porque a água é imprescindível às olerícolas cultivadas no período seco do ano, diz Jane. São áreas de uso intensivo, onde se conseguem até três safras por ano em sucessão (milho no verão, feijão ou milho verde no outono e olerícola no outono/inverno).  

Para 2012, a equipe planeja iniciar estudos que determinem coeficientes para as culturas de cebola, batata e beterraba na região, atendendo às necessidades dos produtores locais por manejo mais eficiente da água. Coeficientes de cultura são índices, determinados a partir de experimentação, para definir as lâminas de irrigação, explica Jane. “Esses coeficientes devem indicar a real necessidade de água pela planta. Hoje, existem disponíveis na literatura coeficientes de cultura que muitas vezes não condizem com a realidade local (clima, planta, solo etc.)”.

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Sec. Agricultura SP

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