Decisão do CTR do Algodão mantém calendário da safra 2026/2027
O Comitê Técnico Regional (CTR) do Algodão decidiu, por unanimidade, manter o período oficial de semeadura e a excepcionalidade da emergência da cultura no Oeste da Bahia, para a safra 2026/2027. A deliberação ocorreu em 28 de janeiro, durante reunião realizada em Barreiras, e considerou o alinhamento com a antecipação excepcional da emergência da soja, aprovada pelo CTR da Soja no dia anterior, 27 de janeiro, medida que impacta diretamente o cultivo do algodão irrigado em sucessão à soja precoce.
Participaram dos encontros representantes da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), da Fundação Bahia, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), além de outras entidades, pesquisadores e entomologistas.
Com o calendário preservado, em linha com a portaria 77/2025 da Adab para o Controle Fitossanitário do Bicudo-do-Algodoeiro, o plantio do algodão permanece autorizado de 21 de novembro a 10 de fevereiro no Oeste da Bahia, e de 1º de novembro a 10 de fevereiro na região Sudoeste. Na reunião, aprovou-se o alinhamento dos municípios de Baianópolis e Campo Grande à mesma janela de vazio sanitário do Oeste da Bahia, de 20/09 a 20/11. Anteriormente, eles pertenciam a um grupo à parte, cujo período de vazio vai de 10/09 a 10/11. A soja segue o cronograma de excepcionalidade, com início em 25 de setembro, mantendo-se inalterada a data final prevista em lei, 31 de dezembro.
As aprovações se fundamentaram em estudos que comprovam a efetividade do modelo fitossanitário regional, capaz de conciliar o manejo sanitário com a janela produtiva do algodão. Os resultados da última safra, obtidos a partir do monitoramento das culturas, que demonstraram que a antecipação não comprometeu o vazio sanitário e, ao contrário, contribuiu para retardar o surgimento de focos de ferrugem asiática.
“A antecipação foi mantida nos moldes do ano passado, e reflete um entendimento técnico e conceitual entre Abapa, Aiba e Adab, fundamentado na prática e no comprometimento dos agricultores com a defesa fitossanitária. Um destaque levantado na reunião foi a confirmação do avanço das áreas de algodão com tecnologia de irrigação, também nesta safra, a exemplo da anterior. Feita em parâmetros sustentáveis e totalmente de acordo com a legislação, a irrigação se firma como uma ferramenta de mitigação de risco e sustentação dos bons índices de produtividade na Bahia. A tecnologia repercute na qualidade da fibra, e os ganhos que ela introduz no sistema produtivo reverberam em mais valor e riquezas para a economia regional e estadual”, argumenta a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa.
A área ocupada com algodão sob pivô central deve avançar de 140 mil hectares, na safra 2024/2025, para cerca de 150 mil hectares, em 2025/2026, posicionando o Oeste da Bahia como principal polo de cotonicultura irrigada do Brasil. Na última safra, a participação do irrigado foi de 34% da área cultivada total, contra 66% das lavouras em sistema de sequeiro (272,5 mil hectares).
Abapa Conecta
Segundo Alessandra, a entidade tem reforçado as medidas para conscientização dos produtores, assim como o compartilhamento de informações sobre defesa fitossanitária, para mitigar o avanço de pragas e doenças. Uma destas iniciativas é o projeto “Abapa Conecta”, uma evolução das tradicionais reuniões dos Núcleos Produtivos. O zoneamento da área produtiva em núcleos favorece o monitoramento e o controle fitossanitário. No ano passado, eles foram reorganizados com base na proximidade geográfica e em sistemas produtivos semelhantes, facilitando a troca de informações entre produtores e aumentando a efetividade das ações. A estrutura passou de 18 núcleos para sete, sendo seis no Oeste e um no Sudoeste da Bahia.
Próximos desafios
Assim como em 2025, o trânsito de algodão, calcário e gesso figurou no debate, por conta dos riscos de contaminação por sementes de algodão no transporte desses produtos. As discussões apontaram para a inexistência de legislação específica para inspeção rodoviária, para coibir o problema. Por isso, ações educativas, voltadas à conscientização de produtores, transportadoras e usinas foram empreendidas, com o fortalecimento da comunicação institucional por parte da Abapa e da Aiba. A articulação com órgãos de defesa agropecuária de outros estados, sobretudo de Pernambuco, foi retomada e intensificada. Eventuais caroços de algodão embarcados no gesso e no calcário são fonte de proliferação de plantas voluntárias da cultura, as tigueras, que crescem às margens das rodovias e se tornam abrigo para o bicudo-do-algodoeiro na entressafra, comprometendo a eficácia do vazio sanitário.
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