Algodão fecha em baixa em NY com menor volume de vendas nos EUA
Os preços do algodão fecharam em baixa nesta quinta-feira (14) na Bolsa de Nova York. Segundo informações do Barchart, o relatório semanal de vendas para exportação do USDA mostrou o menor volume do atual ano comercial para a safra 2025/26.
O levantamento apontou vendas de 47.699 fardos de algodão na semana encerrada em 7 de maio, queda de 27,47% em relação ao mesmo período do ano passado. Também foram registradas vendas de 29.716 fardos da nova safra. Já os embarques somaram 290.293 fardos, o menor nível em oito semanas.
Na Bolsa de Nova York, o contrato dezembro/26 recuou 0,18 cent (-0,21%), encerrando o dia cotado a 86,28 cents/lb. O vencimento julho/26 caiu 0,49 cent (-0,57%), fechando a 86,32 cents/lb. O outubro/26 perdeu 0,07 cent (-0,08%), para 87,03 cents/lb, enquanto o março/27 registrou baixa de 0,25 cent (-0,29%), terminando a sessão a 86,78 cents/lb.
Apesar da baixa registrada nesta sessão, as cotações seguem em níveis elevados. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o consultor Pery Passotti Pedro destacou que os dados de oferta e demanda divulgados nesta semana pelo USDA trouxeram uma redução de 7% na oferta global, combinada com um leve aumento no consumo. Segundo ele, esse movimento resultou em uma projeção menor para os estoques mundiais.
O consultor ressaltou que esse fator é relevante porque o algodão é uma commodity produzida apenas uma vez por ano, enquanto o abastecimento dos consumidores depende de longos fluxos logísticos entre os principais produtores globais, como Estados Unidos, Brasil e Austrália, o que exige consumo dos estoques.
Em relação à safra americana, Pery afirmou que o mercado acompanha com preocupação o avanço do plantio nos Estados Unidos. Segundo ele, enquanto cerca de 25% da área de soja do país enfrenta algum nível de seca, no algodão esse percentual chega a 97%.
“É um número histórico e trágico. Mesmo que melhore muito e caia milagrosamente para 70%, ainda é total extremamente alto, que deve levar a um grande abandono por parte dos produtores americanos”, afirmou.
O consultor explicou ainda que o sistema de seguro agrícola dos Estados Unidos incentiva o plantio mesmo em condições adversas, já que o governo cobre os custos caso o produtor abandone a área por problemas climáticos.
Para Pery Passotti Pedro, a situação climática nos Estados Unidos segue como o principal fator de sustentação dos preços nos últimos meses.
Sobre o mercado brasileiro, o consultor destacou as boas oportunidades com os preços atuais. “O produtor precisa vigiar a relação de troca e aproveitar as oportunidades que o mercado está dando. Faz 24 meses que essas oportunidades não aparecem na nossa porta. Quando aparecem, o produtor tem que aproveitar”, afirmou.