Nova tecnologia ajuda produtor de algodão no controle de Helicoverpa no MT

Publicado em 19/11/2013 10:31 924 exibições

Em plena safra de soja em Mato Grosso e a algumas semanas do início do plantio da safra de algodão, a lagarta-praga Helicoverpa armigera continua assustando os agricultores por sua voracidade e capacidade de adaptação a várias culturas. Como se não bastasse, o pessoal do campo tem dificuldade para diferenciá-la de outras lagartas menos agressivas. Nesse contexto, é muito bem-vinda a notícia de que o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) já dispõe de tecnologia para identificar com segurança e em pouco tempo a que espécie pertence a lagarta coletada nas fazendas dos associados da Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão).

Criado graças a uma parceria entre os departamentos de Entomologia e de Biologia Molecular do IMAmt e o CSIRO (The Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation - uma espécie de Embrapa australiana), o Sistema de Diagnose permitiu desde setembro passado a análise de 630 amostras de lagartas de todas as regiões produtoras de algodão em Mato Grosso. Do total examinado no Laboratório de Biologia Molecular do IMAmt, no Campo Experimental de Primavera do Leste, aproximadamente 96% eram lagartas da espécie H. armigera e o restante das amostras era de Helicoverpa zea e Heliothis virescens, também conhecidas como lagarta-das-maçãs.

"Isso é só o começo. Com essa tecnologia, ganhamos agilidade e a perspectiva é utilizar esse sistema de diagnose não só para identificar a espécie, mas também para identificar as populações de lagartas resistentes à tecnologia Bt", afirma o pesquisador do IMAmt, Leonardo Scoz, numa referência às variedades de sementes geneticamente modificadas que se caracterizam por apresentar resistência às principais espécies de lagartas-pragas que atacam o algodoeiro.

A parceria com o CSIRO começou a se estreitar no final do primeiro semestre deste ano com uma visita de pesquisadores do IMAmt à Austrália, país que é considerado referência no controle e combate à Helicoverpa spp. (H. armigera e H. punctigera). Na ocasião, os pesquisadores visitantes ficaram muito impressionados com o Plano de Manejo de Resistência de Helicoverpa spp. à Bollgard II®, elaborado pela equipe liderada por Sharon Downes, entomologista do CSIRO, e seguido à risca pelos produtores de algodão australianos, o que reduz drasticamente o uso de inseticidas.

Segundo Scoz, o Sistema de Diagnose trabalha com amostras de lagartas coletadas nos sete Núcleos Regionais onde há lavouras de algodão em Mato Grosso. "Os assessores técnicos regionais (ATRs) ficam responsáveis por receber e nos enviar as amostras recolhidas nas fazendas. Fazemos a extração do DNA de cada amostra e através da tecnologia de marcadores moleculares conseguimos identificar a espécie", explica Scoz. Ele acrescenta que o trabalho é realizado com a utilização de uma planilha desenvolvida pelo entomologista Miguel Soria do IMAmt. Antes da adoção desse sistema, que utiliza tecnologia de ponta, a identificação com segurança só era feita fora de Mato Grosso e levava aproximadamente 60 dias. Agora, é possível detectar a presença de H. armigera numa fazenda em uma semana.

"A Biologia molecular entra como facilitadora e, graças aos investimentos feitos no laboratório do IMAmt em Primavera do Leste, poderemos verificar se as medidas de controle das lagartas Helicoverpa spp. estão sendo eficazes, evitando gastos desnecessários e o uso excessivo de produtos químicos", diz o biólogo Scoz. Ele lembra as recomendações que vêm sendo feitas por pesquisadores do IMAmt e outras instituições de pesquisa no sentido de recorrer ao Manejo Integrado de Pragas (MIP), adotar áreas de refúgio para evitar o crescimento de populações de lagartas resistentes à tecnologia Bt e utilizar ferramentas de controle biológico no combate à Helicoverpa spp. e outras pragas do algodoeiro.

"O produtor poderá contar com produtos agroquímicos e com a tecnologia Bt2 para controle da população da Helicoverpa armigera, porém se essas ferramentas não forem usadas de modo adequado teremos o crescimento de uma população cada vez mais resistente de lagartas", alerta o pesquisador, preocupado com a pressão da lagarta Helicoverpa armigera na próxima safra de algodão, a ser iniciada em Mato Grosso com o plantio a partir de 1º de dezembro. O Sistema de Diagnose é mais uma ferramenta para ajudar o produtor e suas equipes no monitoramento de Helicoverpa spp e outras pragas na safra 2013/14.

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IMA

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