ABIC diz que preço da saca continuará alto em 2012

Publicado em 27/11/2011 09:39 407 exibições
por Tomas Okuda, do jornal O Estado de S. Paulo
O preço do café verde deve manter a tendência altista no decorrer de 2012, principalmente no primeiro trimestre. A previsão é da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), com base no atual cenário de baixa disponibilidade de grãos no mundo, estoques mundiais apertados e demanda crescente, apesar da crise econômica.
No período de janeiro a novembro, os cafés arábicas mais utilizados pela indústria tiveram aumento de cerca de 33,5%, com a saca de 60 kg valendo atualmente R$ 320,00. O presidente da Abic, Américo Sato, informou que a indústria de torrado e moído deverá realinhar preços, com reajuste médio de 20% para todos os tipos de cafés. "Os varejistas já estão reajustando preços e a indústria titubeia porque o varejo pressiona por valores mais baixos. Só que a indústria trabalha no limite de rentabilidade e há necessidade de majoração, se quisermos atender o consumidor com qualidade", disse.
Sato acrescentou que os estoques brasileiros de café também estão muito baixos, no período anterior à colheita, que começará entre abril e maio. "O volume comercializado também se reduziu porque muitos detentores de estoques de café estão segurando a venda, prevendo preços melhores nos próximos meses", comentou, alertando que essa conjuntura afeta os resultados e a produção das indústrias.


Indústria de café torrado e moído deverá realinhar preço 


O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Américo Sato, pondera que o tradicional cafezinho tomado em casa ainda é barato para consumidor, em comparação com outros tipos de bebida. Sato citou que o quilo de café torrado e moído custa cerca de R$ 15,00 no supermercado, com o qual é possível produzir cerca de 150 xícaras de café. "Uma xícara de café tomado no lar custa apenas 1 real. É muito barato", disse.

No entanto, de acordo com o presidente da Abic, "os atuais níveis de preço não cobrem sequer o aumento da saca do grão, e as indústrias precisam realinhar seus preços com a maior brevidade possível, de modo a evitar colapso de abastecimento regular".
Conforme a Abic, os preços do café, tipo conilon, aumentaram 38,5%, em média, de janeiro a novembro, alcançando o nível de R$ 300,00 a saca de 60 kg nesta semana. A Abic explicou que, além da forte demanda interna por este tipo de café, a exportação brasileira do produto foi retomada em virtude dos preços altos do café arábica no mundo, o que provocou a alta mais acentuada.
No caso dos cafés arábicas mais utilizados pela indústria, o aumento no mesmo período foi de 33,5%, com a saca custando R$ 320,00. Para os cafés de melhor qualidade (Tipo 6, fino) o aumento também foi significativo, alcançando 30%, com a cotação da saca atual a R$ 545,00. "Portanto, a matéria-prima, em média, se elevou 35% desde janeiro", ressaltou Sato.
Em contrapartida, os preços do café nas prateleiras ainda encontram-se muito defasado e bem abaixo do que deveria, em virtude dos aumentos da matéria-prima. De janeiro a novembro, os preços dos cafés tradicionais, nas grandes cidades, aumentaram na média 15%, alcançando R$ 12,81/kg na Grande São Paulo. Pesquisas mostram que no Brasil, os preços médios subiram somente 9%. "A defasagem, portanto, é superior a 20%", informou o presidente da Abic.
O consumo de café no Brasil é o segundo maior do mundo, alcançando 19,1 milhões de sacas em 2010, o que representou 40% da safra brasileira.





Colômbia: produção deve ficar estável em 2011/12, diz Fedecafé








Chuvas torrenciais tornarão mais difícil para a Colômbia aumentar a produção local de café em 2011/12, informou na noite de ontem Luís Genaro Muñoz, gerente geral da Federação Nacional dos Cafeicultores do país (Fedecafe).
A colheita do grão na temporada iniciada em 1º de outubro deste ano provavelmente totalizará 8,5 milhões de sacas de 60 quilos cada, volume inalterado ante 2010/11, segundo ele. "Nós não esperamos elevar a produção", disse Muñoz em uma entrevista por telefone. "O clima neste ano tem sido pior do que no ano passado."
Chuvas pesadas prejudicaram safras consecutivas na Colômbia - principal produtor global de grão arábica depois do Brasil - e reduziram a oferta mundial. A condição climática deste ano afetou as lavouras, derrubando as cerejas dos pés, e a umidade excessiva gerou um fungo em algumas plantas.
Estradas bloqueadas por deslizamentos de terra também impedem o transporte de café das fazendas nas regiões andinas para os portos. "A Colômbia tem um sério problema de estradas", revelou Muñoz.
Os grãos cultivados nas áreas montanhosas são valorizados por seus sabores suaves e recebem um prêmio em relação aos preços internacionais. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o vencimento março do café arábica encerrou cotado a 235,40 cents por libra-peso na quarta-feira. As informações são da Dow Jones.

Fungo ameaça lavouras de café na Guatemala, diz associação
Agência Estado / Filipe Domingues

A Guatemala está enfrentando casos sérios de contaminação com um fungo conhecido como "roya", que pode ser mortal para os cafeeiros, ameaçando a produção depois da forte colheita do ano passado. A informação foi divulgada nesta quinta, dia 24, pelo presidente da Associação de Exportadores de Café da Guatemala (Adec), Thomas Nottebohm.
– Tenho observado plantações com os ataques de fungos mais severos que já vi na vida – disse.
A doença, que se espalha facilmente em condições de umidade e sombra, reduz a produtividade das plantas, provocando queda de folhas e apodrecimento das cerejas. No pior dos casos, acaba com a produção da planta afetada. Em casos menos graves, reduz a qualidade do café extraído das cerejas.
– Ainda é muito cedo para dizer qual é o impacto sobre a produção – afirma Nottebom.
Ele acrescenta que não seria surpreendido se houvesse uma queda da safra na comparação com o ano anterior por causa dos danos causados pelo roya - que se somam à queda prevista da produtividade num ciclo de baixa. A produção de café tem uma natureza cíclica, de modo que é normal ter um ano de produção menor após um ano de ampla safra.
A Guatemala, que teve excesso de umidade no último ano e neste ano tem previsto mais chuvas do que o normal, segundo Nottebohm, é o segundo maior produtor de café na América Central, depois de Honduras. A Associação de Café Guatemalteca (Anacafé) por enquanto prevê estabilidade na produção.

Colheita de café do Vietnã avança, mas as vendas estão lentas

O Vietnã já colheu até 30% de sua colheita de café de 2011/2012, mas o comércio está lento, com os preços domésticos de acordo os futuros de Londres, enquanto os exportadores buscam preços de vendas acima das ofertas dos compradores estrangeiros, disseram comerciantes do país.
A demanda de compra permanece lenta, à medida que os compradores esperam que os preços caiam, quando a colheita chegar ao pico no próximo mês. "Os compradores ainda não estão dispostos a comprar agora", disse um exportador do país. "Os novos grãos não chegaram muito ainda, porque os dias de sol começaram somente há sete ou oito dias".
Os preços na província de Daklak ficaram em 38,2-38,4 milhões de dong (US$ 1.796,40-US$ 1.805,80) por tonelada, contra 37,8-38,5 milhões de dong (US$ 1.777,59-US$ 1.810,50) há uma semana. Daklak é a província de maior produção de café do Vietnã, produzindo um terço do total do país.
Dois comerciantes disseram que os produtores podem ter colhido de 25 a 30% da colheita de 2011/2012. "Cerca de 25-30% da colheita já foi feita, mas apenas das cerejas, enquanto os grãos que foram para processamento e estão agora prontos para serem enviados representam 10-15% da colheita", disse um comerciante.
Os exportadores querem vender o café robusta de classificação 2, 5% de grãos pretos e quebrados com descontos de US$ 20-US$ 25 a tonelada para o contrato de março em Londres, que fechou em US$ 1.905 a tonelada. Isso significa US$ 1.880-US$ 1.885 por tonelada FOB.
Os compradores estão relutantes em comprar os grãos frescos agora, antecipando que os preços cairão em duas semanas, mas as ofertas indicativas estão no mesmo nível do contrato de janeiro de Londres, que fechou com baixa de US$ 9, em US$ 1.871 por tonelada.
As firmas comerciais estão buscando grãos para enviar à Indonésia, como no mês passado, mas os baixos estoques colocaram um teto nas vendas, mesmo com os compradores querendo pagar preços premium pelos grãos vietnamitas, disseram os comerciantes.
Os comerciantes previram que os envios de café de novembro aumentarão para 50.000-75.000 toneladas, de 30.000 toneladas estimadas em outubro. Considerando os estoques estreitos agora, mais da metade do volume enviado nesse mês seria de grãos da colheita anterior.
A colheita de café do Vietnã vai de outubro a setembro, começando com a colheita que normalmente termina no final de janeiro.
A produção em 2011/2012 aumentaria 13,5% com relação à safra anterior, para 21 milhões de sacas.A reportagem é da Reuters, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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Fonte:
O Estado de S. Paulo

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